A Ericsson considera a Copa do Mundo da FIFA de 2026 um palco fundamental para avaliar a capacidade das redes 5G em 16 cidades-sede na América do Norte. Este evento esportivo de grande escala servirá como um teste robusto para a infraestrutura de telecomunicações, exigindo que operadoras e fornecedores de equipamentos atendam à demanda de conectividade dos torcedores. Os padrões de tráfego esperados diferem significativamente de um jogo de futebol comum, distribuindo-se por diversas localidades e ao longo de vários dias.
Operadoras já estão reforçando suas redes, sobrepondo equipamentos macro, small cells e ativos temporários para aumentar a capacidade e a cobertura do 5G. A preparação intensiva visa garantir uma experiência de conectividade fluida para milhões de fãs. Esta estratégia multifacetada aborda os desafios únicos apresentados por um evento de tal magnitude.
Lições da turnê Eras de Taylor Swift
A turnê Eras de Taylor Swift forneceu aprendizados inesperados aos engenheiros da Ericsson, que agora aplicam essas lições na preparação para a Copa do Mundo da FIFA de 2026. Durante os shows da artista, o tráfego de uplink gerado pelos fãs foi de três a quatro vezes maior do que o observado em eventos esportivos típicos. Esse volume de dados, predominantemente de vídeos e fotos compartilhados, surpreendeu as previsões iniciais da empresa.
Peter Linder, chefe de liderança de pensamento da Ericsson Americas, mencionou a necessidade de “inverter a direção” do foco da rede para lidar com o grande volume de uploads. A equipe agiu rapidamente para preparar locais futuros da turnê, minimizando problemas de capacidade em shows subsequentes. Ele monitora há anos o comportamento da rede em grandes eventos, incluindo o Super Bowl, a IndyCar, a Fórmula 1 e as Olimpíadas de Paris. A experiência com o compartilhamento intensivo de áudio e vídeo nos shows de Taylor Swift revelou um novo perfil de uso que exige ajustes específicos na infraestrutura.
Desafios do tráfego disperso na Copa
A Ericsson espera que a capacidade de uplink seja bastante demandada durante a Copa do Mundo de 2026, mas o uso das redes móveis pelos fãs de futebol será distinto dos shows. Enquanto fãs de shows frequentemente usam a câmera do celular, torcedores de esportes tendem a acessar estatísticas e informações, focando mais na navegação. O tráfego da Copa do Mundo se mostrará mais disperso geograficamente e estendido no tempo.
O evento será realizado em 11 cidades nos EUA, três no México e duas no Canadá, contrastando com a concentração em um único local por poucas horas. Isso significa que a conectividade deve ser robusta não apenas nos estádios, mas em toda a área metropolitana. Equipamentos RAN da Ericsson já estão implantados em mais de 75% das cidades anfitriãs. A necessidade de fortalecer a rede de contatos na cidade e nos locais dos jogos é primordial, pois as pessoas se deslocam constantemente. Os preparativos para eventos como a Copa do Mundo geralmente começam com cerca de um ano de antecedência.
Pagamentos e produção de mídia reforçam exigência
A garantia de transações financeiras rápidas e eficientes é outro ponto crítico para o sucesso da experiência do torcedor. Peter Linder destacou a importância dos pagamentos não serem subestimados, citando uma experiência pessoal em uma corrida de automóveis onde o tempo de pagamento variou de 2 a 30 segundos. Ele enfatizou a necessidade de assegurar que os pagamentos ocorram sem problemas para agilizar a entrega de produtos e serviços, como cervejas de 18 dólares em dois segundos.
As equipes de operações comerciais analisam diversos aspectos, incluindo o fluxo nas barracas de comida e bebida, vendas de mercadorias, triagem de segurança e verificação de ingressos. A produção de mídia também se tornou mais conectada, com smartphones e câmeras sem fio sendo amplamente utilizados em transmissões ao vivo. A NBC Sports, por exemplo, empregou oito iPhones 17 Pro e a rede 5G standalone (SA) da T-Mobile para capturar e transmitir vídeo durante o Kentucky Derby no início deste mês, demonstrando a crescente demanda por conectividade de alta performance para fins profissionais.
Investimentos das operadoras para o evento
Diversas operadoras de telecomunicações estão realizando investimentos substanciais para a Copa do Mundo da FIFA de 2026, visando atender ao aumento exponencial do tráfego de dados. Essas ações incluem melhorias significativas na infraestrutura de rede, implantação de nova capacidade e otimização tecnológica.
- Rogers: Investiu US$ 22 milhões em Toronto e US$ 5 milhões em Vancouver e arredores, totalizando US$ 27 milhões. As equipes dedicaram quase 7.000 horas ao planejamento e à instalação da nova infraestrutura de rede.
- Verizon: Patrocinadora oficial de serviços de telecomunicações da Copa do Mundo, espera que os espectadores utilizem mais de 50 terabytes de dados dentro de um estádio por partida. Esse volume equivale a mais de três anos de streaming de vídeo em alta definição.
- AT&T: Equipou as 11 cidades-sede americanas com mais de 2.000 atualizações e melhorias de rede. As melhorias se estendem além dos estádios, abrangendo aeroportos, centros de treinamento das equipes e festivais para fãs. A capacidade da rede foi projetada para suportar de duas a três vezes mais tráfego do que o normal.
- T-Mobile: Prepara-se com uma combinação de melhorias na rede 5G, implantação de capacidade adicional, otimização de rede com inteligência artificial e monitoramento em tempo real em estádios, fan zones, aeroportos e outras áreas de grande movimento. A empresa não divulgou um valor específico associado aos seus investimentos.
Essas iniciativas coletivas demonstram a preparação em larga escala do setor de telecomunicações para um dos maiores eventos esportivos do mundo, buscando assegurar que a conectividade 5G seja um pilar fundamental da experiência dos torcedores e da operação do torneio.

