EUA

Donald Trump celebra 80 anos com octógono e lutas do UFC na Casa Branca

Trump
Trump - mark reinstein/ Shutterstock.com

Uma atmosfera incomum dominou os jardins da Casa Branca neste domingo (14), com a organização de uma série de lutas do Ultimate Fighting Championship (UFC) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O evento ocorre exatamente no dia em que Trump completa 80 anos, marcando uma celebração que mistura esporte de combate e política na residência presidencial.

Para a ocasião, uma estrutura provisória em formato de octógono, batizada de “The Claw” (A Garra), foi erguida especialmente nos gramados da sede do Executivo. Quatorze competidores do UFC estão escalados para participar dos confrontos, incluindo o lutador brasileiro Alex Pereira.

Oficialmente, o governo Trump enquadra a iniciativa como parte das comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, cuja data é celebrada em 4 de julho.

Contudo, vozes críticas têm se levantado contra o evento, avaliado em 60 milhões de dólares (cerca de R$ 308 milhões). O “UFC Freedom 250”, como foi denominado, tem sido considerado inoportuno em um período no qual a população americana enfrenta um alto custo de vida, exacerbado, segundo os críticos, pela guerra do presidente no Irã. A decisão de sediar um evento de tal magnitude em meio a dificuldades econômicas levanta questionamentos sobre a sensibilidade da administração.

Em contrapartida, Donald Trump defende a iniciativa como um excelente modo de honrar o sesquicentésimo aniversário da Independência dos EUA, embora evite mencionar abertamente sua própria celebração de aniversário. Ele também assegura que o UFC arcará com todos os custos envolvidos.

Apesar da polêmica, o presidente não esconde sua paixão pelos combates do octógono. “São as pessoas mais casca-grossa que vocês jamais vão conhecer”, declarou Trump ao New York Post na última quinta-feira (11), expressando sua admiração pelos atletas.

O anúncio formal da realização do evento ocorreu em 6 de maio, no Salão Oval, com a presença de diversos lutadores, incluindo o campeão brasileiro Alex “Poatan” Pereira.

Naquele encontro, o político republicano aproveitou para tecer elogios ao atleta. “Eu o vi nocautear muita gente. É isso que ele faz, ele nocauteia pessoas. Ele tem uma mão grande e poderosa”, afirmou Trump sobre Poatan.

Relação de longa data com o universo do UFC

O magnata mantém uma conexão sólida com os principais nomes do UFC, sendo um espectador assíduo das lutas. Essa proximidade tem contribuído para cativar uma parcela de sua base de eleitores, formada por homens jovens que desempenharam um papel significativo em sua ascensão política.

Além disso, Trump e Dana White, presidente do UFC, são amigos pessoais. A parceria entre eles teve início nos anos 2000, quando o Trump Taj Mahal, um cassino localizado em Atlantic City, foi um dos primeiros espaços nos Estados Unidos a receber eventos da organização de artes marciais.

Desde seu retorno à presidência, Donald Trump tem sido visto com frequência em diversos eventos do UFC, reforçando seus laços com a modalidade.

O secretário de Estado, Marco Rubio, manifestou seu apoio ao evento. Ele participou da assinatura de um acordo de cooperação com Dana White na quinta-feira, visando a promoção mundial das artes marciais mistas (MMA).

Rubio descreveu o evento como um “presente para o povo americano”, expressando a expectativa de que o espetáculo seria acompanhado por “provavelmente um bilhão de pessoas em todo o mundo”.

Certamente, esta será uma das iniciativas mais singulares nos mais de 200 anos de história da Casa Branca. Aproximadamente 4.000 pessoas terão acesso à arena montada para acompanhar as lutas ao vivo.

Dana White informou que mais da metade dos ingressos será distribuída para membros das Forças Armadas dos Estados Unidos. Adicionalmente, estima-se que 125.000 espectadores acompanharão o evento por meio de um telão instalado nas proximidades da Casa Branca.

Os elogios de Trump ao atleta brasileiro Alex Poatan

Questionamentos sobre a utilização do patrimônio público federal

Jornalistas tiveram a oportunidade de visitar a arena na quinta-feira, em uma prévia do evento. A estrutura impressiona: pesa 600 toneladas, possui 47 metros de largura e 28 metros de altura, superando a própria Casa Branca em imponência.

O octógono foi erguido em um gramado histórico, palco de momentos emblemáticos como a assinatura dos Acordos de Paz de Oslo pelo presidente Bill Clinton em 1993 e o discurso de renúncia de Richard Nixon. A escolha do local para um evento de UFC sublinha a natureza inédita e, para muitos, contrastante da iniciativa em relação ao uso tradicional daquele espaço.

Apesar do entusiasmo de alguns, a realização do evento enfrentou resistência legal. Antes mesmo de sua concretização, o governo Trump foi alvo de uma ação judicial que buscava impedir a série de lutas, alegando uso impróprio de bens públicos para beneficiar aliados do presidente.

A Casa Branca, em documentos apresentados à Justiça, rechaçou as acusações. Também descartou uma proposta do próprio presidente para que a arena fosse mantida após o evento, comparando-a à Torre Eiffel, que permaneceu em Paris após a Exposição Universal de 1889.

“A ‘The Claw’ será desmontada imediatamente após a conclusão do evento”, assegurou Joshua Fisher, diretor de Gestão e Administração da Casa Branca, nos registros judiciais.

Além das críticas de cunho legal e político, o evento gerou certa insatisfação entre os próprios fãs, que o consideraram decepcionante por apresentar apenas duas disputas de cinturão.

Entre os combates anunciados, o brasileiro Alex Poatan enfrentará o francês Ciryl Gane pelo título interino dos pesos-pesados do UFC. Na sequência, o campeão peso-leve hispano-georgiano Ilia Topuria desafiará o campeão interino Justin Gaethje, um dos poucos americanos que atualmente detêm um cinturão no UFC.

Modificações e projetos de alteração na estrutura da Casa Branca

Outras ações do presidente para imprimir sua marca na Casa Branca incluem a remoção parcial do Jardim das Rosas para dar lugar a um salão de festas que remete à sua propriedade em Mar-a-Lago, na Flórida. Também foram fixadas placas partidárias na colonata, criando uma “Calçada da Fama Presidencial”, além da reforma do banheiro anexo ao Quarto Lincoln e a revitalização do Salão das Palmeiras. Outras mudanças envolveram a instalação de novos mastros de bandeira nos gramados norte e sul, e a demolição de toda a Ala Leste para a construção de um amplo salão de baile.

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