Técnico do PSG Luis Enrique guarda ressentimento de Sporting de Gijón por oportunidade perdida

Luis Enrique - Instagram/luisenrique_2121

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Luis Enrique abriu o coração sobre o passado profissional às vésperas da final da Champions League entre Paris Saint-Germain e Arsenal, marcada para sábado (30), na Puskás Arena. Em entrevista ao jornal espanhol La Nueva España, o treinador do PSG revelou a mágoa que ainda guarda do Sporting de Gijón, clube onde iniciou como jogador e que, segundo ele, desperdiçou a oportunidade de investir em seu trabalho no começo da jornada como técnico.

Nascido em Gijón, no norte da Espanha, Luis Enrique contou que desejava comandar o clube asturiano antes de receber a oportunidade no Barcelona B, onde começou sua trajetória à beira do campo. O treinador comparou a postura dos dois clubes e afirmou que o Barça acreditou nele em um momento no qual ainda era desconhecido como técnico.

O que poderia ter sido diferente

“O Sporting perdeu uma grande oportunidade ao não me dar o cargo no início. Agora, até meu pai está apostando em Luis Enrique como treinador, claro, isso é normal. A oportunidade surgiu quando eu era um ninguém, um ninguém entre aspas. Bem, sim, como treinador eu era um ninguém. Foi isso que o Barça fez, me dando o time B”, afirmou Luis Enrique durante a conversa. O técnico destacou que a decisão do Barcelona de apostar em seu potencial abriu portas que o Sporting deixou fechadas.

A reflexão revela um ponto de virada em sua carreira. Enquanto o clube espanhol mantinha a cautela, o gigante catalão oferecia a chance que faltava. Dessa plataforma no Barcelona B, Luis Enrique ascendeu para comandar o time principal, acumulando títulos e consolidando sua reputação no futebol europeu.

O medo de retornar à cidade natal

Apesar do carinho pela cidade natal, Luis Enrique admitiu que teme assumir o Sporting e viver uma relação desgastante com a torcida. O treinador citou o caso de “Pitu” Abelardo, ídolo do clube que enfrentou críticas durante suas passagens como treinador.

“Tenho pavor de fracassar na minha cidade natal. Vi o Pitu, que não fracassou, triunfou como jogador e treinador. Mas ele foi criticado e expulso do Sporting. Eu, que vivi tão pouco em Gijón, apenas meus primeiros 20 anos… se eu for para Gijón e me expulsarem, acho que me jogarei do Morro de Santa Catalina”, disse em tom forte.

O comentário evidencia a pressão psicológica que envolveria uma eventual volta ao clube de origem. Luis Enrique reconhece que, mesmo com sucesso comprovado em outras instituições, regressar a Gijón traria expectativas imensuráveis. A torcida local esperaria resultados imediatos, e qualquer desempenho aquém das expectativas poderia resultar em rejeição da mesma base que um dia o viu começar.

A realidade atual do Sporting de Gijón

O cenário do Sporting de Gijón pouco favorece uma eventual contratação de um treinador de classe mundial. Atualmente, o clube ocupa apenas a 12ª colocação da segunda divisão espanhola, com 55 pontos, longe da disputa pelo acesso. O líder é o Racing Santander, com 78 pontos, mantendo o Sporting distante dos objetivos de promoção.

A distância entre os patamares competitivos também preocupa Luis Enrique. Ele deixou claro que, neste momento da carreira, se sente confortável apenas em clubes de elite do futebol europeu. O técnico destacou que teria dificuldade em assumir um projeto distante das primeiras posições.

Preferência por elite europeia

“Estou acostumado ao mais alto nível agora, que é onde me sinto mais confortável. Não posso descartar a possibilidade, mas também não a considero viável. Se Pitu teve dificuldades, não quero nem imaginar Luis Enrique com o time lutando contra o rebaixamento. Eu preferiria que fosse na Primeira Divisão”, completou Luis Enrique.

A declaração marca posição clara sobre seu futuro profissional. O técnico sinalizou que, independentemente da lealdade emocional a Gijón, suas escolhas futuras priorizarão competições de ponta e projetos com recursos comparáveis aos que desfrutou no PSG e em outras instituições de elite. A nostalgia, portanto, não sobrepuja a ambição competitiva que caracteriza sua trajetória nos últimos anos.

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