Advogados do rapper Oruam informaram à Justiça sobre o delicado estado de saúde do artista, que foi diagnosticado com um grave caso de tuberculose pulmonar. Os representantes legais de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno apresentaram documentos médicos detalhados na tentativa de reverter a ordem de prisão preventiva que pesa sobre o músico, atualmente em situação de foragido. A defesa argumenta que a gravidade da doença impede sua permanência em ambiente carcerário.
Os laudos incluídos no processo judicial indicam um quadro clínico alarmante. O músico, segundo os exames, sofre danos extensos nos tecidos dos pulmões, além de uma tosse persistente e um notável emagrecimento. A equipe jurídica enfatizou a perda significativa de peso, que se aproxima dos cinco quilos no último mês, e o desenvolvimento de sarcopenia, uma condição progressiva que acarreta a diminuição da massa e da força muscular, agravando ainda mais sua fragilidade.
Diante do cenário de saúde, a equipe jurídica classificou a condição clínica de Oruam como preocupante, destacando que seu quadro tem demonstrado deterioração constante. Essa piora foi o ponto central da argumentação apresentada ao sistema judiciário, buscando a anulação da ordem de prisão preventiva, sob a alegação de que o artista não possui condições de saúde para enfrentar o encarceramento. A defesa espera que a Justiça considere a situação humanitária.
Contrariando as expectativas da defesa, a juíza Tula Corrêa de Mello analisou a solicitação e decidiu pela rejeição do pedido, mantendo a prisão preventiva do rapper. Em sua determinação judicial, acessada pela reportagem, a magistrada foi enfática ao reiterar que a medida cautelar permanece válida devido ao descumprimento, por parte do réu, das condições de liberdade que haviam sido estabelecidas anteriormente, o que pesa consideravelmente na decisão.
A decisão judicial ressalta que a apresentação dos exames médicos, embora importante, não exime o acusado de suas responsabilidades perante a lei, especialmente quando há um histórico de não comparecimento e descumprimento. A juíza sublinhou a importância da obediência às determinações judiciais para garantir a integridade do processo legal, mesmo diante de um quadro de saúde que demandaria atenção e tratamento.
Para casos em que a saúde do detido é um fator, a juíza Tula Corrêa de Mello também determinou que Oruam seja submetido a uma avaliação médica completa assim que se apresentar à Justiça ou for detido pelas autoridades. Este exame posterior terá como finalidade primordial certificar suas reais condições de saúde no momento da prisão e, igualmente crucial, verificar se a rede carcerária dispõe dos recursos e da estrutura adequada para oferecer o tratamento médico necessário à sua condição.
O rapper Oruam encontra-se foragido da Justiça há mais de 130 dias, período que se estende desde o início de fevereiro, quando o mandado de prisão preventiva foi expedido. Ele é acusado de tentativa de homicídio contra dois policiais civis, um crime que teria ocorrido durante uma operação policial em julho do ano passado. Sua ausência em audiências e o não comparecimento diante do tribunal após a emissão da ordem de prisão foram fatores determinantes para a manutenção de sua condição de procurado e para a decisão da juíza de manter a prisão, independentemente do quadro de saúde apresentado.

