O dia 11 de junho de 2026 entra para a história do esporte com o pontapé inicial do maior torneio de futebol do planeta, agora sediado de forma conjunta por Estados Unidos, México e Canadá. Com a inédita participação de 48 equipes, a competição ganha novas proporções logísticas e esportivas, mas o prestígio das nações que já dominaram o esporte continua sendo a principal bússola para os torcedores. Antes que os novos confrontos definam os próximos heróis nos gramados norte-americanos, é fundamental resgatar a trajetória dos países que mais acumularam taças desde a criação do campeonato.
A supremacia da Seleção Brasileira com suas cinco conquistas globais
Única nação a participar de absolutamente todas as edições do torneio, o Brasil ostenta o cobiçado pentacampeonato, um recorde que permanece inalcançável para os rivais. A jornada vitoriosa começou nos gramados da Suécia em 1958, quando um jovem Pelé despontou para o mundo, marcando gols decisivos e ajudando a superar o trauma de derrotas passadas. Quatro anos mais tarde, no Chile, Garrincha assumiu o protagonismo absoluto após a lesão do camisa 10, garantindo o bicampeonato consecutivo com atuações individuais que beiraram a perfeição.

A consagração definitiva da posse da taça Jules Rimet ocorreu no México, em 1970, com um esquadrão frequentemente apontado por especialistas e historiadores como o melhor de todos os tempos. Após um longo jejum de 24 anos, a equipe verde e amarela voltou a celebrar nos Estados Unidos em 1994, impulsionada pela sintonia da dupla Romário e Bebeto em uma final tensa decidida nos pênaltis contra os italianos. O quinto troféu chegou em 2002, na primeira edição asiática sediada por Japão e Coreia do Sul, coroando a superação de Ronaldo Fenômeno após graves lesões no joelho.
O peso da camisa da Alemanha e seus quatro troféus mundiais
Conhecida por sua frieza tática e consistência impressionante em fases eliminatórias, a Alemanha divide o posto de segunda maior vencedora, acumulando quatro títulos e o recorde absoluto de presenças em finais. A primeira glória ocorreu em 1954, na Suíça, em um episódio batizado de “Milagre de Berna”, quando os alemães superaram a imbatível Hungria de Ferenc Puskás. Em 1974, jogando diante de sua torcida, a equipe liderada por Franz Beckenbauer desbancou o revolucionário carrossel holandês para erguer a taça inédita do novo modelo do troféu.

A terceira estrela foi bordada no uniforme em 1990, na Itália, em uma revanche direta contra os argentinos, marcando o período histórico de reunificação do país europeu. O tetracampeonato veio de forma avassaladora em 2014, no Brasil, com uma geração moderna que aplicou goleadas históricas nos anfitriões e venceu a decisão no Maracanã com um gol salvador de Mario Götze nos minutos finais da prorrogação.
Tradição defensiva e eficiência marcam o tetracampeonato da Itália
A escola italiana de futebol construiu sua reputação baseada em sistemas defensivos impenetráveis e contra-ataques letais, rendendo quatro conquistas mundiais ao longo das décadas. O país europeu dominou os primeiros anos da competição, vencendo a edição que sediou em 1934 sob forte pressão política do regime vigente, e repetindo a dose na França em 1938, tornando-se a primeira seleção a faturar um bicampeonato consecutivo.
O tricampeonato demorou a chegar, mas aconteceu de forma espetacular na Espanha, em 1982, quando o atacante Paolo Rossi despertou na fase final para eliminar adversários de peso e garantir o troféu. A quarta conquista ocorreu em 2006, na Alemanha, em um torneio onde a solidez do zagueiro Fabio Cannavaro guiou a equipe até uma final dramática contra os franceses, decidida nas penalidades máximas após um empate tenso no tempo regulamentar.
A genialidade de craques históricos nos três títulos da Argentina
O país sul-americano ergueu a taça em três oportunidades, sempre com a figura de um ídolo incontestável conduzindo o elenco rumo à glória máxima do esporte. A primeira celebração aconteceu em 1978, diante de sua própria torcida, com Mario Kempes terminando como artilheiro e herói da final contra os holandeses. Em 1986, no México, Diego Maradona entregou uma das performances individuais mais espetaculares já vistas, arrastando o time ao bicampeonato com gols que entraram para a cultura popular.
A consagração mais recente ocorreu no Catar, em 2022, encerrando uma espera angustiante de mais de três décadas para os torcedores locais. Lionel Messi, em sua última grande oportunidade no auge físico, liderou um grupo resiliente que superou um revés na estreia para vencer os franceses em uma das decisões mais eletrizantes de todos os tempos, coroando sua brilhante carreira com o tricampeonato.
O pioneirismo do Uruguai nas primeiras décadas do torneio da FIFA
Apesar de ter uma população muito menor que seus rivais diretos, o Uruguai possui um peso histórico gigantesco por ter sido o primeiro campeão mundial chancelado pela entidade máxima do futebol. Sediando o torneio inaugural em 1930, a equipe celeste superou os vizinhos argentinos na decisão, estabelecendo-se como a primeira potência global da modalidade.
O segundo título uruguaio é, até hoje, considerado um dos maiores choques da história esportiva. Em 1950, a equipe calou um público de quase duzentas mil pessoas no Rio de Janeiro ao derrotar os anfitriões brasileiros de virada, em um episódio que ficou eternizado como o “Maracanazo” e cravou a segunda estrela no peito dos atletas uruguaios.
Raio-x dos maiores vencedores e seus artilheiros inesquecíveis
Juntas, essas cinco nações concentram a grande maioria dos troféus disputados desde a criação do campeonato na década de 1930. Além das conquistas coletivas, esses países revelaram os maiores goleadores que já pisaram nos gramados da competição internacional.
- Seleção Brasileira: Pentacampeã (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002), tendo Ronaldo Fenômeno como seu principal goleador com 15 tentos anotados.
- Seleção Alemã: Tetracampeã (1954, 1974, 1990 e 2014), ostentando Miroslav Klose como o maior artilheiro geral do torneio, com 16 gols.
- Seleção Italiana: Tetracampeã (1934, 1938, 1982 e 2006), com Paolo Rossi e Roberto Baggio dividindo o topo da artilharia nacional com 9 gols cada.
- Seleção Argentina: Tricampeã (1978, 1986 e 2022), liderada por Lionel Messi, que balançou as redes 13 vezes em suas participações.
- Seleção Uruguaia: Bicampeã (1930 e 1950), tendo Oscar Míguez como seu maior artilheiro histórico com 8 gols marcados.
O que esperar do novo formato com 48 seleções na América do Norte
O apito inicial nos gramados norte-americanos inaugura uma fase inédita para o campeonato, exigindo adaptação rápida ao aumento expressivo de participantes e à complexa logística de viagens entre três países continentais. Essa expansão democratiza o acesso, permitindo que nações emergentes testem suas forças contra as potências tradicionais em um palco global.
Enquanto a bola rola nos estádios modernos dos Estados Unidos, México e Canadá, a pressão recai sobre os gigantes do esporte para manterem sua hegemonia intacta. A grande questão que permeia o mês de competições é se a tradição das camisas mais pesadas prevalecerá novamente ou se o formato ampliado abrirá espaço para que um novo país inscreva seu nome na restrita lista de campeões mundiais.