Avi Loeb sugere que cometa escuro 1998 KY26 pode ser sonda soviética Phobos 1

cometa escuro 1998 KY26 - M. Kornmesser/ESO

cometa escuro 1998 KY26 - M. Kornmesser/ESO

Avi Loeb e colaboradores apresentaram evidências que relacionam o objeto 1998 KY26, classificado como cometa escuro, à sonda soviética Phobos 1. O astrofísico da Universidade Harvard publicou análise que considera a possibilidade de o corpo celeste ser remanescente de missão russa perdida em 1988. A Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial pretende realizar o primeiro encontro de uma sonda com um objeto de cerca de 10 metros em julho de 2031.

O objeto 1998 KY26 mede aproximadamente 11 metros de diâmetro. Ele exibe albedo elevado de 0,52, o que indica superfície bastante reflexiva. O período de rotação é de 5,3516 minutos, o que sugere estrutura monolítica resistente. Um asteroide do tipo pilha de escombros se desintegraria sob forças centrífugas geradas por essa velocidade.

Estudo analisa compatibilidade entre órbitas

Pesquisadores calcularam dois impulsos de velocidade combinados em 1,9 km/s. O primeiro teria ocorrido logo após a perda da Phobos 1. O segundo teria se dado em maio de 1996. Essas correções permitiriam alinhar as trajetórias dos dois corpos. A análise considera incertezas na órbita do 1998 KY26, que conta com mais de 230 observações.

  • Phobos 1 e 1998 KY26 apresentam órbitas estatisticamente compatíveis.
  • Diferença orbital se enquadra no envelope de impulso disponível à sonda soviética.
  • Registro histórico indica possível impulso propulsivo logo após falha da missão.
  • Missão foi perdida cedo, o que preservou grande capacidade de ΔV.
  • Propriedades físicas observadas favorecem objeto robusto em vez de pilha de escombros.
  • Variações de magnitude sugerem forma alongada, compatível com desenho da Phobos 1.

A sonda Phobos 1 foi lançada em julho de 1988 rumo a Marte. Contato foi perdido em 2 de setembro daquele ano. Técnico enviou comando com hífen ausente em 28 de agosto. Isso desativou os propulsores de atitude. A sonda perdeu orientação para os painéis solares e esgotou as baterias.

Missão Hayabusa2 vai testar hipótese

A Hayabusa2 concluiu a fase principal ao retornar amostras do asteroide Ryugu em 2020. Com combustível remanescente, a sonda segue em missão estendida. O encontro com 1998 KY26 está marcado para 2031. Astrônomos esperam que o pouso revele detalhes sobre possível liberação de gases do objeto classificado como cometa escuro.

O 1998 KY26 foi observado por telescópios terrestres para preparar a aproximação. Resultados saíram em artigo publicado na Nature Communications em 2025. Dados mostram objeto menor e mais rápido que estimativas anteriores. A missão japonesa marcará a primeira visita a corpo de escala decamétrica em rotação rápida.

Características físicas apoiam ideia de origem artificial

O alto albedo contrasta com expectativa para cometas escuros típicos. Tamanho reduzido e rotação veloz exigem estrutura coesa. Força coesiva estimada fica abaixo de 20 Pa. Isso permite tanto estrutura monolítica quanto pilha de escombros com certa resistência. Mudanças na magnitude aparente indicam alongamento. Tal formato casa com o desenho de sondas como a Phobos 1.

Avi Loeb já havia proposto classificação semelhante para outros objetos. Em publicação anterior, ele relacionou 2005 VL1 à Venera 2. O caso de 2020 SO, identificado como estágio de foguete, reforça que objetos artificiais podem exibir aceleração não gravitacional sem cauda visível. Pressão de radiação solar explica o fenômeno em casos conhecidos.

Período de rotação desafia modelo de asteroide comum

Rotação de pouco mais de cinco minutos gera forças que destroçariam estruturas frágeis. Observações combinam dados de radar do Goldstone com luzcurvas de telescópios. Modelos convexos e não convexos apontam polo retrógrado. Equipe internacional participou das medições que reduziram o diâmetro estimado para 11 metros.

O objeto recebeu atenção crescente após ser incluído na categoria de cometas escuros. Esses corpos mostram aceleração não gravitacional sem sinais de desgaseificação visível. A hipótese de Loeb sugere que pelo menos parte deles pode ter origem humana. A missão Hayabusa2 deve fornecer dados definitivos sobre a natureza real do 1998 KY26.

Contexto histórico da missão Phobos

Programa Phobos soviético previa duas sondas. Phobos 2 chegou a operar próximo a Marte antes de falhar. Phobos 1 nunca completou a viagem. Falha de comando único interrompeu comunicação. Análise da nova equipe considera que impulsos residuais poderiam ter alterado a trajetória ao longo dos anos.

A possibilidade de reencontro com tecnologia perdida abre debate sobre catalogação de objetos próximos à Terra. Base de dados de lançamentos humanos desde 1957 poderia ser incorporada em modelos astronômicos. Hipóteses científicas são testadas por evidências. O encontro de 2031 deve esclarecer se 1998 KY26 é asteroide natural ou artefato espacial.

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