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Conflito reduz arsenais: EUA e Irã veem estoques de mísseis diminuir em guerra

Missel
Míssel - Foto: Anelo/shutterstock.com

A guerra prolongada entre Estados Unidos e Irã causou uma redução expressiva nos arsenais de mísseis avançados de ambos os países, conforme revelam levantamentos especializados e informações de inteligência. A intensidade dos combates nas últimas semanas acelerou o consumo de armamentos considerados cruciais para as operações militares.

Dados do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) e de autoridades norte-americanas indicam que, embora Washington e Teerã ainda possuam capacidade para manter o conflito, eles já enfrentam limitações significativas em suas disponibilidades estratégicas. Essa diminuição acende um alerta sobre a sustentabilidade de uma guerra de longa duração e a capacidade de resposta a novas crises regionais.

Estoques americanos têm queda significativa

Um estudo divulgado pelo CSIS na terça-feira (21) trouxe à luz a situação dos estoques de sete tipos de armas essenciais utilizadas na ofensiva contra o Irã. Entre elas, destacam-se os mísseis Tomahawk, conhecidos pelo longo alcance e alta precisão em seus ataques. O levantamento detalhou que os Estados Unidos podem ter consumido mais da metade de seu estoque pré-guerra em quatro dos sete modelos analisados, um número alarmante para a capacidade de defesa.

Os níveis anteriores ao conflito já eram considerados baixos, especialmente para um eventual confronto com uma potência militar equivalente, como a China. A situação atual aumenta a vulnerabilidade do país em cenários de múltiplos conflitos. Os mísseis de defesa antimíssil e antiaérea, como o THAAD e o Patriot, também registraram uso intenso.

Veja abaixo a estimativa do instituto para as armas essenciais dos EUA:

  • Tomahawk (Míssil de cruzeiro de longo alcance): Cerca de 850 unidades usadas, representando aproximadamente 27% do estoque inicial de 3.100.
  • JASSM (Míssil de cruzeiro de longo alcance): Cerca de 1.000 unidades utilizadas, cerca de 22% do estoque de 4.400.
  • PrSM (Míssil balístico de curto alcance): De 40 a 70 unidades usadas, entre 44,4% e 77,8% do estoque de 90.
  • SM-3 (Míssil de defesa antimíssil): De 130 a 250 unidades empregadas, entre 31,7% e 61% do estoque de 410.
  • SM-6 (Míssil de defesa antiaérea): De 190 a 370 unidades lançadas, entre 16,4% e 31,9% do estoque de 1.160.
  • THAAD (Sistema de defesa antimíssil): De 190 a 290 unidades em uso, entre 52,8% e 80,6% do estoque de 360.
  • Patriot (Sistema de defesa antiaérea e antimíssil): De 1.060 a 1.430 unidades utilizadas, entre 45,5% e 61,4% do estoque de 2.330.

Desafios na reposição de armamentos para os EUA

Apesar de ainda possuírem mísseis suficientes para sustentar a guerra contra o Irã, os Estados Unidos podem ficar em uma posição vulnerável diante da possibilidade de novos conflitos. A dependência de aliados como a Ucrânia do fornecimento de armamento norte-americano também pode ser severamente afetada por essa redução. Autoridades de defesa já expressavam preocupação com os baixos níveis de estoques antes da ofensiva.

O estudo do CSIS destaca que a reposição desses armamentos de ponta é um processo demorado e complexo. Algumas armas levam meses para ficar prontas, e poucas unidades são entregues no curto prazo. Historicamente, o prazo para entrega de munições era de cerca de 24 meses.

Contudo, a alta demanda fez com que esses prazos se estendessem para 36 meses ou mais nos últimos anos. A produção de todo o lote leva ainda mais 12 meses. No total, são aproximadamente 52 meses, o equivalente a mais de quatro anos, para reabastecer os arsenais.

Mesmo com o esgotamento dos armamentos de ponta, o país poderia seguir operando com outros tipos de armas. Essas alternativas, no entanto, possuem menor alcance, aumentando o risco das operações, pois exigiriam lançamentos em posições mais próximas dos alvos. O presidente Donald Trump, em março, admitiu a escassez de armamentos mais avançados. Ele afirmou que o país tem estoques “praticamente ilimitados” de armas de médio e médio-alto alcance.

Capacidade do Irã ainda representa ameaça

Uma reportagem da rede americana CBS News, publicada na quarta-feira (22), indicou que o Irã pode ter uma capacidade militar maior do que os Estados Unidos admitem publicamente. As informações, obtidas com fontes do governo americano, contradizem declarações oficiais sobre o estado das Forças Armadas iranianas.

O presidente Trump declarou que os EUA “aniquilaram” a Marinha e a Força Aérea do Irã. O secretário de Guerra, Pete Hegseth, afirmou no início de abril que os EUA haviam “dizimado” as Forças Armadas iranianas, tornando-as “ineficazes em combate por muitos anos”. Israel também alegou ter atingido mais de 70% dos lançadores iranianos, complementando a narrativa de enfraquecimento.

Entretanto, autoridades ouvidas pela CBS News sugerem que o Irã ainda mantém metade de seu arsenal de mísseis balísticos e sistemas de lançamento intacta. O tamanho exato do estoque não é claro. Há indícios de que parte das armas esteja escondida em cavernas ou bunkers subterrâneos, o que dificulta a avaliação precisa de sua capacidade remanescente.

No dia anterior, terça-feira (21), o Irã realizou um desfile militar em Teerã, exibindo mísseis balísticos nas ruas da capital. Entre os modelos apresentados estava o Khorramshahr-4. Este é um dos mais avançados do arsenal do país, com um alcance estimado em cerca de 2.000 quilômetros. A exibição pode ter sido uma demonstração de força e resiliência militar.

Arsenal iraniano e sinais de enfraquecimento

Ainda que o Irã demonstre capacidade de resistência, suas forças têm apresentado sinais de enfraquecimento notáveis. Dados obtidos pela emissora NBC News revelam que o número de lançamentos de mísseis e drones iranianos caiu drasticamente em comparação com os primeiros dias da guerra. Essa diminuição pode ser um indicativo de limitações nos estoques ou na capacidade operacional.

No final de março, os Estados Unidos sobrevoaram o Irã com bombardeiros B-52. A ação indica possíveis falhas na defesa aérea do país persa. Um relatório feito pelo chefe da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA (DIA), o tenente-general da Marinha James Adams, aponta que o Irã ainda tem capacidade de causar danos e continua representando um risco considerável. O documento foi entregue a um comitê da Câmara dos EUA.

O tenente-general Adams afirmou que o Irã mantém milhares de mísseis e drones de ataque de uso único. Essas armas são capazes de ameaçar forças dos Estados Unidos e de parceiros em toda a região, apesar das perdas sofridas tanto por desgaste quanto pelo uso em combate. Por outro lado, o relatório de Adams também destaca que as forças terrestres e aéreas iranianas possuem equipamentos ultrapassados e treinamento limitado. Isso, somado aos danos causados pelos ataques dos EUA e de Israel, as torna “quase certamente incapazes de derrotar um adversário tecnologicamente superior” em um confronto direto.

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