O terceiro objeto interestelar confirmado a visitar o Sistema Solar revelou alterações significativas em sua composição química após passar pelo ponto mais próximo do Sol. Observações realizadas em janeiro de 2026 pelo Telescópio Subaru, localizado no Mauna Kea no Havaí, detectaram redução considerável na proporção de dióxido de carbono em relação à água nos gases liberados pela coma do cometa 3I/ATLAS. O objeto, também designado C/2025 N1 (ATLAS), foi descoberto em julho de 2025 e segue trajetória hiperbólica que o mantém desvinculado gravitacionalmente do Sol.
Medições pós-perielio revelam mudanças na composição gasosa
As medições foram realizadas em 7 de janeiro de 2026, apenas meses após o cometa atingir seu ponto de máxima aproximação solar em outubro de 2025. O Telescópio Subaru, equipado com espelho principal de 8,2 metros de diâmetro efetivo, capturou imagens detalhadas da coma utilizando três filtros distintos: V (550 nanômetros), R (660 nanômetros) e I (805 nanômetros). Essa combinação de dados permitiu aos astrônomos analisar a proporção de gases liberados com precisão sem precedentes.
Os resultados indicam que a razão entre CO₂ e H₂O nos gases pós-perielio ficou significativamente mais baixa do que as medições realizadas por observatórios espaciais antes da passagem mais próxima do Sol. Essa diferença aponta para mudanças na atividade do núcleo conforme o objeto se aqueceu durante sua aproximação. A sublimação dos gelos superficiais expôs camadas mais profundas do núcleo, liberando material com composição química distinta daquela encontrada nas regiões externas.
Estrutura em camadas do núcleo explica as variações detectadas
A variação observada na composição reflete diferenças fundamentais entre as camadas superficiais e internas do núcleo cometário. Materiais mais voláteis, particularmente compostos ricos em carbono e oxigênio, sublimam em temperaturas menores. À medida que o aquecimento solar remove progressivamente as camadas externas, o interior exposto libera gases com proporções diferentes de dióxido de carbono em relação à água.
- Observações combinadas de três filtros permitiram mapear a coma em diferentes comprimentos de onda.
- Análise focou na proporção de CO₂ para H₂O nos gases liberados pelo núcleo cometário.
- Resultados indicam estrutura em camadas no núcleo do cometa interestelar.
- Mudança ocorreu devido ao aquecimento progressivo durante a aproximação solar.
- Dados serão publicados na revista The Astronomical Journal.
Essa característica ajuda a entender processos que ocorrem em núcleos cometários de origem interestelar. Comparações com cometas do Sistema Solar mostram que objetos formados em outros sistemas estelares podem apresentar composições distintas. Os dados contribuem para o estudo da formação de planetas em sistemas jovens ao redor de outras estrelas, oferecendo perspectivas sobre a diversidade química em diferentes regiões da galáxia.
Visitantes interestelares confirmados no Sistema Solar
O 3I/ATLAS representa o terceiro objeto confirmado como interestelar a atravessar o Sistema Solar. Os anteriores foram 1I/’Oumuamua, detectado em 2017, e 2I/Borisov, observado em 2019. Diferente dos dois primeiros, este objeto se comporta como cometa ativo, liberando poeira e gases ao se aproximar do Sol. A descoberta inicial aconteceu em 1º de julho de 2025 no Chile, e a velocidade junto à trajetória hiperbólica confirmaram rapidamente sua origem fora do Sistema Solar.
O cometa passou a distâncias seguras de planetas como Marte, Vênus e Terra durante sua jornada. A trajetória hiperbólica garante que o objeto continuará seu caminho para fora do Sistema Solar após esta visita, afastando-se progressivamente nas próximas décadas. Astrônomos monitoraram o 3I/ATLAS com diversos instrumentos terrestres e espaciais ao longo de meses, acumulando dados que revelam detalhes sobre sua evolução física e química durante a passagem pelo perielio.
Significado científico das análises da coma cometária
O estudo da coma permite acessar informações sobre o interior do núcleo sem necessidade de contato direto ou missões de exploração. A mudança na proporção de gases reflete como o aquecimento solar afeta diferentes materiais ao longo do tempo, oferecendo pistas sobre as condições químicas no sistema estelar de origem do cometa. Pesquisadores destacam que objetos como o 3I/ATLAS carregam material formado há bilhões de anos, possivelmente em regiões mais antigas da Via Láctea.
A comparação com cometas locais ajuda a mapear diferenças nos processos de formação planetária em diferentes regiões da galáxia. Os resultados do Telescópio Subaru contribuem para modelos que descrevem a evolução de núcleos cometários sob influência estelar. O trabalho envolveu combinação sofisticada de dados de múltiplos filtros para maior precisão na identificação de componentes químicos, estabelecendo novos padrões para observações futuras de objetos interestelares que visitarem o Sistema Solar.

