O Fantástico estreou neste domingo, 26 de abril, a série especial Entre Dois Mundos. O primeiro episódio compara os modelos de infraestrutura de China e Estados Unidos. A reportagem parte de Xangai e Nova York para mostrar como trens, metrôs e aeroportos simbolizam uma rivalidade maior sobre influência global.
Em Xangai, o trem Maglev sai do aeroporto internacional de Pudong e chega à estação Longyang Road em apenas oito minutos. O percurso cobre 30 quilômetros. O veículo usa levitação magnética e flutua sobre os trilhos. A velocidade operacional fica em torno de 300 km/h. No passado, o sistema já atingiu 431 km/h em testes.
A viagem rápida contrasta com o dia a dia em Nova York. Quem sai do aeroporto JFK rumo a Manhattan enfrenta conexões e tempo maior. O trajeto costuma levar mais de uma hora quando se usa metrô e AirTrain. O sistema de transporte público americano revela marcas do tempo em várias partes.
Trem Maglev representa avanço tecnológico e planejamento estatal chinês
O Maglev liga o aeroporto Pudong diretamente a uma estação integrada ao metrô de Xangai. Passageiros descem e continuam o caminho com facilidade. A tecnologia alemã adaptada pela China virou cartão-postal da modernização do país.
A China construiu o Maglev em 2002. Desde então, o sistema simboliza a transformação rápida. O país saiu de níveis altos de pobreza para posição de potência em poucas décadas. O planejamento centralizado permite que projetos avancem em ritmo acelerado.
Urbanistas observam que a replicação de modelos padronizados reduz custos. Aeroportos e linhas de transporte seguem lógica industrial, como peças montadas em escala. Um grande aeroporto pode ficar pronto em cerca de dois anos. O investimento fica na casa de 7 bilhões de dólares em casos típicos.
- Maglev cobre 30 km em oito minutos sem tocar os trilhos
- Velocidade de cruzeiro atual em torno de 300 km/h
- Integração direta com linhas de metrô em Longyang Road
- Projeto reflete expansão nacional de alta velocidade
Essa abordagem contrasta com processos mais fragmentados em outros lugares. Projetos na China atravessam gerações de liderança sem rupturas constantes. O partido no poder há décadas mantém continuidade em iniciativas de longo prazo.
Demolição da antiga Penn Station ainda marca memória de Nova York
A estação original de Penn Station era uma obra monumental. Projetada com inspiração romana, tinha grandes salões e entrada de luz natural. A demolição nos anos 1960 gerou críticas na época. O terminal subterrâneo que substituiu o antigo sofreu com superlotação e ambiente fechado.
Anos depois, veio a resposta parcial com a Moynihan Train Hall. A obra ocupou o antigo prédio dos correios, do outro lado da rua. O salão devolveu claridade, espaço amplo e teto de vidro alto. Passageiros ganham área de espera confortável para serviços da Amtrak e Long Island Rail Road.
O projeto custou 1,6 bilhão de dólares. A fase principal terminou em janeiro de 2021. A ideia inicial veio do senador Daniel Patrick Moynihan décadas antes. O caminho até a entrega envolveu planejamento longo, negociações e fases separadas.
- Moynihan Train Hall abriu em 1º de janeiro de 2021
- Custo total da transformação chegou a 1,6 bilhão de dólares
- Teto de vidro de 28 metros de altura ilumina o salão central
- Conecta diretamente com plataformas da antiga Penn Station
A reforma melhorou a experiência para quem usa trem. Mesmo assim, o metrô de Nova York continua a operar 24 horas por dia. Essa característica traz desafios para manutenções profundas. Equipes trabalham enquanto o sistema roda sem parar.
Metrô de Xangai cresce em ritmo acelerado e já supera extensão de Nova York
O metrô de Xangai começou a operar em 1993. Hoje a rede tem mais de 800 quilômetros de trilhos. O número de estações passa de 400. A expansão continua em várias linhas ao mesmo tempo.
Nova York tem o metrô mais antigo dos Estados Unidos. Inaugurado em 1904, o sistema soma cerca de 399 quilômetros. O número de estações fica próximo de 424. A malha atende milhões de passageiros todos os dias.
A diferença aparece no ritmo de crescimento. Xangai adicionou dezenas de quilômetros nos últimos anos. O planejamento estatal centralizado facilita decisões que duram décadas. Mudanças de governo não param obras já iniciadas.
Em Nova York, o metrô funciona sem interrupção. Isso limita janelas para reformas grandes. Projetos exigem coordenação complexa entre agências. O resultado aparece em estações que acumulam sinais de desgaste ao longo do tempo.
A reportagem do Fantástico mostra moradores que sentem esses contrastes no dia a dia. Em Xangai, novas linhas chegam a bairros distantes. Em Nova York, o foco muitas vezes fica em manter o serviço que já existe.
