Diretora do JPMorgan é acusada de assédio sexual e ameaça carreira de colega júnior

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JPMorgan - Foto: ADRIAN3388 / Shutterstock.com

Uma diretora executiva do JPMorgan Chase (JPMC), Lorna Hajdini, de 37 anos, está sendo processada por um colega júnior, identificado como “John Doe”. A ação, protocolada na segunda-feira (27 de abril) no Tribunal Supremo do Condado de Nova York, acusa Hajdini de abuso sexual, assédio racial e coerção profissional. Segundo o processo, a executiva teria se referido ao banqueiro casado como “garoto indiano moreno” e o drogado, além de proferir ameaças explícitas sobre sua carreira caso ele não cedesse a “atos sexuais não consensuais e humilhantes”.

Detalhes da Ação Judicial em Nova York

A denúncia detalha que o abuso teria começado na primavera de 2024, após Hajdini e “John Doe” iniciarem uma colaboração profissional. O processo, divulgado pelo Daily Mail, descreve um dos primeiros incidentes no qual Hajdini, ao derrubar uma caneta, aproveitou para roçar a perna do colega e apertar sua panturrilha. Ela teria então questionado se ele jogava basquete na faculdade, acrescentando que adorava jogadores, pois a deixavam “tão excitada”.

As investidas, conforme a ação, se tornaram progressivamente mais explícitas. Em uma ocasião, Hajdini convidou Doe para beber e, diante de sua recusa, supostamente o ameaçou diretamente. A frase proferida pela diretora, segundo o processo, foi contundente: “Se você não transar comigo logo, vou te arruinar, nunca se esqueça, você me pertence.”

Coerção e Ameaças à Carreira Profissional

O processo judicial alega que as ameaças profissionais continuaram e se intensificaram. Em setembro de 2024, a diretora executiva teria pressionado “John Doe” novamente. Ela não apenas o teria coagido a manter relações sexuais, mas também teria criticado de forma incisiva seu desempenho no trabalho. A estratégia, segundo a acusação, era utilizar a avaliação de seu trabalho como ferramenta de pressão.

Em um episódio específico, Hajdini teria dito a Doe: “Eu sou seu dono! Vou te fazer pagar. Você acha que vai se dar bem se não me tiver do seu lado? Você realmente acha que [a gerência] quer algum indiano moreno liderando as produções? Se você não me foder até eu perder a cabeça hoje à noite, vou sabotar sua promoção.” Este tipo de ameaça teria criado um ambiente de medo e submissão.

O Encontro Forçado e Uso de Substâncias

Apesar de sua relutância inicial e profundo desconforto, “John Doe” teria cedido aos pedidos de encontro de Hajdini. Ele temia severas represálias por parte dela, o que poderia comprometer irreversivelmente sua carreira no JPMorgan. Um detalhe crucial do processo é que seus protestos iniciais durante um desses encontros teriam sido ouvidos por uma testemunha. Esta pessoa estava hospedada em um quarto adjacente e, sem saber dos detalhes, percebeu o desconforto de Doe.

Posteriormente, Lorna Hajdini teria admitido para “John Doe” que o havia drogado em uma das ocasiões. Ela usou Rohypnol, popularmente conhecido como “roofies” ou “droga do estupro”, além de uma “substância farmacêutica que provoca ereção”. A diretora alegou que o objetivo era garantir que ele pudesse ter um bom desempenho durante os encontros sexuais forçados, evidenciando um padrão de manipulação e controle.

    Algumas das principais alegações incluem:
  • Assédio sexual contínuo desde a primavera de 2024.
  • Ameaças diretas de sabotagem de carreira.
  • Uso de linguagem racialmente ofensiva, como “garoto indiano moreno”.
  • Administração de drogas como Rohypnol sem consentimento.
  • Assédio verbal e humilhação durante os atos sexuais.
  • Alegada negação do banco em reconhecer as acusações.

Abuso Racial e Verbais Durante o Assédio

O processo descreve um incidente particularmente perturbador, no qual Hajdini apareceu no apartamento da vítima. Durante as investidas sexuais, ela teria tirado a própria camisa e começado a apalpar seus próprios seios. Em meio ao assédio físico, a diretora insultou racialmente a esposa de Doe, fazendo um comentário depreciativo: “Aposto que sua esposa asiática, cabeça de peixe, não tem esses canhões.”

A situação escalou quando ela teria retirado à força as calças de “John Doe”. Em seguida, praticou sexo oral nele contra a sua vontade. Diante da situação traumática e da coerção, a vítima começou a chorar, mas Hajdini o repreendeu duramente. Ela o insultou por não conseguir ter uma ereção, desconsiderando completamente o sofrimento de Doe e a natureza não consensual do ato.

Em um momento de extrema humilhação, Hajdini supostamente disse: “Pare de chorar, seu idiota. Você acha que alguém acreditaria em você? Você é um babaca que se acha o máximo, mas nem consegue ficar excitado por minha causa? Que merda é essa?”. Estas frases, segundo o processo, reforçam o ambiente de intimidação e a crueldade do assédio.

Denúncia ao JPMorgan e Busca por Indenização

Em maio de 2025, “John Doe” formalizou uma queixa por escrito ao JPMorgan Chase. No documento, ele detalhou minuciosamente a discriminação racial e de gênero que sofreu, o assédio constante e o padrão de “abuso sexual grave”. No entanto, o banco respondeu negando as alegações, afirmando que uma investigação interna não encontrou evidências que as corroborassem de forma satisfatória.

Um porta-voz do JPMC declarou ao veículo de comunicação: “Após uma investigação, não acreditamos que haja qualquer fundamento nessas alegações.” Ele complementou a resposta do banco, afirmando: “Embora vários funcionários tenham cooperado com a investigação, o denunciante se recusou a participar e se negou a fornecer fatos que seriam essenciais para sustentar suas alegações.” Essa postura do banco é contestada pela defesa de Doe.

O advogado de “John Doe”, Daniel J. Kaiser, ressaltou o impacto devastador que o tratamento supostamente recebido teve sobre seu cliente. O sofrimento foi tanto pessoal quanto profissional. Enquanto Lorna Hajdini permanece empregada no JPMorgan, “John Doe” não conseguiu encontrar outro emprego, enfrentando dificuldades financeiras e de reinserção no mercado. Kaiser busca indenização por lucros cessantes, sofrimento emocional e danos à reputação. Além disso, a ação pede danos punitivos e mudanças nas práticas internas do banco para evitar futuros casos similares.

Quem é Lorna Hajdini?

Lorna Hajdini é uma profissional com quase 15 anos de experiência no JPMorgan Chase, de acordo com seu perfil no LinkedIn. Ela possui bacharelado em Finanças e Estatística pela renomada NYU Stern School of Business. Atualmente, a executiva ocupa o cargo de Diretora Executiva na divisão de Financiamento Alavancado do banco, uma posição de destaque e responsabilidade dentro da instituição.

Sua trajetória profissional inclui uma vasta experiência anterior como vice-presidente, o que lhe proporcionou um amplo conhecimento em diversos setores. Entre eles, destacam-se bens de consumo, varejo, indústria farmacêutica e tecnologia médica, logística e também o segmento aeroespacial e de defesa. Hajdini também aprimorou suas qualificações ao participar do programa de Private Equity e Venture Capital na Harvard Business School Executive Education, indicando um histórico de ascensão e formação contínua. Antes de sua longa passagem pelo JPMorgan, ela realizou estágios no escritório do diretor médico, na Glazer Capital Management e na Tudor Investment Corporation.