Uma greve geral paralisou vários serviços essenciais em Portugal nesta quarta-feira, 3 de junho. Comboios de longa distância e regionais ficaram suspensos. Centenas de voos foram cancelados. Escolas encerraram em todo o país por falta de pessoal. O protesto foi convocado pela CGTP, principal confederação sindical do país.
A ação marca a segunda greve geral em seis meses. Os sindicatos contestam o pacote de alterações ao Código do Trabalho proposto pelo Governo de centro-direita minoritário. O executivo pretende aprovar a medida com apoio do partido Chega. As negociações com os sindicatos terminaram sem acordo.
Transportes e aeroportos sofrem maior impacto da paralisação
O operador ferroviário estatal CP suspendeu a maioria dos serviços. O metro de Lisboa permaneceu fechado. A TAP, companhia aérea de bandeira, operou apenas 79 dos mais de 300 voos diários habituais. A Iberia reduziu entre 50% e 75% das operações.
- Comboios de longa distância e regionais suspensos pela CP
- Metro de Lisboa fechado durante todo o dia
- Centenas de voos cancelados em aeroportos nacionais
- Serviços de autocarros e ferryboats com adesão parcial
- Hospitais adiaram a maior parte das cirurgias e consultas
Os efeitos se estenderam ao setor da saúde. Enfermeiros cruzaram os braços e postergaram atendimentos. O movimento afetou também o funcionamento de serviços públicos.
União CGTP critica pontos centrais da reforma proposta
Tiago Oliveira, dirigente da CGTP, afirmou que as mudanças pioram as condições dos trabalhadores. O pacote altera mais de 100 artigos do Código do Trabalho. Entre os pontos contestados estão o aumento da precariedade, a desregulamentação dos horários e a facilitação de despedimentos.
Rodrigo Azevedo, bancário de 30 anos, disse que os jovens ficariam presos em contratos precários. A proposta permitiria jornadas de 50 horas sem pagamento extra, segundo ele. Os sindicatos também questionam a redução de proteções parentais e o enfraquecimento do direito à greve.
O Governo defende que as alterações visam aumentar a produtividade e estimular o crescimento econômico. O projeto facilita despedimentos por justa causa e amplia a possibilidade de outsourcing.
Impacto se estende a educação e serviços mínimos
Escolas de todo o território nacional fecharam devido à adesão dos funcionários. A paralisação atingiu ainda o setor da administração pública. O movimento ocorre seis meses após outra greve geral em dezembro do ano passado, a primeira desde 2013.
A CGTP convocou a ação em 1º de maio, Dia do Trabalhador. Outros sindicatos setoriais aderiram. A UGT, confederação mais moderada, não aderiu formalmente, mas alguns filiados participaram.
Reforma segue para Assembleia da República
O Governo minoritário deve aprovar o texto com apoio do Chega. A proposta inclui mudanças que facilitam a não reintegração de trabalhadores em casos de despedimento ilegal, mediante compensação. Também remove limites à subcontratação.
Especialistas acompanham o desdobramento no Parlamento. A discussão da proposta ainda não tem data definida para a votação na generalidade. O clima de tensão entre Governo e sindicatos permanece elevado.
Histórico de paralisações revela padrão de contestação
Portugal viveu protestos semelhantes durante o período de austeridade. A greve de dezembro marcou o retorno das grandes paralisações nacionais. A atual mobilização repete o foco na defesa de direitos trabalhistas.
Funcionários de diversos setores demonstraram adesão ao chamado da CGTP. O protesto ocorreu de forma pacífica na maior parte das regiões. Autoridades monitoraram os serviços mínimos garantidos por lei.
O dia de paralisação afetou a rotina de milhares de portugueses. Muitos optaram pelo teletrabalho onde possível. O transporte coletivo ficou comprometido desde o início da manhã.
Repercussão internacional acompanha o desenrolar
Agências de notícias registraram o impacto nos aeroportos e estações. Imagens de entradas de metro fechadas circularam em veículos estrangeiros. O evento ganha atenção por ocorrer em um país da zona do euro.
A CGTP mantém o discurso de que a reforma representa retrocesso social. O Governo insiste na necessidade de modernizar a legislação para enfrentar desafios econômicos atuais. O embate deve continuar nos próximos meses.

