Israel executou uma operação massiva no Líbano em 8 de abril que deixou 357 mortos e mais de mil feridos em apenas dez minutos. A onda de ataques, que começou às 14h15 no horário local, atingiu aproximadamente 100 alvos simultâneos em todo o país. As autoridades libanesas confirmaram os números de vítimas e descreveram o dia como “Quarta-feira Negra” pela escala de destruição concentrada em um período tão curto.
Destruição concentrada em segundos
Os militares israelenses denominaram a operação “Operação Eterna Escuridão” e afirmaram que os alvos eram centros de comando e instalações militares do Hezbollah. No entanto, investigações posteriores e relatos de testemunhas indicam que muitas vítimas eram civis sem ligações militares. O bairro de Hay el Sellom, nos subúrbios do sul de Beirute, foi particularmente atingido, com pelo menos 80 mortos confirmados naquela região específica. Análises de imagens de satélite e relatos de testemunhas oculares determinaram que pelo menos cinco ataques ocorreram em Hay el Sellom em um curto período, deixando casas reduzidas a montes de entulho e infraestrutura completamente destruída.
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Muhammed, morador da região, perdeu seu filho quando seu prédio desabou durante um ataque aéreo. Os três andares superiores de seu apartamento caíram em um único cômodo. Ele afirmou em entrevista que todos os residentes do prédio eram civis e que jamais teria permanecido ali se suspeitasse da presença de combatentes do Hezbollah. Este era o segundo lar que perdia em poucos meses, após destruição anterior em 2024. Centenas de famílias libanesas compartilhavam histórias semelhantes de perdas repetidas e deslocamento forçado.
Ataques simultâneos no coração de Beirute
A apenas sete quilômetros de distância, no bairro de Corniche al Mazraa, uma das áreas mais movimentadas de Beirute, explosões simultâneas mataram 16 pessoas. Uma academia de fitness, uma barbearia, um supermercado e um restaurante foram atingidos ao mesmo tempo. Câmeras de segurança registraram o momento exato em que duas bombas atingiram um armazém de uma fábrica de doces, gerando explosões tão violentas que danificaram todos os prédios vizinhos. A instrutora de fitness Noha estava trabalhando sete andares acima do nível da rua quando as bombas explodiram. Ela relatou não ter recebido qualquer aviso prévio e descreveu ver o mundo ficar completamente escuro, pessoas cobertas de sangue e corpos deitados no chão. Suas irmãs foram mortas no ataque.
Procuradores de investigação não encontraram evidências de presença do Hezbollah no local onde Noha trabalhava. Quando questionado sobre o incidente, o exército israelense não forneceu resposta específica. Noha questionou por que a área foi escolhida como alvo, afirmando que se tratava claramente de um alvo civil e que pessoas inocentes foram feridas ou mortas.
Operação coordenada em todo o Líbano
- Aproximadamente 100 alvos atingidos em dez minutos de operação coordenada
- 361 mortos confirmados pelas autoridades libanesas
- Mais de mil feridos registrados em hospitais
- Ataques ocorreram simultaneamente em Hermel, Vale do Bekaa, Sidon e Beirute
- Pelo menos 15 crianças mortas em Hay el Sellom
Em todo o Líbano, cenas semelhantes desdobravam-se no mesmo intervalo de dez minutos. De Hermel, no norte, às aldeias ao longo do Vale do Bekaa, no sul, os ataques ocorreram quase simultaneamente. A cidade de Sidon, no sul do país, foi atingida sem aviso prévio, com bombas arrasando o complexo religioso de al-Zahraa, ligado ao Hezbollah. Rahma, de 27 anos, e Rayan, de 22, jovens de uma família forçada a fugir de sua casa perto da fronteira israelense, estavam visitando a mesquita quando o ataque ocorreu. Ambas morreram. Sua mãe, Kawkab, havia buscado refúgio em Sidon esperando encontrar segurança, mas o complexo foi atingido meia hora após suas filhas entrarem para rezar.
Resgate entre os escombros
As ruas estreitas que serpenteiam entre os edifícios densamente agrupados em Hay el Sellom dificultaram significativamente os esforços de resgate. Moradores relataram que aqueles presos sob os escombros estavam pedindo ajuda, enviando mensagens de texto e aguardando resgate. Ghassan Jawad foi um dos primeiros a chegar a um hospital próximo após ser resgatado. Estava dormindo quando os prédios desabaram, e se viu no subsolo, cercado por escombros. Ele relatou ter rezado acreditando que seria o fim, mas seu gato começou a cavar um pequeno buraco que lhe permitiu respirar. Cerca de dez minutos depois, vizinhos que começavam a escavar os escombros ouviram ruídos vindos de cima e conseguiram resgatá-lo com martelos e barras de metal.
Porém, os outros membros de sua família não sobreviveram. Ghassan afirmou que conseguia ouvir pessoas morrendo ao seu redor e que ouviu sua mãe rezando ao seu lado antes de sua voz parar completamente. Sua mãe, duas irmãs e filhos foram mortos no ataque. O silêncio absoluto que se seguiu marcou profundamente o sobrevivente.
Questões sobre seleção de alvos e contexto da escalada
O exército israelense afirmou ter alvejado 250 militantes do Hezbollah naquele dia, mas não divulgou uma lista completa com os nomes dos supostos combatentes. O Ministério da Saúde libanês negou essa informação, declarando que a grande maioria dos mortos eram civis. Quando questionado sobre medidas para proteger civis, o exército israelense respondeu que foram feitos “esforços extensivos para evitar danos a pessoas que não estavam envolvidas no incidente”. O porta-voz também afirmou que a maioria dos locais visados ficava “em meio a populações civis” e que civis libaneses estavam sendo usados como escudos humanos para garantir operações do Hezbollah. O Hezbollah negou essa alegação, afirmando que Israel estava visando civis como tática de repressão e que a organização não deseja guerra, agindo apenas em legítima defesa.

