Estudo de DNA antigo indica declínio populacional e substituição perto de Paris há 5 mil anos

Modelo de DNA

Modelo de DNA - LightHard/shutterstock.com

Uma tumba megalítica localizada a cerca de 50 quilômetros ao norte de Paris guardava restos de 132 indivíduos. A análise de dna antigo identificou dois grupos distintos que ocuparam o local em períodos diferentes. O primeiro grupo, enterrado antes de um forte declínio populacional por volta de 3000 aC, apresentava perfil genético semelhante ao de populações de agricultores da Idade da Pedra no norte da França e na Alemanha. O segundo grupo, que chegou depois, mostrava ligações genéticas claras com o sul da França e a Península Ibérica.

Não havia conexão genética entre os dois. Isso indica uma substituição completa da população local após um período de crise demográfica.

Tumba megalítica usada em dois períodos distintos

O sítio arqueológico próximo a Bury foi utilizado em duas etapas separadas. Entre elas ocorreu uma queda acentuada no número de habitantes da região. Os pesquisadores extraíram dna dos ossos e compararam os perfis genéticos das duas fases de sepultamento. A técnica permitiu capturar material genético preservado e também identificar patógenos antigos presentes nos restos.

Os dados mostraram mortalidade elevada, especialmente entre crianças e jovens, no período inicial. Esse padrão demográfico sugere uma situação de crise. A população anterior vivia em grupos familiares extensos, com enterros que reuniam várias gerações da mesma linhagem.

Quebra genética marca chegada de novos grupos

O segundo grupo de enterrados não descendia do primeiro. Suas marcas genéticas apontam para migração vinda do sul. Essa mudança coincidiu com o fim da construção de grandes monumentos de pedra na Europa. A tumba parisiense reflete um fenômeno mais amplo de declínio neolítico que afetou o norte e o oeste do continente.

Os enterros posteriores passaram a se concentrar em uma única linhagem masculina. Essa alteração indica uma transformação na estrutura social da comunidade que ocupou o local depois da crise.

  • O dna inicial se assemelha ao de agricultores do norte da França e Alemanha
  • O dna posterior tem fortes vínculos com o sul da França e Península Ibérica
  • Não existe continuidade genética entre os dois períodos
  • A mortalidade era alta, principalmente entre crianças e jovens
  • Patógenos detectados incluem a bactéria da peste e o agente da febre recorrente transmitida por piolhos

Evidências de doença e outros fatores de estresse

Os cientistas encontraram traços da bactéria Yersinia pestis, responsável pela peste, e de Borrelia recurrentis, ligada à febre recorrente. A presença desses organismos confirma que doenças circulavam na população. No entanto, os pesquisadores afirmam que a peste não explica sozinha o colapso demográfico.

Outros elementos, como estresse ambiental e eventos disruptivos, provavelmente contribuíram para a redução populacional. A combinação desses fatores gerou a crise que abriu espaço para a chegada de novos grupos. A análise de esqueletos reforçou o quadro de mortalidade elevada no período anterior à substituição.

Mudança na organização social após o declínio

Antes da crise, os sepultamentos reuniam membros de famílias extensas. Depois, o padrão se tornou mais seletivo e centrado em uma linhagem masculina específica. Essa diferença reflete uma reorganização da sociedade local. O fim do uso da tumba megalítica também coincide com o desaparecimento dos construtores de monumentos de pedra em várias partes da Europa.

O estudo, publicado na revista Nature Ecology & Evolution, foi liderado por pesquisadores da Universidade de Copenhagen em parceria com instituições francesas. Os resultados ampliam o entendimento sobre o declínio neolítico que marcou o final do período de construção de megalitos.

Contexto europeu do fenômeno observado

O caso da região parisiense se soma a evidências semelhantes registradas em outros pontos do norte e oeste da Europa. O declínio populacional ocorreu em um momento de transição cultural. A interrupção na construção de grandes tumbas e monumentos marca o fim de uma era.

Pesquisas anteriores já haviam apontado para a presença de peste entre agricultores da Idade da Pedra. O novo trabalho confirma a circulação do patógeno, mas reforça que múltiplos fatores atuaram juntos. A migração de grupos do sul ajudou a repovoar áreas afetadas pela crise.