Imagem da NASA destaca cometa PanSTARRS escondido em rede de trilhas de satélites

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Nasa - DiegoMariottini/ Shutterstock.com

Uma imagem captada na Bavária, na Alemanha, mostra uma rede de linhas claras cruzando o céu noturno. No centro da composição, quase imperceptível à primeira vista, está o cometa C/2025 R3 (PanSTARRS). A foto integra o Astronomy Picture of the Day da Nasa desta segunda-feira.

A exposição durou mais de dez minutos. Os satélites em órbita baixa deixaram rastros contínuos por causa do movimento durante o tempo de captura. O cometa, por sua vez, registrou-se como um ponto difuso, pois se desloca de forma muito mais lenta contra o fundo estelar. A foto foi feita pouco antes do nascer do sol, há duas semanas.

cometa – Misread/Shutterstock.com

Foto revela cometa próximo ao Sol em meio a poluição luminosa orbital

O cometa C/2025 R3 (PanSTARRS) completou sua passagem mais próxima do Sol em 19 de abril. Na ocasião, a distância foi de cerca de 0,5 unidade astronômica, equivalente a 75 milhões de quilômetros. Dois dias depois, no dia 26, o objeto passou a 0,49 UA da Terra, ou cerca de 73 milhões de quilômetros.

A proximidade com o Sol agora dificulta a observação. O cometa está angularmente próximo da estrela e só deve reaparecer com mais clareza nos céus do hemisfério sul nas próximas semanas. Depois disso, ele segue para o espaço interestelar e vai enfraquecer progressivamente.

  • O cometa foi descoberto em setembro de 2025 pelo levantamento PanSTARRS, no Havaí.
  • Ele pertence à nuvem de Oort e tem órbita hiperbólica, o que significa que não deve retornar ao sistema solar interno.
  • No início de abril, o objeto atingiu magnitude aparente em torno de 4,5, limiar para visibilidade a olho nu em céus escuros.
  • A cauda iônica chegou a medir pelo menos sete graus em algumas observações.

Satélites em baixa órbita criam desafio para astrofotógrafos

O aumento do número de constelações de satélites, como as da Starlink, tem gerado mais rastros em exposições longas. Astrônomos e fotógrafos registram o fenômeno com frequência crescente. Na imagem destacada, os traços formam uma teia densa sobre a paisagem da Bavária.

O autor da foto, Uli Fehr, usou lente teleobjetiva e acompanhou o movimento do céu. O resultado combina o movimento rápido dos satélites com a trajetória mais lenta do cometa. Para o observador casual, os satélites aparecem como pontos que se deslocam devagar pouco depois do pôr do sol ou antes do amanhecer. Eles brilham por refletir a luz solar.

Cometa ganhou brilho rápido nas últimas semanas

O objeto começou a brilhar de forma mais intensa em março e abril. Relatos indicam que ele foi visível com binóculos de 10×50 desde o final de março. Em meados de abril, algumas observações registraram magnitude 5,1 a olho nu em condições favoráveis.

A passagem pelo periélio em 19 de abril aumentou o brilho da cauda de poeira por espalhamento frontal da luz. Depois da conjunção solar em 25 de abril, o cometa migrou para o céu matutino do hemisfério sul. Lá, deve oferecer as melhores condições de visibilidade antes de seguir para o espaço profundo.

Imagem integra série diária da Nasa sobre o universo

O Astronomy Picture of the Day publica uma imagem diferente a cada dia desde 1995. A foto de 27 de abril de 2026 destaca o contraste entre tecnologia humana em órbita e um visitante antigo do sistema solar. O cometa viajou por cerca de 170 mil anos desde a nuvem de Oort até chegar perto da Terra.

Especialistas acompanham o comportamento de cometas como este para entender composição química e evolução de objetos do sistema solar externo. O C/2025 R3 (PanSTARRS) não deve voltar em tempo útil para observação humana futura.

Observação exige céu escuro e paciência

Quem quiser tentar ver o cometa deve buscar locais com horizonte leste livre e céu escuro. Binóculos ou telescópio pequeno ajudam a identificar o objeto difuso. Nos próximos dias, o hemisfério sul concentra as melhores oportunidades. No Brasil, observadores em latitudes mais ao sul terão vantagem maior.

A foto serve como registro do momento atual de tráfego orbital e de um cometa em transição. Ela lembra que o céu noturno, cada vez mais ocupado por artefatos humanos, ainda guarda surpresas vindas de longe.