A Coreia do Sul chega à Copa do Mundo de 2026 em busca de sua primeira grande campanha em mais de duas décadas. País asiático marcará presença em sua 11ª participação consecutiva no torneio, igualando feito de consistência raro no futebol internacional. Porém, o histórico em mata-matas preocupa: apenas duas oitavas de final fora da semifinal de 2002, quando foi sede.
A seleção sul-coreana classificou-se de forma invicta nas Eliminatórias Asiáticas. Foram 16 jogos com 11 vitórias e 5 empates, consolidando a dominância continental que perdura desde 1986. Desde 2006, apenas 9 derrotas em 90 partidas qualificatórias mostram a regularidade estrutural do programa de futebol sul-coreano.
Pressão por avanço histórico é real no país
A torcida sul-coreana tem expectativas elevadas para 2026. Existe leitura consolidada de que a seleção possui qualidade técnica suficiente para furar o bloqueio da primeira fase de mata-mata. Galego, jogador brasileiro que atua no Bucheon FC, forneceu perspectiva insider sobre o clima no país asiático.
“Aqui a expectativa é muito alta. A Coreia do Sul é um país que vem crescendo no futebol e tem grandes jogadores que já se destacaram na Europa. O que o torcedor espera é que a seleção chegue à fase do mata-mata. Eles acreditam muito nessa seleção”, analisou o atacante em entrevista exclusiva.
O retrospecto recente, contudo, não justifica tanto otimismo. Nas três últimas enfrentamentos contra o Brasil desde 2022, a Coreia do Sul sofreu goleadas com placar agregado de 14 a 2. Reduzir a exposição defensiva transformou-se no principal desafio para Hong Myung-bo, treinador e ídolo da semifinal de 2002.
Hong Myung-bo enfrenta contestação interna
O técnico legendário não conquistou unanimidade na Coreia do Sul. Chegou a ser vaiado em amistoso durante a última Data FIFA de 2025, sinalizando insatisfação da torcida com o trabalho realizado até agora. Mesmo assim, permanece no comando da seleção com missão bem definida: tirar o máximo potencial de um elenco repleto de talento técnico.
A proposta tática de Hong Myung-bo varia conforme o adversário. Diante de equipes mais fracas, adota linha de quatro defensores. Contra seleções de maior poderio ofensivo, utiliza três zagueiros para maior segurança. Essa flexibilidade reflete dilema que persegue os sul-coreanos: possuem jogadores técnicos que permitem jogo propositivo, mas precisam de cuidado defensivo contra potências.
Quando a bola está com o time, a qualidade aparece. A Coreia do Sul possui quatro grandes referências, uma em cada setor. Kim Min-jae na defesa, Hwang In-beom no meio-campo, Lee Kang-in na ponta e Son Heung-min funcionando como centroavante nesta fase da carreira. Essa distribuição equilibrada de qualidade é rara entre as seleções asiáticas.
Son Heung-min segue como figura central
Impossível discutir futebol sul-coreano sem mencionar Son Heung-min. Maior jogador da história do país, o craque segue para sua quarta Copa do Mundo, possivelmente a última. Recentemente deixou o Tottenham e a Premier League, mudando-se para o Los Angeles FC, da MLS, aos 33 anos de idade.
A transferência para a MLS trouxe vantagem física para 2026. Ao contrário dos atletas europeus que chegam desgastados ao final da temporada, Son chegará descansado. A liga americana inicia seu calendário próximo ao período da Copa do Mundo. Em 2025, o craque disputou 18 jogos pela franquia californiana, marcando 2 gols e registrando 10 assistências.
A grandeza de Son na Coreia do Sul transcende o campo. Galego forneceu relato impressionante sobre a onipresença do jogador no país. “Você anda na rua e vê cartaz dele, os ônibus públicos têm foto dele, todas as lojas que você entra têm imagem dele, as crianças usam a camisa dele. E não é só dentro de campo — fora dele ele é um cara muito educado, não se envolve em polêmica, trata bem os fãs. Isso faz as pessoas admirarem ainda mais. A grandeza do Son aqui na Coreia do Sul é extraordinária”, relatou o brasileiro.
A postura exemplar fora dos gramados potencializa ainda mais a idolatria na Coreia do Sul. Diferente de muitos ídolos globais envolvidos em polêmicas, Son construiu imagem impecável que ressoa com valores sul-coreanos. Esse capital simbólico pode se converter em pressão positiva para grande campanha no Mundial.
Lee Tae-seok emerge como candidato a surpresa
Entre os nomes menos conhecidos, Lee Tae-seok desponta como jogador com potencial para despontar. Lateral-esquerdo do Austria Vienna, o jogador de 23 anos chega ao Mundial após sua primeira temporada na Europa. Na Áustria, provou-se lateral com boa capacidade ofensiva, acumulando 3 gols e 4 assistências em 27 partidas disputadas.
A companhia de um artilheiro como Son pode potencializar o futebol do jovem. Se conseguir repetir números na competição, Lee Tae-seok pode se tornar um diferencial importante nas laterais. Seu futebol propositivo combina com a filosofia ofensiva que Hong Myung-bo busca implementar.
Futebol crescente em país de beisebol
A Coreia do Sul possui relação singular com o futebol. Beisebol permanece como esporte predominante no país, contudo a modalidade futebolística vem crescendo em popularidade. Galego notou diferença clara entre o clima futebolístico coreano e o brasileiro.
“O esporte predominante aqui é o beisebol, mas o futebol vem crescendo muito. Diferente do Brasil — onde existe aquela pressão intensa, às vezes você perde um jogo e não consegue nem sair de casa — aqui eles são apaixonados, mas sabem separar o lado humano do profissional”, analisou o jogador.
Existe conexão histórica com o Brasil mediada pela Copa de 2002. Disputada em território sul-coreano, aquela foi a última conquista brasileira. Galego relata experiência de jogar em estádios daquele torneio. “A gente jogou no estádio do Jeju, jogou no estádio de Seul — e você vê os detalhes dentro do vestiário, as fotos de jogadores e treinadores históricos daquela época. É uma atmosfera muito especial”, comentou o atacante do Bucheon FC.
Roteiro na Copa do Mundo
A Coreia do Sul enfrenta grupo desafiador em 2026:
- 11 de junho: Coreia do Sul x República Tcheca (Guadalajara)
- 18 de junho: México x Coreia do Sul (Guadalajara)
- 24 de junho: África do Sul x Coreia do Sul (Monterrey)
Diante de México e República Tcheca, a seleção terá oportunidades reais de pontuação. O confronto contra África do Sul será importante teste de consistência defensiva. A classificação é objetivo mínimo, mas a torcida sul-coreana segue alimentando esperança de que 2026 finalmente seja o ano em que a seleção ultrapasse as oitavas de final.

