O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da Nasa alcançou a conclusão da integração final de seus componentes principais. Engenheiros uniram a espaçonave e os conjuntos do telescópio na maior sala limpa do Centro de Voos Espaciais Goddard, em Greenbelt, Maryland. A etapa ocorreu em 25 de novembro de 2025.
A agência espacial agora prepara o observatório para os testes finais antes do envio ao Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O lançamento está previsto para o início de setembro de 2026 a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX. Esse cronograma fica oito meses à frente da data limite de maio de 2027 e dentro do orçamento previsto.
Integração ocorreu em sala limpa do Centro Goddard
Técnicos completaram a união das duas seções principais do observatório na instalação de Greenbelt. A estrutura metálica exibe painéis solares laranja e uma base prateada. Equipes acompanharam o processo com atenção aos detalhes de alinhamento e limpeza.

O telescópio mede mais de 12 metros de altura na configuração atual. Ele passa por verificações finais de sensores e remoção de componentes usados apenas em testes. A maior parte das checagens ambientais já terminou, incluindo exposições a vibrações, sons extremos, calor e frio.
- Painéis solares foram inspecionados após pequenos reparos
- Antenas passarão por simulações de desdobramento no espaço
- Verificações gerais de integração garantem funcionamento após o lançamento
Esses ajustes preparam o equipamento para a viagem até o ponto de Lagrange 2, localizado a cerca de um milhão de quilômetros da Terra.
Espelho de 2,4 metros amplia campo de visão
O espelho primário do Roman tem diâmetro semelhante ao do Hubble, de cerca de 2,4 metros. A diferença aparece no instrumento de campo amplo, que captura imagens de uma área do céu pelo menos 100 vezes maior que a do Hubble na mesma resolução.
O Wide Field Instrument inclui uma câmera de 300 megapixels para luz visível e infravermelho próximo. Ele também conta com um espectrômetro sem fenda para analisar a dispersão da luz em um amplo campo de visão.
Essa configuração permite mapear o céu de forma mais rápida. O que levaria 2.000 anos para o Hubble processar, o Roman consegue realizar em um ano. As imagens geradas serão tão extensas que não cabem em telas convencionais disponíveis atualmente.
O observatório deve produzir cerca de 500 terabytes de dados por ano quando estiver em operação plena. Para comparação, o Hubble coletou aproximadamente 400 terabytes ao longo de 35 anos de atividade.
Coronógrafo permite imagens diretas de exoplanetas
Além do instrumento de campo amplo, o Roman carrega um coronógrafo como demonstração tecnológica. O dispositivo bloqueia o brilho de estrelas distantes para registrar a luz refletida por planetas ao redor delas.
A Nasa informa que o coronógrafo pode detectar planetas até 100 milhões de vezes mais fracos que suas estrelas-mãe. Essa performance representa uma melhoria de 100 a 1.000 vezes em relação a coronógrafos espaciais anteriores.
O equipamento mira em planetas semelhantes a Júpiter em tamanho, temperatura e distância orbital. Imagens diretas ajudam a estudar atmosferas e características desses corpos fora do Sistema Solar.
Missão busca respostas sobre matéria e energia escuras
O telescópio observará milhares de supernovas, algumas mais distantes que qualquer registro anterior. Ele também mapeará bilhões de galáxias e traçará a expansão do universo ao longo do tempo.
Essas observações visam esclarecer a natureza da matéria escura e da energia escura, que juntas representam cerca de 95% do cosmos. A matéria normal conhecida não explica sozinha a coesão das galáxias nem a aceleração da expansão universal.
O campo de visão panorâmico permite capturar eventos transitórios, como rajadas rápidas de rádio ou colisões de estrelas de nêutrons, no momento em que ocorrem. Cientistas esperam registrar fenômenos que passariam despercebidos em levantamentos mais estreitos.
Próximos passos incluem transporte e testes finais
A Nasa planeja enviar o observatório ao Centro Kennedy em meados de junho. Lá ocorrerão as preparações finais para o lançamento no foguete Falcon Heavy.
O veículo da SpaceX já acumula 11 missões com taxa de sucesso de 100%. Após a separação do foguete, o telescópio seguirá para o ponto L2, onde se juntará a outros observatórios como o James Webb.
Equipes continuam as verificações de integração como unidade completa. O foco está em garantir resistência ao ambiente do espaço, desde o lançamento até a operação em órbita estável.
O Roman se soma a instrumentos como o Hubble, o James Webb, o SPHEREx e o Euclid. Cada um contribui com especialidades distintas na exploração do universo.