Marino Hinestroza, contratado pelo Vasco por R$ 30 milhões no início de 2026, não corresponde às expectativas criadas na chegada ao clube. O atacante colombiano de 23 anos não entra em campo desde o confronto contra o Audax Italiano e caiu para o fim da fila do elenco sob comando de Renato Gaúcho. Em 13 jogos pela cruz-maltina, o jogador não marcou gol nem forneceu assistência.
A reportagem ouviu pessoas próximas ao dia a dia do Vasco, e o diagnóstico aponta para problemas de confiança e expectativa do atleta. Marino chega ansioso demais em campo e não consegue replicar o desempenho que tinha no Atlético Nacional. O comportamento prejudica seu rendimento nos momentos em que recebe oportunidades.
Má gestão na chegada ao clube
O departamento de futebol do Vasco avalia que o jogador foi mal gerido desde seu desembarque. Marino chegou ao Rio de Janeiro ainda sem forma física adequada e enfrentou dificuldades para se adaptar às metodologias de treinamento implantadas por Fernando Diniz no início do ano. Sua integração ao elenco foi precipitada.
A contratação foi oficializada em 27 de janeiro. Menos de uma semana depois, no dia 2 de fevereiro, Marino já estreava na competição. O departamento médico não considerava o jogador pronto para atuar naquele momento. O mesmo erro ocorreu com o também atacante Brenner. Ambos chegaram ao CT Moacyr Barbosa saindo de um longo período de férias, sem o condicionamento ideal para competições profissionais.
Peso do substituto imediato e queda de confiança
Marino também carregava um peso emocional considerável. Rayan, craque da equipe, deixou o clube, e havia uma expectativa de que o colombiano ocupasse seu espaço de forma imediata e protagonista. O próprio jogador sentia essa pressão. A confiança caiu conforme os erros se acumulavam nos primeiros compromissos.
Apenas duas vezes Marino foi titular desde o início de 2026. Nenhuma das duas oportunidades resultou em bom desempenho. Após a partida contra o Audax Italiano, quando recebeu críticas da torcida, Renato Gaúcho deixou de escalar o colombiano. Nas três últimas rodadas — contra São Paulo, Paysandu e Corinthians — Marino sequer saiu do banco de reservas.
Diagnóstico unânime entre departamentos
Os profissionais ouvidos do Vasco concordam em um ponto: a ansiedade inicial do jogador o levava a cometer mais erros do que o comum. Marino queria mostrar toda sua capacidade em poucos toques na bola. Porém, existe um problema ainda maior subjacente a essa ansiedade.
A avaliação interna é de que o atleta não recebeu suporte adequado para sua integração. Não apenas a questão física, mas também tática e psicológica. Quando Fernando Diniz deixou o comando técnico, Renato Gaúcho chegou com outras metodologias e prioridades. Marino, já abalado pela falta de oportunidades, perdeu ainda mais confiança.
Cenário atual
O colombiano está à margem do projeto. Renato não oferece minutagem, e o jogador não conseguiu se recuperar de uma sequência ruim. Diferente de outros reforços que recebem tempo para adaptação, Marino teve poucas chances de se reabilitar após os primeiros erros. A pressão do investimento de R$ 30 milhões criou expectativas que ele não conseguiu atender no prazo que o clube esperava.
O Vasco ainda tem esperança de que o atacante encontre forma durante a temporada. Mas para isso, precisaria de oportunidades. Renato Gaúcho, porém, tem outras peças ofensivas para escalar. Marino segue aguardando seu momento, agora longe dos holofotes que o acompanharam na chegada ao Rio.

