O Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) determinou o afastamento imediato do empresário americano John Textor do controle da SAF Botafogo. A decisão, proferida nesta quinta-feira (23), marca um novo e crítico capítulo na disputa jurídica entre o dono da Eagle Football e o fundo de investimentos Ares. Textor reagiu prontamente às acusações, alegando que o tribunal foi induzido ao erro por informações incompletas apresentadas pela parte adversária.
O imbróglio jurídico escalou após o fundo Ares, que financiou a compra do Lyon pelo empresário, alegar que Textor utilizou garantias de forma irregular. Em sua defesa, o americano sustenta que documentos cruciais foram omitidos durante o processo arbitral, o que teria distorcido a realidade dos fatos apresentada aos juízes. Enquanto a batalha judicial prossegue, a diretoria da Sociedade Anônima do Futebol passa por uma reestruturação emergencial para manter as operações do clube alvinegro.
Entenda os motivos do afastamento determinado pela FGV
A decisão dos três árbitros que compõem o painel da FGV fundamenta-se na preocupação com possíveis danos irreparáveis ao patrimônio do clube e aos seus acionistas. O tribunal citou medidas recentes tomadas por John Textor que poderiam comprometer a integridade financeira e administrativa da SAF. Entre os pontos de maior atrito está um contrato assinado em janeiro deste ano, que alterava a estrutura societária da holding.
Os principais pontos que levaram à decisão arbitral incluem:
- A transferência de participação societária da Eagle Bidco para uma empresa sediada nas Ilhas Cayman.
- Alegações de descumprimento de formalidades legais na assinatura de contratos de compra e venda.
- O uso de ações da SAF Botafogo como garantia em empréstimos internacionais não quitados.
- Riscos apontados pelo tribunal quanto à gestão de ativos que pertencem à holding Eagle Football.
- A falta de anuência do fundo Ares em movimentações que envolviam ações sob contrato de penhor.
Textor alega fraude processual e omissão de e-mails
Em manifestação oficial enviada ao portal ge, John Textor declarou que recebeu a notícia com serenidade, mas disparou contra a estratégia jurídica do fundo Ares. O empresário afirma que os advogados do grupo credor apresentaram apenas anexos de e-mails, escondendo o conteúdo explicativo que daria contexto às transações realizadas. Para ele, essa prática configura uma tentativa desesperada de bloquear as soluções financeiras que estão sendo negociadas para o Botafogo.
O empresário detalhou que o contrato assinado não era definitivo e dependia justamente da aprovação da Ares para ter validade jurídica plena. Textor argumenta que a transferência das ações para a Eagle Cayman visava proteger o clube e atrair novos investimentos, e não afastar o fundo credor de seus direitos. De acordo com o americano, a decisão será revista assim que os fatos completos forem apresentados ao Tribunal Arbitral, restabelecendo sua autoridade na gestão do futebol.
Mudanças na gestão imediata da SAF Botafogo
Com a saída temporária de Textor, o Botafogo agiu rapidamente para preencher o vácuo de liderança e evitar paralisia administrativa. A SAF publicou uma nota oficial criticando duramente a decisão do Tribunal Arbitral da FGV e anunciando a nova estrutura de comando. Durcesio Mello, que anteriormente ocupou o cargo de presidente do clube social, assumirá a função de diretor geral da empresa durante o período de ausência do acionista majoritário.
A transição busca manter o fluxo de pagamentos e a operação do departamento de futebol sem interrupções. A nota da SAF reforça que o clube discorda dos argumentos utilizados para o afastamento e apoia integralmente a versão apresentada por John Textor. A confiança interna é de que a medida preparatória seja derrubada em breve, permitindo que o planejamento esportivo para a temporada de 2026 siga o cronograma estabelecido originalmente pela Eagle Football.
Conflito de interesses entre Eagle Football e Ares
A guerra entre John Textor e o fundo Ares tem raízes em empréstimos realizados para a aquisição de outros ativos da rede multiclubes do americano, como o Lyon, na França. A Ares detém ações da holding Eagle como garantia dessas dívidas e passou a intervir diretamente na gestão após atrasos nos pagamentos. O mercado financeiro acompanha o caso com cautela, uma vez que o fluxo de caixa do Botafogo pode ser impactado pela disputa entre o dono e seu principal credor.
Textor insiste que a reestruturação proposta por ele resolve passivos significativos e libera a Eagle Bidco de responsabilidades jurídicas. Ele afirma que a nova configuração societária nas Ilhas Cayman permitiria um compromisso de financiamento robusto para salvar as finanças do clube. O fundo credor, por outro lado, vê as manobras como uma tentativa de esvaziamento de garantias. O desfecho dependerá da análise de novas provas pelo tribunal e da capacidade de Textor em provar que as assinaturas “em todas as pontas” do contrato seguiram as normas aplicáveis.

