Ciência

Telescópio James Webb detecta objetos estelares incomuns que abrigam buracos negros

buraco negro
buraco negro - DesignCrowd Stock/Shutterstock.com

Uma equipe de astrônomos, liderada por Vasily Kokorev, da Universidade do Texas em Austin, revelou evidências substanciais de que o objeto GLIMPSE-17775, observado como um pequeno ponto vermelho no cosmos, é na verdade um buraco negro circundado por uma camada de gás denso.

A investigação, cujos resultados foram divulgados pela Nasa na última quarta-feira (10), examinou o espectro mais detalhado já capturado de um ponto vermelho diminuto no espaço. A descoberta fundamental foi realizada por meio do Telescópio Espacial James Webb.

Este avançado equipamento espacial, responsável pela identificação original desse tipo de corpo celeste em 2022, agora oferece uma análise mais aprofundada de GLIMPSE-17775. O novo mapeamento não só aprimora a compreensão sobre esses astros, mas também é crucial para desvendar mistérios da formação e evolução do universo primordial.

“Acredito que parte da comunidade científica está convergindo para uma visão singular: a de que os pequenos pontos vermelhos podem ser explicados por modelos de estrelas com buracos negros. Mas nenhum dos pequenos pontos vermelhos anteriores reunia todas as evidências no mesmo local”, comentou Kokorev, principal autor do estudo.

O cientista complementou afirmando que, “Com GLIMPSE-17775, podemos testar esses modelos devido à profundidade e à incrível extensão do espectro dessa fonte”.

Revelações detalhadas do Webb sobre corpos celestes com buracos negros

Logo após o início de suas operações científicas, o Telescópio James Webb identificou um novo e enigmático tipo de corpo celeste: uma abundância de objetos vermelhos que se formaram aproximadamente 600 milhões de anos depois do Big Bang.

Desde então, os pesquisadores têm investigado diversas hipóteses para a existência desses pequenos pontos avermelhados, incluindo a possibilidade de serem estrelas que abrigam buracos negros em seu núcleo.

Um conjunto de condições favoráveis permitiu a detecção desse novo e intrincado espectro do ponto vermelho, batizado de GLIMPSE-17775, que se encontra mais distante que o aglomerado de galáxias e tem sua imagem ampliada por efeitos de lentes gravitacionais.

O estudo recente sobre este objeto inédito resultou na identificação de mais de 40 linhas espectrais provenientes dessa pequena fonte vermelha, configurando o espectro mais minucioso de um ponto vermelho já registrado.

“Quando vimos o espectro pela primeira vez, foi como ter todas as peças de um quebra-cabeça espalhadas pelo chão”, descreveu Kokorev. “Pegamos cada peça do quebra-cabeça, medimos as linhas e começamos a combinar as diferentes peças em um mosaico. Talvez algumas peças não parecessem nada a princípio, mas então algumas delas se juntaram e percebemos que havia algo ali.”

As informações espectroscópicas obtidas pelo Webb apresentam múltiplas provas que sustentam a conclusão de que o ponto vermelho GLIMPSE-17775 é, de fato, uma estrela com um buraco negro central.

Refletindo sobre o futuro, o autor da pesquisa expressou sua expectativa: “Olhando para o futuro, estou ansioso para me aprofundar e aprender sobre o que alimenta os motores centrais desses pequenos pontos vermelhos. Embora acreditemos que seja um buraco negro, existem outras teorias interessantes sendo propostas, o que é empolgante. Talvez em um ou dois anos, tenhamos a resposta definitiva sobre o que alimenta essas fontes”.

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