Anvisa libera prescrição simplificada de cannabis medicinal e abre caminho para exportação

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cannabis - Foto: IURII BUKHTA/istock

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou nesta quarta-feira uma resolução que transforma o acesso a produtos de cannabis medicinal no Brasil. A medida simplifica o processo de prescrição e autoriza pela primeira vez a exportação de plantas cultivadas no país. O texto foi divulgado no Diário Oficial da União e marca avanço regulatório desde a liberação do cultivo para fins medicinais em fevereiro.

Receita branca substitui modelos mais rigorosos

Produtos com teor de THC igual ou inferior a 0,2% agora usam a Receita de Controle Especial, documento branco com duas vias. Uma via permanece retida na farmácia e a outra segue com o paciente. Esse modelo já é utilizado há anos para antidepressivos e alguns ansiolíticos, reduzindo barreiras burocráticas para quem precisa do medicamento.

Anvisa – Foto: madamF / Shutterstock.com

A mudança elimina a necessidade de receitas amarelas ou azuis, que possuem validade menor e controle mais rigoroso. A tarja preta deve sair gradualmente das embalagens, embora a norma permita compra com a receita nova mesmo em produtos com rotulagem antiga. Médicos habilitados continuam sendo os únicos autorizados a prescrever, com acompanhamento clínico obrigatório durante todo o tratamento.

Exportação abre oportunidade de mercado global

Empresas brasileiras podem agora cultivar cannabis sativa para venda internacional, desde que as variedades contenham THC de até 0,3%. Produtores precisam comprovar demanda externa com contratos ou documentos formais antes de iniciar operações. O cultivo de plantas com THC acima de 0,3% permanece restrito exclusivamente a pesquisa científica.

Operações de exportação passam por fiscalização rigorosa em portos e aeroportos, com rastreabilidade completa do material. A medida posiciona o Brasil como fornecedor potencial em um segmento que cresce em diversos países, alinhando-se com convenções internacionais sobre substâncias controladas. A Anvisa enquadra o material de baixo THC nas regras de controle especial, garantindo segurança nas transações internacionais.

Principais mudanças na regulação

  • Produtos com THC até 0,2% usam receita branca de controle especial em vez de receitas amarelas ou azuis
  • Cultivo para exportação exige THC máximo de 0,3% e comprovação de demanda internacional
  • Prescrição por veterinários liberada para animais com produtos regularizados e registrados
  • Fiscalização mantém controle em todas as etapas de produção, dispensação e venda
  • Tarja preta cede lugar gradualmente a rotulagem de menor restrição nas embalagens

Extensão para medicina veterinária

A resolução autoriza médicos veterinários a prescrever medicamentos e derivados de cannabis para animais. Os produtos precisam ter autorização sanitária e registro no Ministério da Agricultura e Pecuária. A receita segue modelo similar ao utilizado na saúde humana, com uma via retida no estabelecimento autorizado e outra entregue ao tutor do animal.

Pacientes e tutores recebem informações claras sobre riscos e benefícios antes do tratamento. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido continua obrigatório, integrando o setor veterinário ao sistema de vigilância já consolidado na saúde humana.

Impacto na oferta e acesso

A simplificação da prescrição pode reduzir custos e burocracia para pacientes que enfrentavam dificuldades de acesso com as receitas antigas. Farmácias e distribuidoras precisam se adequar às novas exigências de dispensação e rastreabilidade. A Anvisa reforça que produtos sem registro sanitário seguem proibidos, mantendo vigilância sobre a qualidade e segurança de tudo que chega ao mercado.

Profissionais de saúde recebem orientações para prescrição responsável, com foco permanente em segurança e qualidade. A norma atualiza o marco regulatório que existia desde 2019, dando previsibilidade ao setor e ampliando opções terapêuticas para casos onde outros tratamentos não funcionam adequadamente.

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