Apple exibe vídeos imersivos em evento de formação profissional na AFTRS

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Apple - Vytautas Kielaitis/ Shutterstock.com

A Main Course Films apresentou dois projetos de vídeo imersivo da Apple para alunos de mestrado da Escola Australiana de Cinema, Televisão e Rádio (AFTRS) em um evento que distribuiu 20 headsets Vision Pro entre os participantes. A sessão de segunda-feira marcou um dos maiores usos da tecnologia em ambiente educacional, com cineastas Ben Allan e Clara Chong conduzindo os estudantes pela jornada de produção audiovisual imersiva antes da exibição prática dos filmes.

O evento reuniu produtores, diretores e pós-produtores para explorar as possibilidades criativas do Apple Immersive Video (AIV), um formato que coloca o espectador no centro da narrativa. Os trabalhos apresentados refletem a evolução técnica e artística dessa nova linguagem cinematográfica, que combina câmeras especializadas, design de som espacial e ferramentas de edição de última geração.

Os filmes apresentados e suas características técnicas

“Thé Fine Dining Bakery” acompanha o confeiteiro Christopher Thé durante o funcionamento de sua cafeteria-padaria em Stanmore, documentando seus processos de criação com ingredientes nativos australianos. O curta-documentário foi filmado integralmente com a câmera URSA Cine Immersive da Blackmagic Design e editado com os recursos Apple Immersive no software DaVinci Resolve Studio, aproveitando tecnologias de som espacial através do Apple Spatial Audio Format (ASAF).

“The Dobos Connection” funciona como drama imersivo independente, produzido em colaboração com o Motus Lab da Universidade de Sydney. O filme centra-se em dois personagens que compartilham um encontro inesperado enquanto provam um bolo tradicional húngaro. Segundo Clara Chong, diretora de ambos os projetos, a produção foi construída em torno da presença emocional dos atores e de sequências de tomadas que maximizam a autenticidade das performances em um formato que elimina o foco seletivo convencional.

Apple logo -pio3/shutterstock.com

Desafios criativos e técnicos da produção imersiva

As perguntas formuladas pelos alunos durante a sessão refletiram os dois pilares da produção audiovisual imersiva: aproximadamente 70% abordavam elementos narrativos como roteiro, direção de arte e ritmo de edição específico do formato, enquanto 30% cobriam questões técnicas sobre ambisonics, correção de cores e diferenças entre sistemas de áudio como Dolby Atmos e ASAF. Ben Allan destacou que as dificuldades enfrentadas na produção de vídeo imersivo não diferem fundamentalmente dos desafios históricos vividos pela tecnologia IMAX, que precisou superar barreiras de custo e qualidade sonora antes de se consolidar como formado premium.

Chong enfatizou que os obstáculos do vídeo imersivo estão associados à necessidade de manter qualidade profissional enquanto se experimenta um formato nascente. A comparação com a evolução do IMAX serviu como parâmetro: câmeras IMAX foram historicamente caras e ruidosas para captura de diálogos em set, dificuldades que eventualmente agregaram prestígio ao formato. De forma semelhante, a complexidade da produção em AIV representa não apenas desafios técnicos, mas uma oportunidade de consolidar esse novo meio como ferramenta de expressão cinematográfica de alto padrão.

A perspectiva comercial e de mercado

Allan argumentou que o AIV para streaming equivale ao que IMAX representa para o cinema tradicional: a versão extrema e envolvente de um meio. Projeções recentes sobre IMAX reforçam a viabilidade comercial dessa lógica: a tecnologia arrecadou US$ 1,28 bilhão em bilheteria global em 2025 e está prevista para gerar US$ 1,4 bilhão em 2026, impulsionada por títulos como “A Odisseia” de Christopher Nolan, “Duna: Parte Três”, “The Mandalorian” e “Grogu”. Esse crescimento sustentado sugere que públicos estão dispostos a pagar significativamente por experiências cinematográficas imersivas em larga escala.

Recepção acadêmica e experiência prática

Mark Ward, professor do mestrado em Som e coordenador da disciplina de Pesquisa e Desenvolvimento da AFTRS, descreveu a sessão como oportunidade excepcional para aprendizado vivencial. Segundo Ward, o Apple Immersive Video é um formato que requer experiência direta: leitura ou descrição textual são insuficientes para compreender o impacto narrativo e técnico do meio. A estrutura do evento permitiu que alunos do primeiro ano do mestrado transitassem de forma assistida da compreensão teórica da cinematografia tradicional para a prática imersiva, com suporte da equipe de facilitadores da Apple durante toda a sessão de perguntas e respostas que se seguiu às exibições.

Desenvolvimento histórico do projeto

O alcance dessa demonstração em contexto educacional representa escalada significativa no histórico de exibições públicas do Apple Immersive Video. Um ano antes, o mesmo estúdio Immersive Flashback produziu documentário sobre o Dia da Bastilha que acompanhava o presidente Emmanuel Macron de forma imersiva, utilizando 15 headsets Vision Pro em evento realizado na França. A sessão de segunda-feira na AFTRS expandiu esse número para 20 dispositivos, reafirmando a trajetória de crescimento na adoção da tecnologia em contextos profissionais e educacionais.

As duas produções apresentadas foram escritas, dirigidas e editadas por Clara Chong, com Ben Allan exercendo papéis de produtor, diretor de fotografia e colorista. A infraestrutura de pós-produção mobilizou ferramentas de topo de linha, incluindo estação de trabalho áudio digital Fairlight para design de som totalmente imersivo, consolidando a demonstração como exemplo completo da cadeia de produção contemporânea em vídeo imersivo.

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