A Oracle, líder global em tecnologia da informação, demitiu aproximadamente 30 mil funcionários no mês passado. A decisão seguiu um plano estratégico da empresa de depender mais de inteligência artificial para executar tarefas internas. Muitos funcionários foram obrigados a treinar sistemas de IA antes de receberem comunicados de demissão por e-mail.
Processo de demissão ocorreu em massa e por comunicação remota
Os funcionários receberam notificações sobre as demissões entre março e abril de 2026. Alguns foram informados por telefone, enquanto a maioria recebeu e-mails da administração. A Oracle anunciou a onda de cortes em 31 de março. Analistas da TD Cowen estimaram que os desligamentos poderiam liberar entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões para a empresa. Um ano antes, em maio de 2025, a Oracle empregava 162 mil pessoas.
IA gerou códigos com erros que precisavam ser refeitos
Pouco antes das demissões, a Oracle pediu aos funcionários que documentassem fluxos de trabalho para treinar os sistemas de inteligência artificial. O cofundador Larry Ellison afirmou em conferência que o código escrito pela Oracle não era mais produzido pela empresa, mas por seus modelos de IA. Vários ex-funcionários relataram que as ferramentas de IA geravam códigos repletos de erros que necessitavam reescrita. O caos operacional ocorreu em setores que dependiam dessa automação. Alguns funcionários reconheceram que a IA acelerava determinados processos, ainda que com necessidade de revisão humana constante.
Demitidos perderam bônus não pagos e opções de ações
A organização de direitos trabalhistas What We Will realizou pesquisa com 272 pessoas desligadas. Os resultados indicaram que 62% dos entrevistados tinham mais de 40 anos. Vinte e dois por cento trabalhava na empresa há mais de 15 anos. Um entrevistado tinha 30 anos de serviço. Muitos acreditavam que as demissões visavam funcionários mais antigos com salários elevados.
Funcionários perderam valores significativos em unidades de ações restritas (RSUs), instrumento de incentivo que promete conceder ações ordinárias após período de serviço. Um demitido relatou perda de US$ 300 mil. Outro perdeu US$ 1 milhão apenas quatro meses antes de receber suas opções. Vinte e sete por cento dos pesquisados possuíam RSUs que expiraram em 90 dias, tornando-se inúteis.
Trabalhadores com visto H1-B enfrentam prazo curto de permanência
Muitos ex-funcionários estavam nos Estados Unidos com vistos H1-B, destinados a especialistas em tecnologia. Eles receberam 60 dias para encontrar novos empregos ou deixar o país. O prazo representa desafio significativo. Contratações no setor de tecnologia frequentemente levam meses para serem concluídas. Profissionais precisam passar por processos de entrevista extensos e aprovações de segurança.
Alguns funcionários tiveram que sair do território americano após o vencimento dos vistos. Famílias foram separadas durante o processo. Custos com realocação ou retorno ao país de origem recaíram sobre os demitidos, sem suporte da empresa.
Funcionários solicitaram aumento de indenização e benefícios adicionais
Mais de 600 funcionários da Oracle assinaram carta em 17 de abril dirigida à administração. Eles solicitaram aumento na indenização por demissão:
- Auxílio com processos de visto H1-B
- Emissão acelerada de ações restritas
- Extensão do plano de saúde para funcionários com câncer
- Cobertura para gestantes durante transição de empregos
A Oracle respondeu que analisaria cada solicitação individualmente. Posteriormente, a empresa rejeitou muitos pedidos de aumento na indenização. Respostas frequentemente continham frases genéricas sem aprofundamento nas demandas específicas.
Empresa não forneceu comentários sobre estratégia de IA
Um porta-voz da Oracle recusou-se a comentar sobre as demissões em massa para publicações que investigaram o caso. A empresa não esclareceu critérios para seleção dos desligados. Não divulgou documentação sobre treinamento obrigatório de IA. A estratégia de substituição de força de trabalho humana por automação permanece sem explicação oficial da companhia.

