Roberto Medina compartilhou histórias pouco conhecidas da produção do Rock in Rio em entrevista ao TOCA. O idealizador do festival detalhou desafios logísticos, exigências de artistas e decisões que marcaram edições passadas. As vendas de ingressos para a edição 2026 abrem nesta segunda-feira (8), às 19h.
O criador do evento relembrou situações que envolvem tensão e improviso. Um sino de uma tonelada e meia veio de navio para o show do AC/DC, mas o palco não suportou o peso real. A solução foi uma réplica de gesso. Ninguém soube na época. Ele descobriu a troca assistindo televisão meses depois.
Prince exigiu 400 toalhas brancas. Medina correu motéis do Rio para atender. O cantor usou apenas três. Guns N’ Roses gerou dois episódios complicados. Em 1991, a banda brigou com a equipe da Globo durante ensaio e ameaçou não subir ao palco. Medina mediou o impasse o dia inteiro. Em 2001, Axl Rose demorou duas horas no hotel com 250 mil pessoas esperando.
Exigências e improvisos marcaram relação com grandes nomes
O Ozzy Osbourne entrou no contrato com cláusula específica. Proibia comer morcegos, pintinhos ou similares. A Sociedade Protetora dos Animais pressionava. Medina resolveu com o adendo e trouxe o artista. Essas histórias ilustram a complexidade de um festival que mistura grandiosidade e detalhes miúdos.
O público sente a diferença. Cerca de 50% não vai apenas pela atração principal. Busca a experiência completa, a energia coletiva e o ambiente. Pesquisas internas confirmam o dado ao longo das edições. O Foo Fighters, por exemplo, atrai mais gente no Rock in Rio do que em shows isolados.
- O festival movimenta 58 atividades econômicas no Rio de Janeiro
- 420 mil pessoas vieram de fora do estado na última edição
- Metade da arrecadação vem de patrocinadores, não de bilhetes
- Atendimento em áreas como VIP, gramado e banheiros supera modelos americanos
- Burocracia brasileira envolve quase 50 órgãos fiscalizadores
Medina destaca o orgulho com o padrão de serviço. Como carioca que construiu tudo do zero, ele vê o evento como plataforma que une gerações. A música funciona como contraponto a um mundo fragmentado pelas redes sociais. O festival cria laços reais.
Adele e Celine Dion entram nos planos enquanto Drake fica fora
Roberto Medina ouve Adele com frequência e planeja trazê-la. Celine Dion também integra sua playlist e está na mira. Ele pretende fazer “barulho” para viabilizar as apresentações nos próximos anos. Já Drake não retorna. O rapper desrespeitou o público, segundo o idealizador, tanto no Rock in Rio quanto em São Paulo. A decisão é definitiva.
O line-up do Rock in Rio 2026 prioriza artistas com shows únicos no Brasil. Foo Fighters, Avenged Sevenfold, Elton John e Stray Kids são exemplos. A estratégia reforça o caráter nacional do evento e ajuda a economia fluminense. Turistas de São Paulo e Minas Gerais formaram a maioria dos visitantes externos recentes.
Medina consulta paradas do Spotify, mas valoriza transversalidade. Artistas que atravessam faixas etárias e momentos históricos ganham preferência. Sinatra, Rolling Stones e Elton John representam essa visão. O foco vai além da música. Busca construir memória coletiva.
Produção equilibra custos altos e marca forte
Patrocinadores representam metade da receita. No início, o custo de produção no Brasil era cinco vezes maior que nos Estados Unidos. Medina precisou criar uma marca poderosa para atrair empresas. Marcas não perguntam o line-up quando o patrocínio chega a 30 milhões de dólares. Elas querem a energia e o protagonismo no movimento.
A burocracia surge como desafio recorrente. Quase 50 órgãos fiscalizam no Brasil. Nos Estados Unidos são cinco. Em Portugal, seis. O organizador vê isso como obstáculo que desencoraja iniciativas. Mesmo assim, o festival mantém padrão superior de atendimento.
O idealizador costuma estar na entrada quando os portões abrem. As emoções do público recarregam sua energia. Pessoas choram, se abraçam e esquecem problemas. Essa conexão justifica décadas de dedicação aos detalhes invisíveis para quem assiste de fora.
Rock in Rio 2026 reforça papel econômico e cultural do Rio
A edição mantém o DNA de experiência completa. Ingressos abrem hoje com expectativa alta de demanda. O evento já não é só do Rio de Janeiro. Atrai público de todo o país e impulsiona turismo. Medina sonha transformar cada detalhe em espetáculo.
Histórias como o sino de gesso, as toalhas do Prince e os impasses com Guns N’ Roses mostram a dedicação obsessiva. Nada acontece sem esforço. O festival se sustenta nessa camada invisível de planejamento e memória afetiva.