A Fifa anunciou nesta quinta-feira o fim de uma das parcerias mais longas do futebol mundial. A Panini, que produzia os álbuns da Copa do Mundo desde 1970, perderá os direitos a partir de 2031. A norte-americana Fanatics, através da marca Topps, assumirá a produção global de colecionáveis físicos e digitais. A mudança marca o encerramento de um ciclo de mais de 60 anos iniciado no México.
Panini segue até 2030 com edição do centenário
A empresa italiana permanecerá responsável pela edição histórica de 2030, que celebrará o centenário da competição em seis países. Esse será o último álbum produzido pela Panini antes da transição para a Fanatics. A partir do ciclo seguinte, a norte-americana assume a operação global, incluindo produtos físicos e digitais para colecionadores em todo o planeta.
A Fifa justificou a mudança como um passo estratégico para modernizar a interação com os torcedores. Gianni Infantino, presidente da entidade, reforçou que a inovação tecnológica da Fanatics foi determinante para a escolha. O executivo acredita que o engajamento digital será o pilar central das próximas gerações de álbuns de figurinhas.
Fanatics investe US$ 150 milhões em distribuição gratuita
A nova parceira se comprometeu a distribuir cerca de US$ 150 milhões em figurinhas e cards sem custo para os torcedores ao longo da vigência do contrato. Esse volume, equivalente a mais de R$ 737 milhões, será aplicado em diferentes mercados internacionais. A estratégia busca ampliar o engajamento de fãs globais e criar novas experiências de colecionar.
- Distribuição gratuita de US$ 150 milhões em produtos para torcedores globais.
- Criação de cards com patches autênticos de camisas utilizadas em partidas.
- Foco em colecionáveis digitais e integração com plataformas de engajamento.
- Produção centralizada pela Topps, subsidiária da Fanatics.
- Expansão do mercado de cards premium para público de alta renda.
Mike Mahan, CEO da Fanatics Collectibles, afirmou que o objetivo é transformar o ato de colecionar em uma experiência mais próxima dos atletas. A empresa aposta na raridade de itens físicos, como pedaços de tecidos de uniformes, para valorizar o produto final e atrair colecionadores premium.
Topps expande domínio no futebol europeu e mundial
A Fanatics já vinha ganhando terreno no cenário europeu antes de chegar ao topo com a Copa do Mundo. Atualmente, a empresa detém os direitos de imagem da Uefa Champions League e da Eurocopa. No torneio de seleções europeu, a Topps já substituiu a Panini, criando uma ruptura significativa no mercado de colecionadores do continente.
Essa expansão agressiva reflete o poder financeiro da marca norte-americana, que também opera licenças da MLS e da Fórmula 1. A empresa busca consolidar sua posição como principal fornecedora de colecionáveis esportivos globais. A perda da Copa do Mundo representa o maior golpe comercial sofrido pela Panini em toda sua história operacional de mais de 60 anos.
Reformulação comercial da Fifa busca modernização digital
O encerramento do vínculo com a Panini ocorre em momento de reformulação das propriedades comerciais da federação internacional. A Fifa busca parceiros que dominem tanto o varejo físico quanto as novas economias de tokens e ativos virtuais. Com a Fanatics, a expectativa é que o faturamento com licenciados supere as marcas atingidas nos últimos dois ciclos mundiais.
A empresa italiana terá quatro anos para preparar sua despedida oficial dos gramados globais. O Mundial de 2030 marcará o ápice de uma trajetória de quase seis décadas de álbuns cromados. A transição reflete a estratégia da Fifa de modernizar suas operações comerciais e atrair público jovem através de experiências digitais integradas aos produtos físicos tradicionais.

