Uma diretora executiva do JPMorgan Chase foi processada por um colega júnior após denúncias de assédio sexual, coerção profissional e discriminação racial. A ação foi protocolada no Tribunal Supremo do Condado de Nova York em 27 de abril. Lorna Hajdini, 37 anos, é acusada de abuso sexual, assédio racial e ameaças explícitas contra a carreira do banqueiro, identificado como “John Doe”. Segundo o processo, a executiva teria se referido ao colega como “garoto indiano moreno” e o coagido a manter relações sexuais não consensuais sob pena de sabotagem profissional.
Início do assédio e progressão das investidas
As acusações indicam que o assédio começou na primavera de 2024, logo após Hajdini e o colega iniciarem uma colaboração profissional. Um dos primeiros incidentes descritos no processo envolveu a diretora roçando a perna do banqueiro e apertando sua panturrilha após derrubar uma caneta. Ela teria feito comentários sobre jogadores de basquete, afirmando que a deixavam “tão excitada”. As investidas se tornaram progressivamente mais explícitas nos meses seguintes.

Em um encontro para beber, quando o colega recusou o convite, Hajdini teria proferido uma ameaça direta: “Se você não transar comigo logo, vou te arruinar, nunca se esqueça, você me pertence.” O padrão de comportamento evidencia uma escalada deliberada de pressão sexual combinada com coerção profissional, segundo a denúncia.
Ameaças e manipulação da carreira profissional
O processo alega que Hajdini utilizou avaliações de desempenho como ferramenta de pressão para coagir o colega. Em setembro de 2024, ela teria intensificado as ameaças, afirmando: “Eu sou seu dono! Vou te fazer pagar. Você acha que vai se dar bem se não me tiver do seu lado? Você realmente acha que a gerência quer algum indiano moreno liderando as produções? Se você não me foder até eu perder a cabeça hoje à noite, vou sabotar sua promoção.”
Essas declarações criaram um ambiente de medo e submissão, segundo a ação. O banqueiro cedeu aos pedidos de encontro apesar de sua relutância inicial, temendo represálias severas que comprometessem sua carreira no banco. Uma testemunha hospedada em quarto adjacente teria ouvido seus protestos durante um desses encontros, percebendo seu desconforto.
Uso de substâncias e abuso durante encontros forçados
- Administração de Rohypnol (droga do estupro) sem consentimento.
- Uso de substância farmacêutica para provocar ereção.
- Prática de sexo oral contra a vontade da vítima.
- Insultos raciais direcionados à esposa do colega.
- Humilhação verbal durante atos sexuais não consensuais.
Hajdini teria posteriormente admitido para “John Doe” que o havia drogado em uma das ocasiões, utilizando Rohypnol e uma substância que provoca ereção. Ela alegou que o objetivo era garantir seu desempenho durante os encontros sexuais forçados, revelando um padrão deliberado de manipulação e controle. Durante um desses encontros no apartamento da vítima, a diretora teria se despido e começado a apalpar seus próprios seios enquanto praticava assédio físico.
Insultos raciais e humilhação extrema
O processo descreve momentos de extrema humilhação durante o assédio. Hajdini teria feito comentário depreciativo sobre a esposa asiática de Doe, chamando-a de “cabeça de peixe” e comparando-a desfavoravelmente. Ela retirou à força as calças do colega e praticou sexo oral nele contra sua vontade. Quando Doe começou a chorar diante da situação traumática, Hajdini o repreendeu duramente, dizendo: “Pare de chorar, seu idiota. Você acha que alguém acreditaria em você? Você é um babaca que se acha o máximo, mas nem consegue ficar excitado por minha causa? Que merda é essa?”
Essas falas, segundo a ação, reforçam o ambiente de intimidação e a crueldade do assédio. O comportamento demonstra desprezo completo pelo sofrimento da vítima e pela natureza não consensual dos atos praticados.
Resposta do JPMorgan e busca por indenização
Em maio de 2025, “John Doe” formalizou queixa por escrito ao JPMorgan Chase, detalhando a discriminação racial, o assédio constante e o padrão de abuso sexual grave. O banco respondeu negando as alegações, afirmando que investigação interna não encontrou evidências que as corroborassem de forma satisfatória. Um porta-voz do JPMorgan declarou: “Após uma investigação, não acreditamos que haja qualquer fundamento nessas alegações.”
O banco complementou a resposta afirmando que vários funcionários cooperaram com a investigação, mas o denunciante se recusou a participar e negou-se a fornecer fatos essenciais para sustentar suas alegações. Essa postura é contestada pela defesa de Doe. O advogado Daniel J. Kaiser ressaltou o impacto devastador do tratamento supostamente recebido. Doe não conseguiu encontrar outro emprego após os eventos, enfrentando dificuldades financeiras e de reinserção no mercado. A ação busca indenização por lucros cessantes, sofrimento emocional, danos à reputação e danos punitivos, além de mudanças nas práticas internas do banco.
Perfil profissional de Lorna Hajdini
Lorna Hajdini possui quase 15 anos de experiência no JPMorgan Chase, conforme seu perfil no LinkedIn. Formada em Finanças e Estatística pela NYU Stern School of Business, ela ocupa o cargo de Diretora Executiva na divisão de Financiamento Alavancado do banco. Sua trajetória inclui experiência como vice-presidente em diversos setores, entre eles bens de consumo, varejo, indústria farmacêutica, tecnologia médica, logística, aeroespacial e defesa. Hajdini também participou do programa de Private Equity e Venture Capital na Harvard Business School Executive Education, indicando formação contínua. Antes de sua longa passagem pelo JPMorgan, realizou estágios na Glazer Capital Management e na Tudor Investment Corporation. Atualmente, Hajdini permanece empregada no banco enquanto a ação judicial segue seu curso.