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Frente fria drástica causa neve recorde e quedas bruscas de temperatura nos EUA

Nevasca, tempestade de neve
Nevasca, tempestade de neve - Micha Weber/ Shutterstock.com

Quase 100 milhões de americanos enfrentam uma dramática reversão nas condições climáticas, com alertas de tempestade de inverno e quedas de temperatura que podem chegar a 40 graus Fahrenheit. A previsão inclui a chegada de quase 1,5 metro de neve em algumas regiões do Alasca, após um período de calor recorde em abril no país.

Este cenário de “chicote meteorológico” segue dias de altas temperaturas incomuns para a primavera, especialmente no leste dos Estados Unidos. A massa de ar ártico, que vinha impactando o Alasca, agora avança para o sul, transformando abruptamente o panorama climático em vastas áreas do continente. As autoridades de meteorologia emitiram avisos para que a população se prepare para as condições adversas.

Alasca pode receber quase 1,5 metro de neve

O Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) emitiu alertas de tempestade de inverno para múltiplas regiões do Alasca, válidos até segunda-feira. Acúmulos de neve podem alcançar até 58 polegadas, o equivalente a quase 1,5 metro. Essas condições afetam áreas extensas, desde a Eastern Alaska Range até a Yukon Delta Coast, exigindo atenção máxima das comunidades locais.

Na Eastern Alaska Range, ao sul do Trims Camp, incluindo trechos da Rodovia Richardson, o alerta se estende de domingo a segunda-feira. São esperadas entre 8 e 16 polegadas de neve, acompanhadas de ventos fortes que podem atingir 64 km/h, reduzindo drasticamente a visibilidade. Ao longo da Yukon Delta Coast, que engloba Kotlik, Scammon Bay, Hooper Bay, Alakanuk e Emmonak, a previsão aponta para 5 a 8 polegadas de neve, com rajadas de vento de até 72 km/h. A visibilidade nessas áreas pode cair para menos de 400 metros.

Outras regiões, como Eastern Norton Sound, Nulato Hills, Middle Yukon Valley e Lower Yukon River, também estão sob alerta, com acumulações adicionais de neve variando entre 3 e 10 polegadas. O NWS alertou que as viagens podem se tornar extremamente difíceis. A recomendação para quem precisa se deslocar é manter uma lanterna extra, alimentos e água no veículo, em caso de emergência. A soma das previsões em todas as regiões indica um potencial total de até 58 polegadas de neve, ou quase 1,5 metro, para as comunidades afetadas no Alasca até o fim do período de alerta.

Reversão climática inesperada atinge Estados Unidos

A massa de ar ártico que está provocando as tempestades de neve no Alasca está se deslocando rapidamente para o sul, atingindo os Estados Unidos contíguos. Este movimento gera uma das mais notáveis e dramáticas reversões de temperatura do ano. O fenômeno meteorológico acontece poucos dias depois de várias cidades registrarem temperaturas elevadíssimas para esta época.

Na quinta-feira, por exemplo, Washington D.C. alcançou 92 graus Fahrenheit (33,3°C). Cidades como Baltimore, Filadélfia e regiões próximas a Nova York também registraram temperaturas na casa dos 90s (acima de 32°C). Para este fim de semana, a previsão é de uma queda acentuada, de 20 a 40 graus Fahrenheit, em muitas dessas mesmas áreas. Algumas localidades podem ter termômetros marcando 30s, 40s e 50s (entre -1°C e 10°C).

Quase 100 milhões de pessoas, desde Boise, Idaho, até Boston, e para o sul em direção a Filadélfia, devem esperar temperaturas congelantes neste fim de semana e no início da próxima semana. As previsões incluem preocupações com a agricultura em algumas regiões, como perto de Salt Lake City, onde o NWS já alertou para perdas generalizadas de flores após um florescimento precoce, impulsionado pelo calor recorde no inverno. Na quinta-feira, a cidade chegou a registrar neve, um dia depois de uma máxima de 77 graus Fahrenheit (25°C).

Causas do frio extremo após inverno recorde no Alasca

A origem dessa massa de ar frio intenso não é um mistério para os cientistas. O Alasca vivenciou o período mais gelado de dezembro a março nos últimos 50 anos. Esse padrão foi impulsionado por uma forte área de alta pressão posicionada sobre o leste da Rússia. Essa configuração climática enviou repetidamente fluxos de vento frio do Oceano Ártico através do estado, contribuindo para o armazenamento de uma vasta quantidade de ar gelado.

Brian Brettschneider, cientista climático baseado no Alasca, confirmou ao The Washington Post a intensidade do inverno local. “Foi definitivamente um inverno frio aqui em cima. Em todo o estado, foi o dezembro a março mais frio em 50 anos”, destacou ele. Brettschneider ainda observou que março foi o mês mais nevado em Juneau por uma grande margem, sendo o quarto mês com maior volume de neve já registrado na cidade, precedido por seu segundo mês mais nevado em dezembro.

Esse ar ártico armazenado está agora em movimento e se desloca para o sul. Uma queda na corrente de jato (jet stream) está canalizando uma área de baixa pressão para fora do Noroeste, que, por sua vez, está empurrando essa massa de ar frio para os Estados Unidos contíguos neste fim de semana. O resultado é uma brusca mudança no tempo, que pegou muitos de surpresa após um início de primavera atipicamente quente.

Preocupação com impactos na agricultura e infraestrutura

Os impactos dessa súbita virada climática podem ir além do desconforto. O Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) já expressou preocupação com a agricultura, principalmente em áreas como Salt Lake City, onde há um risco considerável de perda de floração. A floração antecipada, estimulada por um inverno atipicamente quente, deixa as plantas vulneráveis a temperaturas congelantes e geadas tardias, o que pode resultar em prejuízos significativos para os produtores locais e para o abastecimento.

As condições de viagem também representam um grande desafio. Estradas cobertas por até 1,5 metro de neve e a visibilidade reduzida por ventos fortes transformam deslocamentos em jornadas perigosas. Aeroportos podem enfrentar atrasos e cancelamentos de voos, impactando a logística e o turismo. As autoridades recomendam que, se possível, as pessoas evitem viagens desnecessárias e se preparem para possíveis interrupções.

Além disso, as tempestades de neve e os ventos gélidos aumentam o risco de interrupções no fornecimento de energia elétrica. A queda de árvores ou o acúmulo de neve e gelo sobre as linhas de transmissão podem causar blecautes prolongados, especialmente em áreas mais isoladas. As concessionárias de energia estão em alerta para mobilizar equipes de reparo, mas a preparação individual com kits de emergência é essencial para garantir a segurança e o conforto da população durante este evento climático extremo.

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