Uma rara conjunção entre Vênus e Júpiter vai ocorrer no dia 9 de junho. Os dois planetas mais brilhantes do céu se aproximarão até ficarem separados por apenas 1,6°. Qualquer pessoa poderá observar o fenômeno a olho nu no entardecer, olhando para o oeste-noroeste.
O evento acontece em horário favorável. Basta observar entre 45 minutos e duas horas após o pôr do sol. Os planetas estarão a uma altura equivalente a um ou dois punhos cerrados acima do horizonte. Moradores de grandes cidades também conseguem ver o espetáculo se encontrarem um trecho de céu aberto.
Planetas se aproximam há semanas no céu ocidental
Vênus e Júpiter vêm se aproximando gradualmente desde o final de maio. Em 28 de maio, a distância entre eles era de 11,5°. No dia 9 de junho, essa separação cai para 1,6°, pouco mais que a largura de um dedo mindinho com o braço estendido.
A conjunção será visível em todo o Brasil. O par de planetas vai aparecer no crepúsculo, com Vênus ligeiramente à frente de Júpiter do ponto de vista da Terra. Mercúrio também participa do espetáculo, posicionado cerca de 13° à direita e abaixo da dupla.
- Vênus brilha com intensidade maior por causa das nuvens refletoras
- Júpiter aparece logo ao lado, com magnitude também elevada
- Mercúrio exige binóculos para visualização mais fácil
- O trio fica concentrado na região oeste-noroeste do céu
Última conjunção ocorreu em 2025 ao amanhecer
A anterior conjunção entre Vênus e Júpiter aconteceu em 11 de agosto de 2025. Naquela ocasião, o encontro ocorreu ao amanhecer, o que limitou o público. Desta vez, o horário ao entardecer permite que muito mais pessoas acompanhem o fenômeno.
A próxima oportunidade após junho de 2026 virá apenas em 25 de agosto de 2027. Porém, os planetas estarão muito próximos do Sol, o que deve dificultar a observação. O reencontro visível mais acessível está previsto para 10 de novembro de 2028, novamente ao amanhecer.
Observação simples revela detalhes do sistema solar
Qualquer pessoa pode acompanhar o evento sem equipamentos. Os dois planetas são brilhantes o suficiente para sobressaírem mesmo em céus urbanos. Binóculos ajudam a enquadrar os dois corpos no mesmo campo de visão e permitem ver algumas luas de Júpiter.
Telescópios pequenos mostram as faixas de nuvens no gigante gasoso e a fase gibosa de Vênus. Mesmo assim, o espetáculo natural ganha mais impacto quando visto apenas com os olhos. A lentidão do movimento ao longo dos dias ajuda a perceber as órbitas em ação.
O movimento aparente resulta da combinação entre as órbitas dos planetas e o deslocamento da Terra. Vênus, mais próximo do Sol, se move mais rápido no céu. Júpiter, distante, tem velocidade menor e acaba se aproximando do horizonte ocidental.
Mercúrio completa o trio planetário no crepúsculo
Mercúrio surge como atração adicional. O planeta menor brilha com magnitude zero, cerca de 12° a 13° à direita e abaixo de Vênus e Júpiter. Sua visualização exige horizonte noroeste desobstruído, mas binóculos facilitam a tarefa.
O trio planetário permanece visível durante vários dias. Entre 7 e 10 de junho, a distância entre Vênus e Júpiter fica abaixo de 2,5°. Isso permite acompanhar a mudança de posição noite após noite.
Lua crescente se junta ao espetáculo em meados de junho
O fenômeno não termina no dia 10 de junho. Nos dias 16 e 17 de junho, uma fina Lua crescente de 2,5 dias se alinha com os três planetas. O alinhamento forma outra cena impressionante no céu ocidental.
Astrônomos amadores registram o evento com celulares. Uma foto tirada em 1º de junho com iPhone 13, usando exposição de cerca de 3,4 segundos, já capturou os planetas com boa qualidade. Paisagens bonitas no primeiro plano enriquecem as imagens.
A conjunção ilustra o balé orbital do sistema solar. Vênus avança rapidamente, Júpiter segue mais devagar e a Terra determina o ponto de vista que permite o alinhamento visual. O evento transforma o céu crepuscular em um espetáculo acessível a todos.
Dicas práticas para aproveitar a conjunção
Escolha um local com visão clara para oeste-noroeste. Evite poluição luminosa excessiva, mas o fenômeno resiste bem a céus de cidade. Chegue com antecedência para adaptar os olhos ao escuro.
Observe em diferentes horários dentro da janela de 45 minutos a duas horas após o pôr do sol. A altura dos planetas muda conforme o tempo passa. Compare a posição deles em noites seguidas para notar o movimento.

