Economia

Prejuízo dos Correios chega a R$ 8,5 bilhões em 2025 e mantém sequência de rombos

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Foto: correios - Juliana F Rodrigues/Shutterstock.com

Os Correios finalizaram o ano de 2025 com um prejuízo bilionário em suas contas. O rombo atingiu a cifra de R$ 8,5 bilhões, conforme dados detalhados. Este valor representa um aumento substancial em relação ao ano anterior. Em 2024, as perdas registradas pela estatal somaram R$ 2,6 bilhões, evidenciando uma deterioração contínua.

A situação crítica da empresa marca o 14º trimestre consecutivo de resultados negativos. Esse ciclo de rombos financeiros teve início no quarto período de 2022. Os números foram apresentados nesta quinta-feira pelo presidente da estatal, Emmanoel Rondon. A companhia enfrenta grandes desafios na tentativa de reverter o cenário.

Prejuízo bilionário é resultado de dívidas e queda de receita

A estatal apontou o pagamento de precatórios como o principal gasto que explica o resultado financeiro. Tais despesas são decorrentes de decisões judiciais. A receita bruta dos Correios no ano passado alcançou R$ 17,3 bilhões. Contudo, esse montante foi 11,35% menor do que o registrado em 2024.

A queda de receita foi impulsionada por uma redução drástica nas encomendas internacionais. A estatal informou que houve um declínio de 65,6% nesse segmento. O motivo principal são as mudanças nas regras de tributação sobre importações de baixo valor, popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”. As receitas totais com encomendas apresentaram uma queda de 0,5% no período.

Plano de reestruturação inclui empréstimo e PDV

Para tentar driblar a crise financeira, os Correios estão implementando um processo de reestruturação. No fim de 2025, a empresa conseguiu fechar um contrato de empréstimo no valor de R$ 12 bilhões. O acordo foi garantido pelo Tesouro Nacional. Quase a totalidade desse valor foi paga em 30 de dezembro, proporcionando um fôlego financeiro.

Uma das principais apostas na estratégia de recuperação econômica era o plano de demissão voluntária (PDV). No entanto, o programa encerrou com a adesão de cerca de 3 mil funcionários, de acordo com o balanço parcial da estatal. O número alcançado representa apenas 30% da meta inicial de desligar 10 mil trabalhadores. A expectativa era economizar R$ 1,4 bilhão em despesas com pessoal a partir do ano seguinte.

Mesmo com a adesão abaixo do esperado, o presidente Emmanoel Rondon considerou o PDV um sucesso. “O PDV foi um sucesso, gerou um desligamento robusto, gera uma economia substancial para companhia”, afirmou o executivo. “O PDV de 2026 atingiu 40% da economia projetada”, complementou, referindo-se aos impactos futuros.

    As principais medidas de reestruturação dos Correios em andamento são:

  • Contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional.
  • Plano de Demissão Voluntária (PDV), com adesão de 3 mil funcionários.
  • Venda de imóveis ociosos com expectativa de R$ 1,5 bilhão em arrecadação.
  • Mudanças no plano de saúde dos empregados, buscando maior eficiência.
  • Negociação de dívidas, atingindo 98% de regularização até o momento.

Venda de imóveis e reajuste no plano de saúde para cortar custos

Outra medida já em curso é a venda de imóveis ociosos. A expectativa é levantar R$ 1,5 bilhão ao final do processo. Os primeiros leilões tiveram início em fevereiro, em uma fase de testes. Os resultados ficaram dentro do esperado para essa etapa inicial.

A arrecadação foi de R$ 9 milhões, representando cerca de 20% do valor ofertado para as propriedades participantes, que eram de menor porte. A iniciativa faz parte de um plano maior para otimizar os ativos da empresa.

Os Correios também estão promovendo mudanças significativas no plano de saúde dos funcionários, que é mantido pela estatal. Somente em janeiro, essa revisão gerou uma economia de R$ 70 milhões. A meta para o ano é atingir uma economia total de R$ 700 milhões. Esses ajustes são cruciais para a contenção de despesas.

Regularização de serviços e novo modelo de distribuição

No âmbito da recuperação de receitas, a principal linha de atuação é a regularização das operações. O objetivo é aumentar a qualidade dos serviços prestados. O primeiro passo foi a negociação de dívidas, que já alcançou 98% de regularização.

Um novo modelo de rotas de distribuição também está sendo implementado gradualmente pelo país. Embora o índice de entrega no prazo ainda esteja aquém da meta nacional de 96%, ele foi de 80,55% em fevereiro. Quatorze estados já bateram ou estão muito próximos do alvo estabelecido. São Paulo, Minas Gerais, Alagoas, Tocantins e Roraima se destacam positivamente.

Na ponta oposta, os piores índices foram observados na Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Mesmo assim, a conclusão interna da empresa é de que a recuperação das receitas está em linha com o plano de reestruturação.

Novo empréstimo de liquidez em debate no Conselho

A empresa ainda está discutindo com o Conselho de Administração o valor de um novo empréstimo a ser solicitado ao mercado. Há uma avaliação interna de que será necessário um montante inferior a R$ 8 bilhões para prover liquidez para a operação até o fim do ano que vem.

Esse valor máximo é o autorizado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para empréstimos com aval da União para estatais neste ano. No fim do ano passado, a empresa conseguiu fechar um contrato de R$ 12 bilhões. Esse empréstimo anterior foi obtido junto a um grupo de cinco instituições financeiras.

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