Cometa interestelar 3I/ATLAS revela composição rica em dióxido de carbono enquanto NASA mantém sigilo

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3IATLAS - Foto: Jack_the_sparow/Shutterstock.com

O cometa interestelar 3I/ATLAS foi detectado em 1º de julho de 2025 pelo telescópio ATLAS, localizado no Chile. O objeto celeste apresenta uma composição química inusitada, com níveis elevados de dióxido de carbono que superam a água numa proporção de oito para um. Desde outubro, a NASA impôs restrições à publicação de dados detalhados sobre o corpo celeste, citando limitações orçamentárias decorrentes de paralisações governamentais nos Estados Unidos.

Astrônomos de diversos países coletam informações através de observatórios independentes espalhados pelo globo. A trajetória hiperbólica do cometa confirma sua origem fora do sistema solar. O objeto atingiu sua máxima aproximação do Sol em maio de 2025, a uma distância de 6,4 unidades astronômicas.

Nasa – Photo : SNEHIT PHOTO / Shutterstock.com

Características orbitais e eventos marcantes

  • A aproximação mais próxima de Marte ocorreu em 3 de outubro de 2025.
  • Sondas orbitais capturaram imagens do cometa, mas a análise completa ainda aguarda processamento.
  • O periélio, ponto de máxima proximidade com o Sol, está previsto para 30 de outubro.

A velocidade do cometa varia entre 210 e 221 mil quilômetros por hora, com acelerações registradas conforme se aproxima do Sol. A massa estimada é entre mil e dez mil vezes superior à de cometas típicos do sistema solar. Até o momento, não há sinais de fragmentação do corpo celeste.

Composição química e estrutura interna

Análises espectroscópicas revelam predominância de monóxido de carbono na composição do cometa. Compostos voláteis indicam exposição à radiação cósmica ao longo de bilhões de anos. A ausência de metais pesados sugere conexão com estrelas antigas, estimando-se que o objeto tenha entre 7,6 e 14 bilhões de anos de idade.

O núcleo varia em diâmetro entre 300 metros e 5,6 quilômetros. A superfície ativa representa mais de 8% da área total do cometa. Padrões simétricos de traços de gás aparecem nas imagens capturadas, enquanto vibrações no núcleo indicam uma estrutura interna complexa. Grãos metálicos foram detectados na superfície do objeto.

Monitoramento por agências espaciais

A colaboração com a Agência Espacial Europeia preenche lacunas nas informações disponíveis. As sondas Mars Express e ExoMars Trace Gas Orbiter registraram imagens infravermelhas do cometa. Observatórios no Chile e na Europa monitoram o objeto desde maio de 2025.

O Telescópio Espacial James Webb confirmou emissões ultravioletas em agosto. O Telescópio Espacial Hubble planeja observações em novembro para espectroscopia detalhada. A trajetória do cometa passará a 1,4 unidades astronômicas do Sol, e a distância mínima até a Terra será de 240 milhões de quilômetros.

Observações terrestres e descobertas recentes

O telescópio ATLAS de Río Hurtado confirmou a órbita hiperbólica do cometa. A atividade começou em maio com luminosidade constante até setembro de 2025. O observatório Vera C. Rubin capturou imagens em junho, enquanto o satélite de trânsito de exoplanetas registrou dados antes da descoberta oficial.

Uma polarização negativa inusitada tem suscitado debates sobre a classificação correta do objeto. As acelerações próximas aos planetas surpreendem os modelos gravitacionais existentes. Esses dados coletados por múltiplas instituições científicas prolongam a janela de observação antes que o cometa deixe o sistema solar, previsto para dezembro de 2025, quando telescópios terrestres ainda poderão registrá-lo em trajetórias de afastamento.

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