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Pacientes de Ozempic relatam redução de compulsões por comida e álcool no consultório

Ozempic, caneta emagrecedora
Ozempic, caneta emagrecedora - fotogurmespb / Shutterstock.com

Uma surpresa surgiu nos atendimentos de pacientes que usam Ozempic. O medicamento, conhecido principalmente pela perda de peso, leva algumas pessoas a relatarem diminuição não só da fome, mas também de outros impulsos. Médicos observam relatos de menor desejo por álcool, cigarro e até compras impulsivas.

A semaglutida, princípio ativo do Ozempic, atua em receptores do intestino e do cérebro. Esse mecanismo ajuda a controlar a glicose e promove saciedade. Agora, observações clínicas indicam que ele interfere em circuitos relacionados à recompensa.

Relatos surgem durante consultas rotineiras

Pacientes chegam ao consultório com uma mudança perceptível. O pensamento constante em comida perde força. Um doce guardado na gaveta não chama mais atenção da mesma forma. A taça de vinho ao fim do dia deixa de ser uma rotina automática. Outros mencionam menos urgência para fumar após as refeições.

Esses relatos se repetem em diferentes regiões. A médica Stephanie Rizk, cardiologista e intensivista, descreveu o fenômeno em coluna publicada no O Globo. Ela acompanha casos em que o medicamento parece abaixar o volume de uma rádio interna de impulsos.

O efeito vai além da balança. Pessoas relatam menos beliscões sem fome e menos aberturas de geladeira por hábito. Algumas citam redução na vontade de comprar por impulso.

Medicamento age em sistema de recompensa cerebral

O GLP-1, hormônio mimetizado pela semaglutida, surge naturalmente após as refeições. Ele regula a glicose, aumenta a sensação de saciedade e retarda o esvaziamento gástrico. Receptores desse hormônio existem também em áreas cerebrais ligadas a motivação e prazer.

Por décadas, profissionais trataram fome, álcool, tabagismo e compulsões como questões separadas. A nutrição cuidava da comida. A psiquiatria, do álcool. A pneumologia, do cigarro. O cérebro, porém, não segue divisões médicas.

O sistema de recompensa incentiva comportamentos que trazem prazer e repetição. Quando ele funciona de forma excessiva, surgem impulsos persistentes. A semaglutida parece modular essa rede.

  • Redução no desejo constante por alimentos específicos
  • Menor atração por bebidas alcoólicas no fim do dia
  • Diminuição da urgência para fumar após refeições
  • Queda em compras impulsivas relatadas por alguns
  • Menos aberturas automáticas da geladeira sem fome real

Estudos observam potencial contra uso abusivo de álcool

Pesquisas recentes reforçam os relatos clínicos. Um ensaio clínico randomizado testou semaglutida em adultos com transtorno por uso de álcool. O grupo que recebeu o medicamento teve maior redução em dias de consumo pesado em comparação ao placebo.

Outro estudo acompanhou redução no craving, ou fissura, por álcool. Os participantes também consumiram menos gramas de bebida por semana. Os achados aparecem em publicações como JAMA Psychiatry.

No Brasil, dados locais ainda são limitados. Especialistas destacam que os resultados são promissores, mas preliminares. Não há indicação formal para tratar compulsões ou vícios com o medicamento.

Efeitos colaterais e uso responsável seguem em foco

A semaglutida não é isenta de riscos. Efeitos gastrointestinais como náusea e diarreia são comuns, especialmente no início do tratamento. Perda de massa muscular também preocupa em casos de emagrecimento rápido sem acompanhamento.

Médicos reforçam que o remédio não substitui hábitos saudáveis. Ele não serve como atalho para autocontrole. O uso deve ocorrer sob prescrição e com monitoramento regular.

No contexto de obesidade e diabetes tipo 2, o medicamento já mudou o panorama. A nova fronteira envolve compreensão maior sobre como intestino, metabolismo e comportamento se conectam.

Mudança de perspectiva sobre impulsos e biologia

Durante anos, compulsões foram associadas principalmente a falhas de caráter ou força de vontade. Relatos de pacientes de Ozempic contribuem para uma visão diferente. O impulso tem componentes biológicos claros, ligados a sinais químicos e circuitos cerebrais.

Essa compreensão abre caminho para tratamentos mais integrados. O foco não está em eliminar desejos, mas em reduzir o ruído que os amplifica. A medicina avança ao escutar esses sinais com mais precisão.

Pacientes continuam a procurar o medicamento para controle de peso e glicemia. Os relatos extras sobre compulsões surgem como observação adicional nos consultórios. Estudos em andamento buscam confirmar e expandir esses achados.

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