Ciência

Estudo da Universidade de Viena aponta terra como principal fonte de microplásticos no ar

Mulheres cientistas
Mulheres cientistas - Zamrznuti tonovi/shutterstock.com

Um estudo da Universidade de Viena trouxe novos dados sobre a presença de microplásticos na atmosfera. Pesquisadores compararam milhares de medições globais com simulações de modelos computacionais. O trabalho mostrou que as emissões de partículas a partir de fontes terrestres superam em mais de 20 vezes as emissões oceânicas. A descoberta desafia estimativas anteriores que davam maior peso ao mar. O artigo foi publicado na revista Nature.

Os cientistas reuniram 2.782 medições individuais de microplásticos atmosféricos feitas em diferentes regiões do planeta. Em seguida cruzaram esses números com resultados de modelos de transporte que incorporavam três conjuntos diferentes de estimativas de emissão. Os modelos previam concentrações e depósitos muito superiores aos observados na realidade. Em alguns casos a diferença chegava a várias ordens de magnitude.

Comparação entre medições e modelos expõe discrepâncias

As concentrações medianas medidas foram de 0,08 partículas por metro cúbico sobre a terra e 0,003 sobre o mar. Essa diferença de 27 vezes já indicava que as emissões terrestres precisavam de ajuste. Os pesquisadores recalibraram os modelos separadamente para fontes terrestres e oceânicas. O processo reduziu as estimativas gerais de emissão. Mesmo assim a terra continuou como a fonte dominante em número de partículas.

As emissões terrestres ajustadas chegaram a cerca de 6,1 x 10^17 partículas por ano. As oceânicas ficaram em torno de 2,6 x 10^16 partículas anuais. O cálculo considera partículas na faixa de 5 a 100 micrômetros. A massa emitida porém apresenta padrão inverso. Partículas oceânicas tendem a ser maiores em média e por isso contribuem mais em termos de peso total.

  • Fontes terrestres incluem abrasão de pneus e fibras de roupas
  • Resuspensão de solos e superfícies já contaminados
  • Atividades urbanas e industriais diárias
  • Processos naturais em áreas áridas ou costeiras

Terra domina número de partículas mas massa vem mais do oceano

Andreas Stohl autor principal do estudo explicou que as estimativas ajustadas mostram mais de 20 vezes mais partículas emitidas em terra do que no oceano. Ioanna Evangelou primeira autora complementou que a massa emitida é maior sobre o oceano por causa do tamanho médio das partículas. Os dados reforçam que o transporte atmosférico leva microplásticos a regiões remotas incluindo polos e montanhas altas. Uma vez suspensas as partículas podem voltar ao solo ou aos oceanos e agravar a contaminação em novos locais.

O estudo destacou que fontes diretas como desgaste de pneus e tecidos sintéticos somam-se à liberação secundária de ambientes já poluídos. Modelos antigos frequentemente apontavam o oceano como principal emissor. As novas contas invertem essa visão para o número de partículas embora a questão da massa exija mais investigação.

Incertezas persistem sobre tamanho de partículas e fontes específicas

Os autores chamaram atenção para limitações nos dados atuais. A distribuição do tamanho das partículas ainda apresenta grande incerteza. Medições em alto mar e em diferentes altitudes também são escassas. “A situação dos dados ainda não é satisfatória e persistem grandes incertezas”, resumiu Stohl. Ele citou a necessidade de distinguir quanto vem do tráfego e quanto de outras atividades humanas.

Os pesquisadores usaram um método simples de escalonamento para alinhar simulações com observações reais. O ajuste baixou drasticamente as emissões totais em relação a projeções anteriores. Resultados indicam que o ar pode conter menos microplásticos do que alguns estudos sugeriam. Ainda assim a dispersão global continua preocupante por causa da capacidade de transporte da atmosfera.

Implicações para monitoramento e políticas ambientais

A pesquisa abre caminho para refinamentos futuros nos modelos de transporte de poluentes. Entender melhor as emissões ajuda a prever onde as partículas vão se depositar e quais ecossistemas são mais afetados. Cientistas defendem a expansão de redes de monitoramento com métodos padronizados. Isso inclui medições mais frequentes em oceanos abertos e em zonas urbanas variadas.

O trabalho envolveu o Departamento de Meteorologia e Geofísica da Universidade de Viena. Colaboração incluiu análises de transporte atmosférico e comparação de múltiplas bases de dados. A publicação na Nature ocorreu no início de 2026 e já é citada em discussões sobre poluição plástica global.

  • Concentração média sobre terra: 0,08 partículas/m³
  • Concentração média sobre mar: 0,003 partículas/m³
  • Emissões terrestres estimadas: 6,1 × 10¹⁷ partículas/ano
  • Emissões oceânicas estimadas: 2,6 × 10¹⁶ partículas/ano
  • Fator entre terra e oceano em número de partículas: mais de 20 vezes

O estudo reforça a importância de ações para reduzir a geração de microplásticos na superfície terrestre. Medidas como substituição de materiais em pneus e roupas podem influenciar diretamente as emissões futuras. Ao mesmo tempo a comunidade científica pede mais investimentos em pesquisa para fechar as lacunas que ainda existem nos dados.

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