Lotéricas da Caixa sofrem ataque cibernético coordenado em vários estados com prejuízos

Bilhete de Loteria

Bilhete de Loteria - Rafa Jodar/ Istockphoto.com

Na tarde desta terça-feira, 21 de julho, empresários de lotéricas de todo o Brasil reportaram uma série de invasões nos sistemas bancários da Caixa Econômica Federal operados em suas unidades. Os incidentes incluíram boletos quitados sem permissão, terminais desativados e transações financeiras não reconhecidas pelos proprietários dos estabelecimentos. Os primeiros sinais de atividades irregulares surgiram por volta das 15h, com valores fraudulentos que variavam de R$ 4.500,00 a R$ 5.000,00, processados com diferenças de apenas minutos e segundos.

A ação criminosa atingiu centenas de pontos de atendimento de forma simultânea em pelo menos três estados, conforme relatos compartilhados entre os empresários. Em algumas unidades, o volume de boletos pagos indevidamente chegou a impressionantes R$ 500 mil, sendo que uma lotérica em São Paulo registrou mais de R$ 300 mil em transações irregulares desde o começo dos problemas. Até o momento em que a reportagem foi finalizada, a Caixa Econômica Federal não havia emitido nenhum comunicado oficial sobre o ocorrido.

Loterias Caixa, jogos – Foto: luoman/ Istockphoto.com

Lojas desligam terminais em meio à crise após invasões

As primeiras informações sobre a crise foram divulgadas pelos próprios empresários, que receberam uma comunicação interna indicando que o “monitoramento automático dos TFLs detectou um volume atípico de transações em várias UL”. A mensagem também mencionava a formação de uma “sala de crise” para investigar a situação e confirmava a “intermitência geral” e a “indisponibilidade” dos serviços, sem previsão de retorno à normalidade.

Diante da instabilidade, proprietários de lotéricas em diversas localidades decidiram desligar todos os equipamentos, incluindo aqueles que aparentemente não haviam sido afetados, seguindo a recomendação de um colega da categoria. Estados como Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo registraram a paralisação de inúmeras unidades. A reação em rede foi imediata, com os empresários orientando uns aos outros a emitir relatórios de fluxo de caixa para calcular os prejuízos e a registrar as ocorrências nas delegacias.

Lotéricos de São Paulo relataram que a Caixa implementou um bloqueio centralizado para o recebimento de boletos em toda a sua rede, medida que evitou novas transações fraudulentas, mas não reverteu as que já haviam sido processadas. Uma orientação foi enviada aos proprietários, explicando como acessar o sistema “Conexão Parceiros” para verificar as movimentações consolidadas por terminal e gerar os relatórios de fluxo de caixa.

A ausência de comunicado oficial da Caixa aumenta a preocupação

A falta de um posicionamento oficial por parte da Caixa Econômica Federal é um dos fatores que mais gera apreensão entre os empresários lotéricos. Sem um reconhecimento formal do ataque, esclarecimentos sobre a dimensão dos estragos e informações sobre como será o ressarcimento, cada proprietário se vê obrigado a lidar individualmente com os custos de um eventual prejuízo.

Nos grupos de comunicação da categoria, o clima oscilava entre o relato objetivo dos fatos e um visível estado de pânico. Mensagens como “invadiram meu sistema”, “o meu foi em todos os terminais” e “está geral, nada funcionando” eram comuns. Um empresário chegou a发出 um alerta em letras maiúsculas para que todos desconectassem “inclusive o sistema de comunicação”, ressaltando a gravidade da situação. A dimensão do incidente, com registros simultâneos em São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, indica uma ação criminosa bem-organizada e coordenada, que explora vulnerabilidades na infraestrutura bancária das lotéricas. Perguntas cruciais sobre quem arcará com as transações não autorizadas e quando os empresários serão compensados permanecem sem respostas.

Caixa promete comunicação oficial após reunião com lotéricos

Em uma atualização sobre o caso, a Gerência Nacional de Rede Lotérica da Caixa (GERLO) informou, por meio da Associação Nacional dos Empresários Lotéricos (ALSPI), que diversas reuniões foram realizadas na noite desta terça-feira, 21 de julho, para tratar dos problemas identificados. A Caixa Econômica Federal (CEF) manifestou a intenção de divulgar um comunicado oficial a toda a rede lotérica na quarta-feira, 22 de julho, antes do início do expediente, por volta das 8h da manhã.

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