O rendimento domiciliar per capita médio entre os lares que recebiam algum benefício social atingiu R$ 886 em 2025. O número representa menos de um terço da renda registrada em domicílios sem esse tipo de apoio. Os dados saem da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE.
A proporção de domicílios com ao menos um beneficiário de programa social ficou em 22,7%, ou 18 milhões de lares. O percentual caiu 0,9 ponto ante 2024, mas segue acima do patamar pré-pandemia de 17,9%. O Bolsa Família apareceu em 17,2% dos domicílios. Já o BPC-LOAS alcançou 5,3%, o maior índice da série iniciada em 2012.
Bolsa Família lidera alcance, mas com renda mais baixa
O Bolsa Família continuou como o principal programa de transferência de renda. Estava presente em 17,2% dos lares brasileiros no ano passado. Nessas famílias, o rendimento domiciliar per capita médio foi de R$ 774. O valor supera os R$ 488 de 2019, mas equivale a menos de 30% dos R$ 2.682 observados em domicílios sem o benefício.
O BPC-LOAS, voltado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, chegou a 5,3% dos domicílios. A renda per capita média nesses lares atingiu R$ 1.218. Outros programas sociais registraram rendimento médio de R$ 948 por pessoa.
- Domicílios com algum benefício social: R$ 886 per capita
- Domicílios sem benefício: R$ 2.787 per capita
- Bolsa Família: R$ 774 per capita
- BPC-LOAS: R$ 1.218 per capita
- Outros programas: R$ 948 per capita
Os números confirmam diferença expressiva. Lares atendidos por programas sociais mantiveram renda per capita inferior a um terço da registrada fora desse grupo.
Domicílios beneficiados são maiores e concentram mais moradores
Lares que recebem benefícios sociais costumam ter mais pessoas. Em 2025, a média foi de 3,2 moradores por domicílio. Nos lares sem esses rendimentos, o número caiu para 2,5. No Bolsa Família, a média subiu para 3,4 pessoas.
Essa composição ajuda a explicar o peso dos recursos no orçamento. Mesmo com valores individuais limitados, os benefícios sustentam casas com maior número de dependentes e renda mais diluída. O analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes destacou que o volume de moradores amplia a importância desses auxílios.
Programas respondem por fatia maior no Norte e Nordeste
A participação dos benefícios varia bastante por região. No Nordeste, eles representaram 8,8% da renda domiciliar per capita em 2025. No Norte, o peso chegou a 7,5%. Em ambas as áreas, os programas sociais superaram o percentual vindo de aposentadorias e pensões.
No Sul, a fatia caiu para 1,6%. Apenas 4,5% da população da região recebia algum auxílio desse tipo. O contraste mostra como os programas concentram atuação nas áreas de maior vulnerabilidade.
Benefícios caem como proporção da renda nacional
Os programas sociais responderam por 3,5% do rendimento domiciliar per capita brasileiro em 2025. O índice recuou ante os 3,8% de 2024. A redução não veio de corte nos valores pagos, mas do crescimento mais forte de outras fontes, principalmente trabalho.
A taxa média de desocupação fechou 2025 em 5,6%, menor nível da série. A população ocupada bateu recorde de 103 milhões de pessoas. Esse cenário aqueceu rendimentos do trabalho e reduziu a dependência relativa dos auxílios.
Perfil confirma papel de proteção
Os dados traçam retrato claro. Famílias beneficiadas enfrentam condições mais difíceis: renda mais baixa, lares maiores e concentração regional no Norte e Nordeste. Apesar da leve redução no alcance, os programas seguem essenciais para garantir renda mínima a milhões de pessoas. O Bolsa Família e o BPC-LOAS mantêm presença relevante, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

