Pesquisa divulgada nesta quarta-feira (10) mostra que 60% dos brasileiros concordam que o governo federal deve classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Outros 29% discordam da medida e 11% não souberam responder ou preferiram não opinar. O levantamento foi realizado pelo instituto Quaest entre os dias 5 e 8 de junho de 2026, com 2.004 entrevistados de 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A mesma pesquisa questionou a opinião sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar as duas facções como organizações terroristas. O resultado ficou empatado: 45% concordam com a medida americana e outros 45% discordam.
Decisão dos EUA e papel de Flávio Bolsonaro
As facções foram designadas como organizações terroristas pelo governo americano no fim de maio, com validade a partir de 5 de junho. A decisão ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e poucos dias depois de encontro com o presidente Donald Trump.
Para 47% dos entrevistados, Flávio Bolsonaro influenciou a decisão de Trump. Outros 37% acreditam que ele não teve participação, enquanto 16% não souberam ou não responderam.
Riscos à soberania e possível cooperação internacional
Especialistas em segurança pública veem na medida americana um risco à soberania nacional, pois pode permitir sanções a pessoas e empresas brasileiras que mantenham qualquer tipo de relação com as facções, mesmo sem intenção. Defensores da classificação argumentam que a designação pode ampliar a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado transnacional.
O PCC e o CV já são enquadrados no Brasil pela Lei de Organizações Criminosas. A classificação americana, no entanto, equipara as facções a grupos como Al-Qaeda e Hezbollah no sistema de sanções dos EUA.
Contexto eleitoral e percepção sobre Trump
O questionário também explorou a percepção dos eleitores sobre as relações entre os pré-candidatos à Presidência e o presidente americano. Metade dos entrevistados disse saber do encontro de Flávio Bolsonaro com Trump no fim de maio; a outra metade afirmou não ter conhecimento.
A pesquisa registra nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026.