Renault e Geely desenvolvem motor híbrido com eficiência de 44,2% e consumo de 3,3 litros

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Renault - Yusia13/ Shutterstock.com

A joint venture Horse Powertrain, controlada por Renault e Geely, apresentou um motor híbrido capaz de atingir consumo inferior a 3,3 litros por 100 quilômetros em ciclo WLTP. O projeto H12 Concept alcança eficiência térmica de 44,2%, superando significativamente os 35% a 40% típicos de motores a gasolina convencionais. A tecnologia utiliza combustível 100% renovável produzido pela Repsol, marcando avanço importante na redução de emissões sem necessidade de eletrificação completa.

Inovações técnicas no motor três cilindros turbo

O H12 Concept parte de uma base consolidada: o motor HR12, um três cilindros turbo fabricado em Valladolid, Espanha. Os engenheiros da Horse Technologies implementaram modificações estruturais que transformaram o desempenho do propulsor. A taxa de compressão foi elevada para 17 para 1, enquanto o sistema de recirculação de gases de escape recebeu redesenho completo para otimizar a combustão interna.

montadora chinesa Geely – Pavel Shlykov / Shutterstock.com

O pacote de melhorias inclui turbocompressor otimizado com calibração específica, sistema de ignição de alta energia e transmissão híbrida integrada que reduz perdas mecânicas durante o funcionamento. Lubrificantes desenvolvidos pela Repsol diminuem o atrito interno do motor, permitindo cortar o consumo em aproximadamente 40% comparado à média de carros a gasolina novos comercializados na Europa em 2023.

  • Taxa de compressão elevada a 17:1 para melhor aproveitamento de combustível
  • Recirculação de gases EGR completamente redesenhada
  • Turbocompressor com calibração específica para eficiência máxima
  • Sistema de ignição de alta energia integrado
  • Transmissão híbrida com gerenciamento otimizado de potência
  • Lubrificantes de baixa fricção para redução de perdas internas

Validação em testes reais na Espanha

Protótipos do H12 Concept rodaram o trajeto entre Valladolid e Móstoles para validar o desempenho em condições reais de estrada. Os testes confirmaram os números alcançados em ciclo padronizado WLTP, com consumo permanecendo abaixo de 3,3 litros por 100 quilômetros. As emissões de CO₂ atingiram aproximadamente 76 gramas por quilômetro, resultando em redução de 1,77 tonelada de CO₂ por ano para um veículo que rode 12.500 quilômetros.

O combustível utilizado nos testes, denominado Nexa 95, é produzido pela Repsol a partir de resíduos orgânicos, óleos usados e gorduras animais. Esse combustível renovável não depende de petróleo bruto e pode ser abastecido em motores a gasolina atuais sem qualquer modificação mecânica. A disponibilidade já existe em postos de combustível na Espanha, com octanagem mantida em 95 e conformidade com especificações internacionais.

Estrutura da joint venture e capacidade produtiva

A Horse Powertrain opera como sociedade entre Renault Group e Geely, cada uma detendo 45% das ações. A Saudi Aramco adquiriu os 10% restantes no final de 2024, consolidando a participação de um ator global do setor energético. A empresa fornece powertrains para marcas como Volvo, Nissan e Mitsubishi, além das controladoras diretas. A capacidade anual de produção aproxima-se de 5 milhões de motores, escala que pode acelerar significativamente a adoção caso o conceito avance para produção em série.

Atualmente, cerca de 97% da frota europeia ainda utiliza motores a combustão, criando mercado potencial substancial para tecnologias que melhorem eficiência sem exigir troca completa da frota por veículos elétricos. O foco estratégico está em híbridos plug-in, onde o motor a combustão opera após o esgotamento da bateria, oferecendo autonomia estendida e redução de emissões.

Planos de comercialização e próximos passos

A Horse Powertrain planeja apresentar demonstradores em veículos reais para o início de 2026. Modelos de Renault, Dacia ou Geely podem receber versões derivadas do H12 Concept no futuro, embora nenhum cronograma oficial de produção em massa tenha sido divulgado até o momento. O projeto reforça a estratégia conjunta de Renault e Geely de manter motores a combustão competitivos e eficientes enquanto a eletrificação avança globalmente, oferecendo ganhos ambientais imediatos sem transformação radical da infraestrutura automotiva existente.

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