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Obsessão estreia nos cinemas e reforça ascensão de Curry Barker no terror

Obsessão - reprodução
Obsessão - reprodução

Quarenta e oito horas após a estreia nacional, Obsessão já divide opiniões e conquista salas de cinema pelo país. O longa de terror psicológico escrito, dirigido e editado por Curry Barker transforma um simples desejo romântico em uma armadilha de controle e perda de autonomia.

A produção, que recebeu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Sitges, na Espanha, chega com distribuição da Universal Pictures Brasil. O filme de baixo orçamento acumula elogios da crítica internacional por sua abordagem madura sobre relacionamentos tóxicos.

Barker acumula funções e consolida estilo próprio

Curry Barker, cineasta de 26 anos, assina não apenas o roteiro e a direção, mas também a edição e a composição da trilha sonora original. Ele divide a produção e a fotografia com Cooper Tomlinson, seu parceiro no canal de humor negro that’s a bad idea no YouTube. O trabalho anterior da dupla, Milk & Serial, já havia chamado atenção por mesclar comédia e desconforto.

A montagem precisa e o uso constante de penumbra criam uma atmosfera opressiva. Cenas de violência impressionam pela intensidade emocional, enquanto breves momentos de humor negro aliviam a tensão por segundos antes de devolvê-la com força. A fotografia de Taylor Clemons reforça o clima sufocante sem depender de excesso de gore.

Trama inverte papéis e evita clichês do gênero

Bear, interpretado por Michael Johnston, é um funcionário tímido de loja de instrumentos musicais que nutre paixão platônica por Nikki Freeman, vivida por Inde Navarrette, há sete anos. Sem coragem de se declarar, ele compra um objeto místico chamado Salgueiro dos Desejos e pede que ela o ame acima de tudo.

O desejo se realiza imediatamente, mas o resultado se torna um pesadelo. Nikki perde a autonomia e passa a existir apenas para Bear, presa em obsessão doentia. Aos poucos, a dinâmica se inverte. Ela se torna ciumenta, possessiva e violenta, transformando o homem em prisioneiro de seus impulsos.

  • Bear adquire o Salgueiro dos Desejos em loja esotérica
  • O pedido concede amor obsessivo de forma instantânea
  • Nikki tem a personalidade anulada pela magia
  • A possessividade evolui para agressividade física e emocional
  • O sonho romântico vira prisão mútua sem mocinhos ou vilões

O filme não oferece julgamento fácil. Os atos de Bear, que priorizou o desejo próprio, são tão condenáveis quanto os de Nikki. Ao narrar a história pela perspectiva masculina, Barker inverte convenções do terror e ilustra dinâmicas abusivas de forma direta e contemporânea.

Elenco entrega performances intensas

Inde Navarrette, conhecida por 47 episódios da série Superman e Lois no papel de Sarah Cushing, traz fisicalidade e transições emocionais precisas. Michael Johnston, que atuou como Corey Bryant em Teen Wolf, equilibra vulnerabilidade e responsabilidade na construção do personagem. A trilha de Rock Burwell amplifica o contraste entre ilusão inicial e horror real.

Recepção positiva pavimenta carreira de Barker

Obsessão estreou na seção Midnight Madness do Festival de Toronto e seguiu com boa repercussão em outros eventos internacionais. Críticos comparam o diretor a nomes como Jordan Peele, Ari Aster e os irmãos Philippou por sua capacidade de misturar horror psicológico com reflexão social.

O longa tem 108 minutos e classificação indicativa para maiores de 18 anos. A experiência exige estômago firme para as cenas de desconforto psicológico e disposição para refletir sobre os limites do desejo e do controle em relacionamentos.

Barker já tem agenda cheia. Ele dirigirá em breve Anything But Ghosts, com Aaron Paul, Bryce Dallas Howard e Violet McGraw, e assumirá um novo título da franquia O Massacre da Serra Elétrica.

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