Aeroportos revelam lógicas diferentes de construção e reforma
Aeroportos chineses seguem modelo padronizado. Terminais grandes são replicados com ajustes mínimos. O processo acelera cronogramas e baixa custos. Um projeto completo pode sair do papel em dois anos.
O aeroporto JFK de Nova York teve construção iniciada em 1943. Reformas importantes vieram nos anos 1990. A fase atual de melhorias tem previsão de entrega para 2030. Orçamentos para atualizações em terminais chegam a valores elevados, como 20 bilhões de dólares em alguns cenários.
Especialistas citam burocracia, financiamento fragmentado e processos judiciais como fatores que alongam prazos nos Estados Unidos. Cada obra ganha características próprias. Isso aumenta complexidade e custo final.
Na China, a escala industrial permite produção em série de componentes. Mão de obra organizada e menor incidência de paralisações contribuem para velocidade. Chenghe Guan, diretor de laboratório de ciência urbana em Xangai, comentou o tema na reportagem.
O contraste aparece também no custo por passageiro atendido. Sistemas padronizados na China distribuem investimento de forma mais eficiente em rede nacional.
Transformação urbana em Xangai muda paisagem e rotina de famílias
Bairros antigos de Xangai, com casas baixas e canais, deram lugar a arranha-céus em poucas décadas. A terra pertence ao Estado. Moradores recebem licenças de uso e podem ser realocados quando o plano urbano exige.
Uma família acompanhada pela série deixou um bairro tradicional. O novo apartamento trouxe mais espaço e conforto moderno. A distância maior do centro, porém, rompeu laços diários de vizinhança. O dia a dia mudou.
A reportagem registra que a velocidade da mudança traz benefícios e custos. Obras avançam rápido. Ao mesmo tempo, surgem desafios como controle de qualidade em alguns projetos. Em fevereiro de 2026, um buraco se abriu em obra de metrô na cidade. O local ficou isolado.
Especialistas apontam que planejamento de longo prazo ajuda na expansão. Mas a rapidez excessiva pode reduzir espaço para ajustes ou transparência em etapas intermediárias.
Uso de dados no planejamento urbano mostra outro ponto de diferença
Tanto China quanto Estados Unidos coletam informações de celulares e sensores para gerir tráfego e serviços públicos. Os dados ajudam a prever fluxo em horários de pico e otimizar rotas de transporte.
A diferença aparece no acesso. Nos Estados Unidos, mais informações ficam disponíveis para pesquisadores independentes e universidades. Na China, o governo centraliza o controle dos dados gerados.
Urbanistas ouvidos na série destacam que ambos os modelos têm vantagens. O americano favorece inovação aberta. O chinês permite decisões rápidas baseadas em volume grande de informações.
A série Entre Dois Mundos vai continuar nos próximos domingos. Novos episódios devem explorar outros campos da rivalidade entre os dois países, como tecnologia, economia e influência global.
O primeiro capítulo já entrega imagens fortes dos dois cartões-postais. Xangai aparece como símbolo de construção acelerada. Nova York carrega o peso da história e dos desafios de renovar sistemas centenários.
Detalhes técnicos e operacionais dos sistemas comparados
O Maglev de Xangai opera com intervalos que variam de 15 a 40 minutos dependendo do horário. O primeiro trem sai por volta das 7h. O último circula até o fim da noite. Passageiros compram bilhete simples ou usam cartões integrados ao metrô.
Em Nova York, o AirTrain dentro do aeroporto JFK circula gratuitamente entre terminais. Para sair rumo à cidade, o passageiro paga adicional. A combinação com metrô ou trem da Long Island Rail Road define o tempo total da viagem.
- Maglev: 30 km, 8 minutos, velocidade máxima histórica 431 km/h
- Moynihan Train Hall: 1,6 bilhão de dólares, aberto em 2021
- Shanghai Metro: mais de 800 km de extensão atual
- NYC Subway: cerca de 399 km, operação 24 horas
Esses números ajudam a visualizar a escala. A China expande rede nova. Os Estados Unidos mantêm e atualizam infraestrutura histórica.
A reportagem evita julgamentos simples. Mostra fatos dos dois lados. Velocidade chinesa traz eficiência, mas cobra preço em alguns aspectos. O ritmo americano preserva debate público, porém alonga entregas.
O Fantástico usou imagens aéreas, depoimentos de moradores e análises de especialistas. A produção viajou para registrar os contrastes no local. O episódio dura cerca de 20 minutos e abre espaço para discussão sobre modelos de desenvolvimento.
Quem assistiu viu o Maglev deslizar sem ruído. Depois, viu passageiros na Penn Station aguardando em espaço renovado, mas ainda conectado a um sistema antigo. A série propõe olhar para esses detalhes como pistas do que pode vir no futuro global.

