Uma gravação de áudio com duração superior a 13 minutos revelou confissões de um instrutor de jiu-jitsu brasileiro e tentativas de oferecer incentivos financeiros para evitar denúncia de crime contra adolescente. Melqui Galvão permanece sob custódia da Polícia Civil de Jundiaí, em São Paulo, após mandado de prisão expedido em 23 de abril pela Vara Especializada em Crimes contra Crianças e Adolescentes. O material foi entregue às autoridades pelo pai da aluna, que recebeu a mensagem de áudio do próprio acusado.
O áudio documenta admissões de condutas inadequadas, incluindo contato físico não autorizado com a menor, além de promessas de negócios e benefícios materiais destinados a desistir da denúncia. O caso gerou comoção na comunidade brasileira de jiu-jitsu e deflagrou investigação sobre possíveis práticas criminosas em ambiente de treinamento.
Reconhecimento de responsabilidade na mensagem gravada
Na gravação, uma voz identificada como a de Galvão inicia reconhecendo responsabilidade pelas ações praticadas. Ele declara ter passado noite mal dormida e afirma que nenhuma justificativa redime seu comportamento. O instrutor menciona sua posição de liderança e idade avançada como fatores que intensificavam sua obrigação de conduta apropriada com alunos.
Durante a mensagem, Galvão especifica diversos episódios. Admite ter tocado na aluna de forma breve, descrevendo o contato como rápido e acreditando que ela estivesse dormindo por aproximadamente três segundos. Nega ter oferecido medicamentos para adormecer, informando que ambos consumiram melatonina. Limita suas ações alegadas ao beijo no rosto e abraço, negando tentativas de contato na boca ou de natureza sexual.
O instrutor tenta deslocar parcialmente culpa para a adolescente, argumentando que ela o tratava de maneira diferenciada em relação a outros alunos. Rapidamente, porém, retifica essa afirmação e assume integralmente a responsabilidade profissional e pessoal da situação.
Propostas econômicas e estrutura de tentativa de acordo
A maior parte da gravação registra propostas econômicas apresentadas ao pai da menor. Galvão menciona possuir um investidor nos Estados Unidos disposto a criar sociedade em academia em Orlando, Flórida. Ele sugere que a família participasse como sócia dessa empreitada, descrevendo o arranjo como capaz de transformar completamente suas vidas financeiras.
Além da promessa de negócio, o instrutor oferece cobertura de despesas de viagem e outros benefícios materiais. Essas ofertas ocorrem enquanto ele enfatiza o impacto negativo que uma denúncia causaria a sua reputação e à marca de jiu-jitsu associada ao seu nome. Alerta para consequências de encarceramento, afirmando que qualquer prisão prejudicaria oportunidades para múltiplas pessoas ligadas à sua empresa. Essa combinação de incentivos positivos e advertências de danos caracteriza tentativa clássica de obstrução de justiça.
Procedimentos legais e investigação em andamento
O mandado de prisão foi expedido pela autoridade judicial de São Paulo com base em três infrações. As acusações fundamentam-se na Lei nº 8.069/90 — o Estatuto da Criança e do Adolescente — e na Lei nº 13.441/2017. O documento, expedido sob autoridade do Conselho Nacional de Justiça, autorizou força policial se necessária para condução compulsória ao magistrado.
A Polícia Civil de Jundiaí comanda ativamente a investigação, mantendo Galvão sob custódia local. Análise documental realizada por meio do banco de dados jurídico Jusbrasil.com.br confirmou existência do mandado no sistema judicial paulista. Até a data da publicação desta reportagem, nenhuma declaração oficial de Galvão ou seus representantes legais havia sido divulgada publicamente.
Divulgação do material e canais de denúncia
O site especializado xfight.tv foi o primeiro a divulgar trechos da gravação, publicando excerto de aproximadamente 30 segundos extraído do material completo. A plataforma descreveu o conteúdo como contendo pedidos de desculpas, promessas de mudança comportamental e referências a “situações extremamente delicadas”. Essa divulgação ampliou visibilidade do caso para fora do círculo imediato das autoridades.
Apelos públicos circulam nas redes sociais instando potenciais vítimas ou testemunhas a procurarem as autoridades competentes. A comunidade de jiu-jitsu brasileiro permanece mobilizada em torno do caso:
- Denúncias podem ser feitas à Polícia Civil de Jundiaí
- Informações também são aceitas pela Vara Especializada em Crimes contra Crianças e Adolescentes
- O Conselho Nacional de Justiça recebe relatos complementares sobre investigações dessa natureza
- Organizações de proteção infantil oferecem canais confidenciais de denúncia
- Academias de jiu-jitsu colaboram na identificação de potenciais outras vítimas
Repercussões na comunidade de artes marciais
A prisão de uma figura conhecida em esportes marciais brasileiros provoca questionamentos sobre segurança em ambientes de treinamento. Academias e federações de jiu-jitsu enfrentam pressão para revisar protocolos de proteção a menores e implementar supervisão mais rigorosa durante aulas. Pais de alunos buscam compreender que mecanismos de denúncia existem e como acioná-los efetivamente.
Investigações paralelas possivelmente examinarão práticas em outras unidades ou academias ligadas a Galvão. A documentação do caso — particularmente o áudio de 13 minutos — funciona como evidência central e será analisada tecnicamente para confirmar autenticidade e extrair dados adicionais relevantes ao processo. O caso segue em estágio inicial, com possibilidade de novas acusações ou desdobramentos conforme avança investigação formal.

