Dólar avança para R$ 5,02 com foco em negociações entre EUA e Irã
O dólar opera em alta nesta sexta-feira (24) em São Paulo. A moeda americana avançava 0,39% por volta das 10h30 e era cotada a R$ 5,0223. Na véspera, o dólar fechou em alta de 0,58%, a R$ 5,0028.
O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, recuava 0,23%, aos 190.943 pontos. No dia anterior, o índice encerrou em queda de 0,78%, aos 191.378 pontos. A tensão no Oriente Médio segue como principal fator de pressão sobre os investidores.
Viagem diplomática do Irã ao Paquistão gera expectativa
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, deve chegar a Islamabad na noite desta sexta-feira. Ele viaja acompanhado de uma pequena equipe. Fontes paquistanesas indicam que a visita pode abrir espaço para negociações de paz com os Estados Unidos.
Essa movimentação ocorre após uma semana de impasse entre Washington e Teerã. O governo iraniano busca diálogo em meio ao conflito que afeta o fornecimento global de energia.
O Estreito de Ormuz continua sob bloqueio naval americano. A rota é responsável por boa parte do transporte de petróleo mundial. Qualquer sinal de avanço nas conversas influencia diretamente os preços de commodities e moedas emergentes como o real.
- A visita de Araqchi acontece após pedido de mediação do Paquistão
- Expectativa é por uma segunda rodada de negociações diretas
- Bloqueio aos portos iranianos segue ativo por determinação dos EUA
- Iranianos interceptaram embarcações na região em resposta anterior
Trump estende cessar-fogo e mantém postura firme
O presidente Donald Trump deu sinais mistos sobre o conflito. Ele afirmou não estar ansioso para encerrar a guerra contra o Irã. Ao mesmo tempo, prorrogou por tempo indeterminado um cessar-fogo para permitir novas tentativas de negociação.

A Casa Branca comunicou ainda a prorrogação por 90 dias da isenção da Lei Jones. A medida autoriza o transporte de petróleo e gás natural por navios não americanos. O objetivo é evitar problemas no suprimento de energia aos Estados Unidos durante o período de tensão.
Dados da assessoria da Casa Branca apontam que a flexibilização anterior acelerou a chegada de suprimentos aos portos americanos. A decisão busca equilibrar a pressão militar com a necessidade de estabilidade no mercado global de energia.
O bloqueio naval aos portos iranianos continua. Trump ordenou que a Marinha americana atire contra embarcações que instalem minas na hidrovia. Essa orientação foi dada dois dias após o anúncio da extensão do cessar-fogo.
Governo brasileiro propõe usar receita extra do petróleo em corte de impostos
O governo federal enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar. A proposta permite transformar ganhos extraordinários de arrecadação com a alta do petróleo em reduções de tributos sobre combustíveis. O texto foi protocolado na Câmara dos Deputados na quinta-feira (23).
A ideia é aliviar o impacto sobre a população enquanto durar a guerra no Oriente Médio. Quando o preço do petróleo subir e gerar receita adicional, parte desse montante pode ser direcionada para diminuir impostos que incidem sobre diesel, gasolina, etanol e biodiesel.
Entre os tributos que poderiam ser atingidos estão o PIS/Cofins e a Cide aplicada à gasolina. O mecanismo funcionaria de forma temporária, atrelada ao período de conflito.
- Receita extra viria de royalties, participação especial e outros tributos do setor
- Redução compensaria alta nos preços dos combustíveis no mercado interno
- Proposta visa mitigar efeitos da volatilidade internacional sobre o consumidor brasileiro
- Validade prevista para o tempo em que persistir a guerra no Oriente Médio
A medida depende de aprovação pelo Congresso. O projeto foi enviado em regime que permite tramitação mais rápida em casos de relevância econômica.
Desempenho acumulado reflete volatilidade da semana
O dólar acumula alta de 0,39% na semana. No mês, a moeda registra queda de 3,40%. No ano, o recuo chega a 8,85%.
O Ibovespa cai 2,23% na semana. O índice ainda acumula ganho de 2,08% no mês e de 18,78% no ano. Esses números mostram a alternância de humor dos investidores conforme evoluem os desdobramentos diplomáticos e militares na região do Golfo Pérsico.
Mercados internacionais mostram movimentos mistos
Futuros de Wall Street operavam sem direção única por volta das 8h45, horário de Brasília. O Dow Jones recuava 0,28%. O S&P 500 subia 0,09% e o Nasdaq avançava 0,89%.
Na Europa, o índice STOXX 600 caía 0,5%, aos 611,10 pontos. O DAX, da Alemanha, registrava leve alta de 0,1%. Já o CAC 40, de Paris, perdia 0,5% e o FTSE 100, de Londres, recuava 0,3%.
Na Ásia, os mercados fecharam sem uniformidade. O SSE, de Shanghai, caiu 0,33%, para 4.079 pontos. O CSI 300 recuou 0,35%, a 4.769 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,24%, para 25.978 pontos. O Nikkei 225, de Tóquio, avançou 0,97%, para 59.716 pontos.
Esses dados reforçam a cautela predominante. Investidores monitoram de perto qualquer avanço ou retrocesso nas conversas entre americanos e iranianos.
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