Cruzeiro com surto de hantavírus atraca em Tenerife com protocolo de isolamento total

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hantavirus - kamitana/Shutterstock.com

O cruzeiro holandês MV Hondius atracou no porto de Granadilla, em Tenerife, nas Ilhas Canárias, com mais de 140 passageiros e tripulantes após um surto de hantavírus confirmado durante a navegação. A embarcação partiu da Argentina em abril e enfrentou rejeição de vários portos antes de ser autorizada pela Espanha a desembarcar na madrugada de domingo. As autoridades espanholas implementaram um protocolo inédito de isolamento total para receber a embarcação, com área cercada no porto e separação completa da população local.

Protocolo de desembarque em zona isolada

O Ministério da Saúde espanhol coordenou a operação de desembarque em área completamente isolada no porto de Granadilla. Virginia Barcones, responsável pelos serviços de emergência, detalhou que os passageiros serão levados para uma zona cercada e separada do restante do porto. O procedimento foi descrito como operação inédita, com equipes de saúde preparadas para transferência em pequenas embarcações caso o navio não atracasse diretamente. O prazo para conclusão do desembarque é de 24 horas para evitar atrasos causados por condições climáticas adversas.

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Hospitais em Tenerife e Madri estão em alerta máximo para receber possíveis casos. Estados Unidos e Reino Unido preparam aeronaves para repatriar seus cidadãos. Passageiros de 23 nacionalidades estão a bordo, e negociações envolvem mais de 20 países para organizar o retorno dos envolvidos aos seus países de origem.

Situação do surto e vítimas confirmadas

  • Três mortes confirmadas entre os ocupantes da embarcação.
  • Pelo menos cinco casos positivos de hantavírus identificados.
  • Três passageiros foram evacuados em Cabo Verde e enviados para tratamento na Holanda.
  • Nenhum passageiro sintomático permanece a bordo no momento atual.

O surto começou dias após a partida da Argentina, quando os primeiros sintomas apareceram entre os passageiros. Três pessoas morreram, incluindo um casal holandês. O vírus identificado é do tipo Andes, que pode se transmitir entre humanos em casos raros. A Organização Mundial da Saúde classificou o risco de transmissão como baixo, mas mantém monitoramento constante da situação.

Divergências políticas sobre a chegada do navio

O presidente das Canárias, Fernando Clavijo, manifestou preocupação com a decisão de permitir a atracação. Ele argumentou que faltavam informações suficientes sobre o surto para garantir a segurança pública da região. O governo central em Madri, no entanto, autorizou a chegada com base em princípios humanitários e na capacidade logística de Tenerife para gerenciar a crise sanitária. A decisão refletiu tensão entre as autoridades regionais e centrais sobre responsabilidades na gestão da emergência.

Histórico da viagem e monitoramento internacional

O MV Hondius saiu da Argentina em abril com aproximadamente 170 pessoas a bordo. Após os primeiros casos, o navio permaneceu ancorado por dias próximo a Cabo Verde, que negou atracação. Países como Estados Unidos, Reino Unido, Suíça, Alemanha e África do Sul monitoram ex-passageiros que desembarcaram em portos anteriores, incluindo Santa Helena. Autoridades americanas em pelo menos cinco estados acompanham pessoas que retornaram antes da confirmação dos casos de hantavírus.

Medidas de segurança e repatriação dos passageiros

Cada passageiro será avaliado individualmente ao desembarcar, com equipes médicas equipadas com proteção adequada atuando no local. Aqueles sem sintomas poderão seguir para repatriação imediata. Contato com a população local está completamente proibido durante toda a operação. Espanhóis a bordo, em número pequeno, seguirão para hospital militar em Madri para isolamento e monitoramento contínuo.

A desinfecção completa do navio ocorrerá após a evacuação de todos os passageiros e tripulantes. Monitoramento de contatos recentes será mantido por autoridades de saúde em coordenação com organismos internacionais. Especialistas lembram que o hantavírus causa sintomas semelhantes a gripe e pode evoluir para problemas respiratórios graves, com taxa de mortalidade que varia conforme a cepa do vírus. A empresa Oceanwide Expeditions opera o cruzeiro de expedição e coordena com autoridades o retorno seguro de todos os envolvidos.

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