A Sessão da Tarde da Globo traz nesta segunda-feira o drama nacional Que Horas Ela Volta?. O filme de 2015 entra na programação após Terra Nostra, a partir das 15h30 no horário de Brasília. A produção acompanha a pernambucana Val, interpretada por Regina Casé, que deixa a filha pequena em Pernambuco para trabalhar em São Paulo.
Treze anos depois, a jovem Jéssica telefona pedindo ajuda para prestar vestibular na capital paulista. A chegada dela altera a rotina da casa onde Val atua como empregada doméstica e babá. O enredo explora as tensões que surgem a partir desse reencontro.
Trama central gira em torno de mãe separada pela busca de melhores condições
Val se mudou para São Paulo com o objetivo de oferecer uma vida melhor à filha Jéssica. Ela deixou a menina aos cuidados de parentes no interior de Pernambuco. Na capital, Val assumiu o papel de babá de Fabinho, filho de uma família de classe média alta.
Com o tempo, Val ganhou estabilidade financeira, mas carregava o peso da separação. Quando Jéssica decide ir a São Paulo para o mesmo vestibular que Fabinho prestará, a dinâmica da casa muda. A jovem não segue os protocolos invisíveis que regem o espaço e isso gera conflitos.
Os patrões recebem Jéssica inicialmente com boa vontade. Aos poucos, porém, surgem desconfortos relacionados a limites e hierarquias sociais. O filme mostra essas fricções sem exageros dramáticos.
- Val trabalha há anos na residência e cuida de Fabinho como se fosse um segundo filho
- Jéssica chega com expectativas próprias e questiona as regras da casa
- A mãe tenta equilibrar lealdade aos patrões e o laço com a filha distante
- Pequenos gestos revelam as diferenças de classe presentes no dia a dia
Filme ocupa posição entre os melhores da história do cinema brasileiro
A produção dirigida por Anna Muylaert apareceu na lista dos 100 melhores filmes brasileiros elaborada pela Abraccine, a Associação Brasileira de Críticos de Cinema. A obra de 2015 figura como um dos longas mais recentes a entrar no ranking na época da divulgação.
Críticos destacaram a forma como o longa trata relações afetivas e sociais. O roteiro evita julgamentos diretos e prefere mostrar comportamentos e olhares. Essa abordagem contribuiu para a recepção positiva tanto no Brasil quanto no exterior.
O filme estreou no Festival de Sundance em 2015. Lá, Regina Casé e Camila Márdila receberam o Prêmio Especial do Júri por atuação na categoria de cinema mundial. Em seguida, passou pela mostra Panorama do Festival de Berlim, onde conquistou o prêmio de público.
Roteiro levou quase duas décadas para ganhar forma definitiva
Anna Muylaert desenvolveu a ideia inicial ainda nos anos 1990. O projeto passou por várias revisões ao longo do tempo. A diretora incorporou mudanças inspiradas na realidade econômica e social do país em diferentes momentos.
A história tem base em experiências pessoais da cineasta com babás que trabalharam em sua família. Muylaert relatou que observou de perto o contraste entre o cuidado dedicado a crianças de patrões e a distância das próprias famílias das cuidadoras.
O título original considerado era outro, mas evoluiu até a versão final. A diretora reescreveu o material várias vezes até chegar ao equilíbrio desejado entre drama e sutileza. O processo incluiu contribuições de Regina Casé, que trouxe conhecimento sobre a vivência de mulheres nordestinas em São Paulo.
- Inspiração veio de babá que cuidou do filho de Muylaert
- Roteiro foi atualizado conforme o contexto brasileiro mudava
- Equipe buscou evitar estereótipos na construção dos personagens
- Final do filme foi definido após influência de conto literário
Elenco principal entrega atuações premiadas em festivais
Regina Casé vive Val, a empregada que equilibra afeto e dever profissional. Camila Márdila interpreta Jéssica, a filha que chega com energia diferente e questionadora. Michel Joelsas aparece como Fabinho, o menino que cresce sob os cuidados de Val.
Karine Teles e Lourenço Mutarelli completam o núcleo familiar dos patrões. As interpretações foram elogiadas pela naturalidade e pela capacidade de transmitir tensões sem diálogos expositivos.
Além dos prêmios em Sundance, o filme acumulou reconhecimentos no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. A produção recebeu troféus em categorias como melhor longa de ficção, direção e roteiro original.
Ficha técnica resume dados básicos da produção
Duração aproximada de 1h52min. Gênero classificado como drama. Lançamento original em julho de 2015. Direção e roteiro assinados por Anna Muylaert. Elenco conta ainda com nomes como Helena Albergaria e Luis Miranda em papéis secundários. Disponível atualmente em plataformas como Globoplay para quem quiser rever depois da exibição na TV aberta.
A exibição na Sessão da Tarde permite que novas gerações acessem o título sem custo adicional. O filme continua a gerar debates sobre maternidade, migração interna e relações de trabalho no Brasil contemporâneo.

