Observadores poderão ver alinhamento de planetas e lua no horizonte oeste nos próximos dias

Conjunção da Lua e Vênus - Abzuraimi/ Shutterstock.com

Conjunção da Lua e Vênus - Abzuraimi/ Shutterstock.com

Uma oportunidade única de contemplar o céu noturno se apresentou para muitos na noite de quarta-feira, com Mercúrio, Júpiter, Vênus e a Lua visíveis em uma formação notavelmente próxima no horizonte oeste. Aqueles que não tiveram a chance de observar o evento terão uma nova ocasião nesta quinta-feira (18). O espetáculo celeste pode ser admirado a olho nu, logo após o pôr do sol, em diversas regiões do Brasil.

A configuração noturna de ontem ganhou destaque especial pela impressionante proximidade entre a Lua crescente e Vênus, o astro mais luminoso do grupo. Segundo especialistas, a ocorrência de três planetas alinhados com a Lua tão próxima de um deles é menos comum do que os alinhamentos planetários isolados, que ocorrem a cada 12 ou 15 meses. Esse detalhe torna o evento ainda mais singular para os entusiastas da astronomia.

Entendendo a formação dos astros enfileirados no firmamento

A explicação para o alinhamento desses corpos celestes reside na própria arquitetura do nosso sistema solar. Todos os planetas que podem ser vistos sem o auxílio de equipamentos — Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno — giram em torno do Sol em órbitas que se situam em planos muito similares ao da órbita terrestre.

Essa mesma característica se aplica à Lua. Devido à quase paralelidade de suas órbitas, observados da Terra, Sol, Lua e os planetas percorrem uma trajetória praticamente idêntica no céu, conhecida como eclíptica. Esta faixa é onde se encontram as constelações do Zodíaco, e é o que gera a ilusão de um “corredor” entre eles.

A formação desse alinhamento visível é influenciada pela velocidade com que cada um dos astros se move em sua órbita. A Lua exibe o movimento mais rápido, deslocando-se em cerca de 15 graus de arco de um dia para o outro, o equivalente a uma mão aberta com o braço esticado.

Os planetas, por outro lado, têm ritmos mais lentos, porém distintos entre si, o que faz com que suas posições de proximidade se formem e se desfaçam ao longo do tempo. A raridade se manifesta quando essas diferentes velocidades culminam em um alinhamento visual no céu.

“O que pudemos observar na noite passada é um acontecimento bastante incomum, pois eles surgem alinhados, como usualmente, mas com uma aparente proximidade muito grande, e a lua, em sua fase fina, parece estar extremamente perto de Vênus”, esclarece Josina Nascimento, pesquisadora do Observatório Nacional.

Como observar os astros no céu nas próximas noites

Nesta quinta-feira (18), imediatamente após o pôr do sol, os quatro astros estarão novamente visíveis no horizonte oeste.

A sequência visual, do ponto mais baixo em relação ao horizonte para cima, será Mercúrio, seguido por Júpiter, depois Vênus e, mais acima, a Lua crescente. A observação de todos esses corpos celestes é possível sem equipamentos especiais.

Para uma visualização clara, é fundamental ter o horizonte desimpedido. Mercúrio e Júpiter surgem bem próximos à linha do horizonte e se ocultam rapidamente, o que pode dificultar a observação para quem tiver obstáculos como árvores, edifícios ou elevações no caminho. Vênus, por ser mais alto e consideravelmente brilhante, é o mais fácil de identificar e pode servir como guia para localizar os demais.

Este trio de planetas continuará acessível à visão até o final de junho e início de julho, contudo, Mercúrio e Júpiter gradualmente descerão em direção ao horizonte, eventualmente desaparecendo para quem não possui uma vista completamente livre.