Câmara avança com PEC que prevê fim da escala 6×1 e redução para 40 horas semanais em 2027

Carteira de Trabalho, aposentadoria

Carteira de Trabalho, aposentadoria - Foto: JERO SenneGs/ Istockphoto.com

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil registra avanço concreto. O Congresso Nacional debate a Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1. O texto em tramitação prevê a transição para um modelo com dois dias de descanso semanal. Parlamentares intensificaram as negociações na última segunda-feira, 25 de maio de 2026.

O acordo costurado entre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabelece prazos claros. A mudança ganha contornos mais definidos após reunião no Palácio do Planalto. O relator Leo Prates apresentou o parecer na comissão especial no mesmo dia.

Acordo define cronograma de transição para nova jornada

O presidente da Câmara, Hugo Motta, confirmou os pontos centrais do texto. Sessenta dias após a promulgação da PEC, a jornada cai de 44 para 42 horas semanais. A escala 6×1 dá lugar ao modelo 5×2, com dois dias de descanso.

Doze meses depois, a carga horária chega a 40 horas semanais. A proposta mantém a proibição de redução salarial. Essa estrutura busca equilibrar as demandas dos trabalhadores com a necessidade de adaptação das empresas.

O relator Leo Prates incorporou o acordo no parecer apresentado na comissão especial. Deputados de diferentes partidos acompanharam as discussões. A expectativa é de votação na comissão ainda nesta semana.

Pontos inegociáveis no texto da PEC

Três elementos formam o núcleo da proposta segundo Hugo Motta. A redução da jornada, o fim da escala 6×1 e a garantia de salário integral são considerados inegociáveis. O texto final deve preservar esses aspectos.

A alteração constitucional exige quórum de três quintos dos parlamentares em dois turnos, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. O rito inclui análise em comissões e possibilidade de emendas. O calendário de 2026 influencia o ritmo das votações.

Mesmo após aprovação, as novas regras têm vigência programada. O período de transição evita disrupções bruscas na operação das empresas. Representantes do setor produtivo participaram de audiências para apresentar contribuições.

Impactos para setores intensivos em mão de obra

Comércio varejista, bares, restaurantes e indústrias acompanham o debate com atenção. A redução de horas sem corte salarial eleva custos operacionais. Pequenas e médias empresas, principais geradoras de empregos formais, pedem tempo para ajustes.

  • Adaptação de escalas e contratações adicionais para cobrir folgas
  • Renegociação de contratos de fornecimento e custos fixos
  • Possível repasse de custos para preços de produtos e serviços
  • Manutenção da competitividade frente ao mercado externo
  • Flexibilidade via acordos coletivos para setores específicos

Entidades patronais defendem que a transição gradual preserva a viabilidade dos negócios. O texto atual prevê janela de adaptação suficiente para reorganização interna.

Empresas de tecnologia e serviços testam modelos reduzidos

Companhias dos setores de inovação e serviços corporativos já realizam projetos pilotos com jornada menor. Os resultados preliminares indicam menor esgotamento profissional e maior retenção de talentos. A produtividade por hora trabalhada também apresenta ganhos.

Esses testes servem como referência, mas não se aplicam diretamente a segmentos tradicionais. Fábricas, supermercados e serviços essenciais dependem da mudança legal para implementar escalas semelhantes. A diferença entre realidades setoriais marca as discussões no Congresso.

Próximos passos da tramitação em 2026

A escala 6×1 segue válida até a conclusão do processo legislativo e publicação no Diário Oficial da União. O PL 1.838/2026, enviado pelo governo em regime de urgência, tramita em paralelo e pode complementar o debate.

Lideranças políticas e relatores acompanham o calendário. A comissão especial deve votar o parecer nos próximos dias. Em seguida, o texto segue para o plenário da Câmara e depois para o Senado. Sindicatos e associações comerciais monitoram cada etapa.

A proposta representa uma das alterações mais relevantes nas relações trabalhistas das últimas décadas. O equilíbrio entre qualidade de vida dos trabalhadores e sustentabilidade econômica das empresas continua no centro das negociações.

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