007: First Light oferece jogabilidade imersiva com ação e stealth da IO Interactive

007 First Light

007 First Light - Reprodução

A IO Interactive trouxe James Bond de volta aos videogames após 14 anos de ausência, marcada pelo lançamento de 007 Legends. 007: First Light apresenta uma versão jovem, impulsivo e rebelde do agente britânico, diferente do Bond veterano dos filmes com Daniel Craig. Esse recorte narrativo permite que jogadores se identifiquem com um personagem em desenvolvimento, conectando a curva de aprendizado do player com a do protagonista ao longo da campanha.

Narrativa com alegorias contemporâneas

A história inicia na Islândia com um começo morno, mas ganha tração quando Bond é recrutado pelo MI6 e passa pelo treinamento do programa 00. O jogo exala influência cinematográfica e traz críticas atuais sobre inteligências artificiais, sua capacidade de manipulação em diferentes camadas da sociedade e o poder militar que possuem. Há também uma crítica direta ao poderio exercido por bilionários. Personagens como Q, Moneypenny e Isola acompanham a jornada, embora o elenco, que inclui Lenny Kravitz, seja subutilizado. Os vilões não atingem o impacto de Le Chiffre ou Alec Trevelyan, mas cumprem seu papel de movimentar a trama.

Penetração e variedade em múltiplas abordagens

A principal força de 007: First Light está na jogabilidade. Infiltrar-se em locais oferece desafio e diversão, com herança clara da franquia Hitman. A missão da Eslováquia exemplifica bem isso: invadir um hotel de luxo onde ocorre um torneio de xadrez permite caminhos variados. O jogador pode enganar guardas, hackear sprinklers para deslocar inimigos, usar dardos nauseantes ou escalar sacadas. Essa multiplicidade de possibilidades incentiva rejogabilidade e desafios pessoais. O jogo linear oferece liberdade em suas trilhas.

Disfarces estão presentes, mas foram pouco explorados durante as 20 horas de gameplay, em contraste com o aproveitamento em Hitman. O sistema de stealth bebe em fontes conhecidas:

  • Marvel’s Spider-Man (Insomniac Games) — mecânicas de furtividade
  • Watch Dogs (Ubisoft) — abordagem tecnológica
  • Batman: Arkham — DNA do combate corpo a corpo
  • Uncharted (Naughty Dog) — design de colecionáveis e tiroteios

Os gadgets de Q funcionam bem: relógio para hackear, câmera de onda de choque, mina de atordoamento e dardos nauseantes. O limite de 4 ferramentas simultâneas frustra, mas mantém decisões estratégicas. A barra de adrenalina regula atrações, blefes e tiroteios.

Combate direto e mecânica de “Licença para Matar”

Quando o stealth falha, socos e tiros ganham peso. Adam Vincent, designer líder de combate da série Batman: Arkham, cuidou das animações. Os abates furtivos, o sistema de ataque, contra-ataque e agarrões refletem o DNA Arkham. Lutas contra múltiplos guardas são eletrizantes, embora desafiadoras. Vencer um confronto apenas no soco contra 5 ou mais adversários é satisfatório.

007: First Light não oferece liberdade total de tiro. Mas quando o inimigo inicia confronto letal, o jogo entra no modo “Licença para Matar”, liberando disparo contínuo. A inteligência artificial dos inimigos decepciona: insistem em atravessar portas sem cobertura mesmo após perdas recentes, tornando o combate menos recompensador. A cartilha de terceira pessoa aparece: cobertura, disparo, corrida para coletar munição, arma descarregada na cara do inimigo, soco, volta ao tiro. Sessões de ação brilham mas ocorrem com menor frequência que combate corpo a corpo.

O Simulador Tático adiciona profundidade, replicando situações de combate em desafios que remetem às missões RV de Metal Gear Solid.

Condução e apresentação técnica

Veículos integram a gameplay com perseguições eletrizantes. A direção não é primorosa e falta sensação de velocidade em algumas sequências, mas oferece diversão. Controlar um Batmóvel-like no final é impactante, embora dure pouco.

Gráficos impressionam em cenários lindos, rodando a 60fps no PS5 Pro sem bugs frustrantes. Texturas ocasionalmente carregam tarde ou não carregam (aspecto 140p), mas a IO Interactive entrega trabalho sólido. Música emblemática reforça a identidade de Bond. Jogabilidade brilha sem inovação disruptiva.

Nostalgia da sétima geração com qualidade moderna

007: First Light carrega nostalgia dos jogos de ação da sétima geração de consoles—Uncharted, Gears of War, Batman: Arkham. Demonstra que esse gênero ainda diverte e merece retorno frequente. Maio de 2026 trouxe este title junto com LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight, revitalizando essa sensação.

Melhor jogo do personagem em potencial, 007: First Light não terá o impacto cultural de 007: GoldenEye do Nintendo 64, mas disputa posição com o clássico FPS por qualidade em múltiplos aspectos.