O presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou que a entidade não tem poder para determinar quem o governo dos Estados Unidos deve permitir entrar no país para a Copa do Mundo de 2026. Segundo ele, em alguns momentos é melhor “relaxar” diante das questões de visto.
“Acreditem em mim quando digo, ou não acreditem se não quiserem, mas nós sempre tentamos encontrar soluções, sempre”, declarou ele durante coletiva de imprensa pré-Copa do Mundo na Cidade do México, na quarta-feira. “Mas precisamos respeitar que não somos os reis do mundo que podem mandar nos governos, nas forças policiais e não sei mais o quê. Somos uma organização esportiva, tentamos fazer o nosso melhor com os meios que temos.”
Infantino citou o caso específico de Omar Artan, que seria o primeiro árbitro da Somália a atuar em uma Copa do Mundo após integrar a lista final da FIFA para o torneio, mas teve a entrada negada nos Estados Unidos após chegar ao Aeroporto Internacional de Miami, vindo de Istambul.
Um oficial dos Estados Unidos informou na noite de terça-feira que Artan foi impedido de entrar por “associação com membros suspeitos de organizações terroristas”.
“É lamentável o que aconteceu com Omar, o árbitro da Somália, mas, mais uma vez, não controlamos tudo”, disse Infantino. “Tentamos, vamos discutir, vamos ver. Às vezes é bom também relaxar. Trabalhamos em tudo, tentamos resolver tudo.”
“Às vezes começar imediatamente a gritar e berrar tem o efeito contrário em termos de encontrar uma solução. Sempre tentamos encontrar soluções, sempre. Mas precisamos respeitar que não somos os reis do mundo que podem mandar nos governos e nas forças policiais.”
Infantino foi pressionado depois para esclarecer as declarações e destacou o sucesso em conseguir vistos para a seleção do Irã para o torneio, apesar do conflito em curso com os Estados Unidos.
“Não quero dizer relaxar e não fazer nada, quero dizer confiar que estamos trabalhando nos bastidores, tentando entender”, afirmou. “Há coisas que nos dizem, coisas que não nos dizem. Sempre tentamos tornar as coisas positivas e encontrar uma solução.”
“Conseguimos trazer o Irã para jogar na América, não sei quem teria conseguido fazer isso… nós não vivemos na lua, vivemos no planeta Terra e tentamos o nosso melhor.”
Apesar dos problemas contínuos relacionados a vistos, que incluíram a realocação da base de treinamento da seleção iraniana para Tijuana, no México, e a negativa de entrada para Artan, Infantino insistiu que não se arrepende de ter escolhido os Estados Unidos como sede da Copa do Mundo de 2026.
Infantino acrescentou que a organização adota uma abordagem semelhante de “relaxamento” em relação às investigações em andamento sobre os preços dos ingressos da Copa. Há casos abertos atualmente pelas procuradorias-gerais da Califórnia, Nova Jersey, Nova York e Texas.
“Deixem-me dizer que estamos muito tranquilos em relação a isso porque, antes de começar a vender 7 milhões de ingressos, verificamos o que faríamos com os melhores advogados ou especialistas”, declarou Infantino.
“Na Califórnia, vendemos 800 mil ingressos para os jogos em Los Angeles e São Francisco. Dos 800 mil, tivemos três clientes que reclamaram. O quarto apareceu desde então. Esses casos foram resolvidos antes de as investigações começarem. Recebemos bem qualquer investigação. Vamos apresentar tudo e defender nosso caso. Mas o mais importante é que cada dólar que geramos volte para o futebol.”
A FIFA precificou os ingressos a partir de US$ 140 para o torneio de verão, com certos assentos regulares chegando a US$ 8.680 para a final de 19 de julho em Nova Jersey. Após críticas pesadas, a entidade liberou um número de ingressos de US$ 60 para as federações nacionais destinadas a torcedores.
Infantino disse que o preço médio dos ingressos ficou abaixo de US$ 500 para o torneio, o que seria comparável a outros esportes dos Estados Unidos durante os playoffs — uma afirmação verdadeira para preços de revenda, mas que não parece exata para os preços de tabela.
A Copa do Mundo, que também tem Canadá e México como sedes, terá início nesta quinta-feira no Estádio Azteca, com o jogo entre México e África do Sul.