Hollywood recorda Marilyn Monroe por seus amigos próximos no centenário de nascimento da atriz

Marilyn Monroe

Marilyn Monroe - Reprodução

O legado de Marilyn Monroe, ícone de Hollywood, ganha nova perspectiva às vésperas de seu 100º aniversário. Confidentes e colegas refletem sobre a mulher por trás da persona pública, revelando uma face menos conhecida da estrela: a de uma amiga leal e empática. O centenário de seu nascimento é o ponto de partida para um novo documentário de rádio, prometendo desmistificar a imagem construída ao longo das décadas.

A vida de Monroe, marcada por 36 anos intensos, foi surpreendentemente rica em amizades. A capacidade de encontrar pessoas vivas para entrevistas, mais de seis décadas após sua morte, já indica a profundidade dessas relações. Embora sua imagem de símbolo sexual e deusa imortal do cinema sugira uma vida cercada apenas por admiradores patéticos, a realidade apontava para conexões genuínas e profundas.

Amizades femininas para além da imagem de sex symbol

Marilyn Monroe era conhecida entre seus círculos íntimos como uma “girl’s girl”, contrariando a percepção pública. Amy Greene, ex-modelo e viúva do fotógrafo Milton Greene, com quem Monroe fundou a Marilyn Monroe Productions (MMP) em 1955, compartilhou sua casa com a estrela por vários anos. A convivência gerou estranhamento entre outras mulheres, que questionavam a sanidade de Greene em abrigar a celebridade.

Greene, no entanto, sempre defendeu a pureza da relação, inicialmente focada na parceria de negócios e que evoluiu para uma amizade verdadeira. Ela recordava que nunca houve a preocupação de Monroe “ficar com Milton”, demonstrando a confiança mútua. As amizades femininas também se destacavam em seus filmes, como em “How to Marry a Millionaire”, de 1953, onde Monroe formava um trio com Lauren Bacall e Betty Grable, e em “Bus Stop”, primeira coprodução da MMP com Eileen Heckart.

  • Amizades e colaborações femininas destacadas:
  • * Amy Greene (confidente e colega em MMP)
    * Lauren Bacall (co-estrela em “How to Marry a Millionaire”)
    * Betty Grable (co-estrela em “How to Marry a Millionaire”)
    * Eileen Heckart (co-estrela em “Bus Stop”)
    * Jane Russell (co-estrela em “Gentlemen Prefer Blondes”)

Relação com Jane Russell e outras atrizes de Hollywood

A amizade de Monroe com Jane Russell em “Gentlemen Prefer Blondes” é um exemplo marcante. Apesar de Monroe receber apenas uma fração da remuneração de Russell, que ganhava 200.000 libras, uma afeição duradoura nasceu entre as duas. Russell, em sua autobiografia de 1985, “My Path and My Detours”, rememorou um dia na praia com amigas. Ela pensou em Marilyn, desejando sua presença naquele momento de risadas e partilha de problemas. O dia seguinte trouxe a notícia do falecimento de Monroe.

Marilyn também teve relações mais complexas com contemporâneas de Hollywood. Mamie Van Doren, atualmente com 95 anos, foi contratada pela Universal em 1953 como uma “resposta a Marilyn Monroe”. Van Doren descreveu Monroe como uma “pessoa adorável, sem maldade no corpo”, mas também revelou aspectos de rivalidade. Ela compartilhou em seu livro “You Thought I Was Dead” que, apesar das aparências, a cópia de estilo muitas vezes vinha de Monroe. Van Doren, no entanto, enfatizava a solidariedade entre ambas, enfrentando juntas as expectativas e pressões de um sistema de estúdios dominado por homens, principalmente sobre o que era esperado delas para conseguir papéis.

Conexões platônicas masculinas e visões artísticas

Embora as relações de Monroe com figuras como John F Kennedy tenham sido amplamente divulgadas, seus confidentes indicam que homens platônicos e colaboradores artísticos tiveram um significado mais profundo em sua vida. O fotógrafo Lawrence Schiller, com quem Monroe trabalhou em uma de suas sessões de fotos mais ousadas, lembra-se da compreensão de Monroe sobre luz e fotografia. A estrela idealizou a sessão de 1962 no set de seu último filme, “Something’s Got to Give”, como uma estratégia para reafirmar seu poder estelar. Schiller a descreveu como insuperável no entendimento da fotografia para si mesma.

Outro amigo de longa data foi Sam Shaw, o fotógrafo por trás da icônica imagem de Monroe com seu vestido branco esvoaçante sobre uma grade de metrô. Em seu livro póstumo “Dear Marilyn”, Shaw creditou o sucesso da foto à “elegância e senso puro de diversão” da atriz. As cartas entre eles revelam uma amizade calorosa e solidária, enraizada em paixões artísticas compartilhadas e infâncias difíceis. Para Monroe, a família Shaw tornou-se uma “família escolhida”. A filha de Shaw, Edie, nascida no mesmo dia de Monroe, recordou uma viagem ao circo com a estrela. Ela descreveu Marilyn como uma pessoa complexa, capaz de adaptar sua linguagem.

Legado e desmistificação da figura pública

Apesar da narrativa comum de que o desejo frustrado de Monroe por ser mãe foi central para sua tragédia, Amy Greene, com base em conversas íntimas, acreditava que seus sentimentos eram mais matizados. Monroe adorava a ideia de ter filhos, mas Greene a via como uma fantasia, considerando que a atriz não teria lidado bem com a maternidade, pois não era “do tipo dona de casa”.

No entanto, Monroe tinha crianças em sua vida e oportunidades de expressar amor maternal. No dia de sua morte, ela consolou seu ex-enteado Joe DiMaggio Jr. por um desabafo recente. As memórias de seus amigos pintam um retrato diferente da fábula sensacionalista. A Monroe que seus confidentes recordam era uma mulher alegre, engraçada e intelectualmente curiosa. O novo documentário “Bombshell: Five Faces of Marilyn Monroe” será transmitido pela BBC Radio 4 no Reino Unido a partir de 1º de junho às 13h45 BST.

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