Os cinemas norte-americanos registraram um fim de semana histórico com a impressionante performance de dois filmes de terror aguardados, “Backrooms” e “Obsession”. Produzidos por estrelas do YouTube com custos de produção mínimos, esses lançamentos atraíram uma vasta audiência da Geração Z, redefinindo expectativas de bilheteria na temporada de verão.
Enquanto isso, “The Mandalorian and Grogu”, spin-off da franquia “Star Wars” da Disney, enfrentou uma queda significativa em seu segundo fim de semana, indicando dificuldades em expandir seu público além da base de fãs existente. O cenário atual sugere uma transformação nas dinâmicas de consumo de conteúdo cinematográfico, com o público jovem impulsionando sucessos independentes.
Recordes de bilheteria impulsionam terror independente
A A24 registrou um desempenho notável com “Backrooms”, arrecadando US$ 81 milhões em sua estreia em 3.442 cinemas na América do Norte. Este valor representa um recorde para a produtora, superando a marca anterior de “Guerra Civil”. O sucesso do filme, dirigido por Kane Parsons, de apenas 20 anos, demonstra o potencial de produções com baixo orçamento e forte apelo online.
Simultaneamente, “Obsession”, da Focus Features, continuou sua trajetória ascendente, com um salto de US$ 26,4 milhões em 2.781 cinemas em sua terceira semana. O filme já ultrapassou a marca de US$ 100 milhões em bilheteria doméstica, consolidando-se como um dos grandes êxitos do ano. Ambos os títulos, criados por talentos do YouTube, desafiam a lógica convencional da indústria cinematográfica, dominada por grandes franquias. Segundo Jeff Bock, analista da Exhibitor Relations, “isso deve fortalecer a indústria. Há um novo público, e eles estão esperando por esse tipo de conteúdo”. O terror independente compete agora com os maiores blockbusters de verão.
O impacto desses filmes se torna ainda mais evidente ao considerar a performance do spin-off de “Star Wars” da Disney, “The Mandalorian and Grogu”. A produção sofreu uma queda catastrófica de 70% em seu segundo fim de semana, ficando em terceiro lugar nas bilheterias, atrás de “Backrooms” e “Obsession”, apesar de ser exibida em um número significativamente maior de salas de cinema. Este resultado sugere que a produção não conseguiu capturar um público mais amplo. Mundialmente, “Backrooms” já arrecadou US$ 118 milhões, superando as projeções iniciais de estreia entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões nos Estados Unidos. Com um orçamento de produção de aproximadamente US$ 10 milhões, “Backrooms” figura entre os filmes mais lucrativos do ano.
Kane Parsons: O fenômeno de 20 anos da A24
Kane Parsons, com apenas 20 anos, tornou-se o diretor mais jovem a alcançar o primeiro lugar nas bilheterias com o sucesso de “Backrooms”. Ele superou o recorde anterior de Josh Trank, que tinha 27 anos quando “Chronicle”, de 2012, estreou na liderança com US$ 22 milhões. O feito de Parsons estabeleceu múltiplos recordes para a indústria cinematográfica.
- A maior estreia de todos os tempos para a A24, superando o thriller “Guerra Civil”, de Alex Garland, que arrecadou US$ 25,5 milhões em 2024.
- A maior estreia da história para um filme de terror original, evidenciando o apelo de novas narrativas no gênero.
- A melhor estreia para um cineasta estreante em um filme que não faz parte de uma franquia consolidada.
“Backrooms” é baseado na popular série de Parsons na internet e acompanha o dono de uma loja de móveis, interpretado por Chiwetel Ejiofor, que se depara com uma passagem secreta. Essa passagem o transporta para uma sequência aparentemente infinita de salas desprovidas de qualquer descrição. Quando o personagem desaparece, sua terapeuta, vivida por Renate Reinsve, decide se aventurar no desconhecido para tentar resgatá-lo. Dados da PostTrak indicam que quase 85% do público presente tinha menos de 35 anos, com mais de 50% na faixa dos 25 anos ou menos, reforçando o engajamento da Geração Z.
Sucesso repetido com criadores do YouTube
Parsons e outros criadores, como Mark Fischback, são exemplos de uma nova onda de talentos do YouTube que migraram para as telas grandes, levando consigo suas amplas bases de fãs jovens. No início deste ano, Fischback dirigiu, financiou e distribuiu o filme de terror “Iron Lung”, que arrecadou US$ 50 milhões com um orçamento modesto de US$ 3 milhões.
Paul Dergarabedian, chefe de tendências de mercado da Comscore, observa que “ainda não se sabe se isso está inaugurando uma nova era ou uma mudança de paradigma para o setor, mas esse caminho do criador do YouTube para a tela grande deve ser visto como complementar”. Ele acrescenta que representa “um fluxo de produção que não existia até agora”, destacando a inovação no modelo de negócios do cinema. Este movimento indica uma nova fonte de conteúdo e talentos que pode coexistir com as produções tradicionais de Hollywood.
“Obsession” desafia normas com crescimento sustentado
O desempenho de “Obsession” é particularmente notável por desafiar as normas tradicionais de bilheteria. O filme registrou um aumento de 10% em relação ao fim de semana anterior, que já havia mostrado um crescimento impressionante de 39% em comparação com sua sólida estreia de US$ 17 milhões. Este tipo de sustentação nas vendas de ingressos, especialmente fora da temporada de férias, é raro.
A Focus Features informou que “Obsession” é o primeiro filme desde “E.T. – O Extraterrestre”, de 1982, a registrar aumento nas vendas de ingressos em seu segundo e terceiro fins de semana consecutivos, sem ser impulsionado por feriados. Após três semanas em exibição, “Obsession” acumulou US$ 106 milhões nos Estados Unidos e US$ 148 milhões mundialmente, com um orçamento de produção de apenas US$ 1 milhão. O filme já é o lançamento de maior bilheteria da Focus nos Estados Unidos, superando o recorde anterior de “Downton Abbey”, que arrecadou US$ 96,8 milhões na América do Norte em 2019.

