O debate sobre a convocação de Neymar para a Copa do Mundo de 2026 ganha novos contornos com as lesões de Rodrygo e Militão, que deixam vagas abertas no elenco ofensivo. A ausência dos dois atacantes transforma o atacante do Santos de aposta emocional em alternativa técnica concreta, segundo análise sobre a formação do grupo brasileiro. Ancelotti sinaliza que poderia usar Neymar de forma diferente: mais centralizado e perto do gol, sem necessidade de atuar os 90 minutos.
A questão não é nova, mas o contexto mudou. Três fatores específicos reforçam o argumento pela inclusão do atacante na lista final.
Neymar segue único no elenco com trajetória de elite
Ninguém no elenco chegou perto de ser o melhor do mundo como fez Neymar durante sua carreira. O técnico reconhece essa singularidade e garantiu à imprensa que o atacante “ainda pode ser importante para a Seleção”. Vinicius Júnior é o mais próximo, mas mesmo assim não alcançou o mesmo patamar. Essa característica de talento cristalizado pesa numa competição onde o Brasil busca encerrar 24 anos sem título mundial.
O treinador resumiu numa palavra o que considera essencial para ganhar uma Copa: talento. Neymar carrega justamente isso em sua ficha.
Impacto reduzido pode decidir jogos
A maior defesa pela convocação de Neymar não se baseia em minutagem full. A ideia é utilizá-lo como alternativa de impacto — um jogador capaz de virar um jogo em dez minutos com um passe criativo, uma falta bem cobrada ou até um pênalti convertido. Ancelotti sinalizou essa possibilidade ao The Guardian, indicando um papel diferente dentro do esquema tático.
Os dados recentes reforçam a viabilidade. No Al-Hilal, com poucos minutos de campo, Neymar participou diretamente de três gols em sete jogos. Em 2024, pelos Santos, disputou 13 partidas, marcou 6 gols e distribuiu 3 assistências. O histórico também fala: na Copa de 2022 contra a Croácia, mesmo machucado, ele foi decisivo.
Vestiário como fator interno
Por mais críticas que enfrente externamente, Neymar é querido dentro do grupo. Ancelotti citou essa dinâmica com frequência em entrevistas, reforçando que “Neymar é muito querido”. Ao The Athletic, o técnico enfatizou que a atmosfera do vestiário é “a parte mais importante” de qualquer equipe. Numa Copa com cinco ou seis semanas de concentração, um jogador experiente e respeitado genuinamente pelos companheiros agrega valor além do campo.
Onde Neymar se encaixa na lista
As saídas por lesão abrem espaço concreto. Rodrygo e Militão deixam vagas no setor ofensivo, reduzindo as opções de Ancelotti. A competição pela vaga restante é tripla:
- João Pedro, do Chelsea, jovem e talentoso
- Pedro, centroavante do Flamengo
- Neymar, veterano com histórico de decisões
Com duas vagas perdidas para lesão e uma terceira disponível, Neymar deixou de ser luxo emocional e virou peça tática viável no quebra-cabeça do técnico.
O precedente de 2002
O debate atual recupera memória de 2002, quando Romário enfrentou controvérsias semelhantes antes da Copa. Naquela ocasião, o atacante foi convocado e ajudou o Brasil a vencer. O paralelo ressurge porque, como então, estamos diante de um veterano cuja experiência e talento excepcional podem fazer diferença numa competição de curta duração.
A decisão sobre Neymar será construída nas próximas semanas. A Copa do Mundo chegará, com ou sem ele.

