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A Uefa reiterou, em 30 de julho de 2026, sua posição contrária à iniciativa da Fifa de criar uma corporação para gerenciar seus campeonatos e comercializar cotas para investidores privados. A entidade europeia enfatizou que as 55 federações-membro desaprovam a ideia de forma unânime e não participarão das competições enquanto a proposta estiver em análise. A declaração ocorreu após uma reunião de emergência convocada pela Uefa na quarta-feira.

Em um documento divulgado pela Uefa, ficou registrado: “Nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em pauta, a menos que a ideia seja totalmente abandonada e haja garantias vinculantes”.

Esta paralisação poderia impactar, por exemplo, a Copa do Mundo Feminina de 2027, agendada para o meio do próximo ano e que será sediada no Brasil.

A proposta da Fifa foi apresentada em 28 de julho de 2026. A intenção é estabelecer uma empresa privada, responsável pela operação comercial e organização de todas as competições detidas pela entidade.

A Uefa foi uma das primeiras instituições a se manifestar contra a medida, recebendo o apoio da Concacaf, que representa a América do Norte, Central e Caribe, e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Juntas, essas três entidades somam 143 dos 211 membros da Fifa, constituindo uma ampla maioria.

A Fifa publicou um vídeo em 29 de julho de 2026, onde o presidente Gianni Infantino esclarece a proposta de comercialização de cotas. Ele detalhou que a iniciativa será submetida a votação de todas as associações-membro e do conselho da organização.

Infantino também mencionou que a venda das cotas permitiria um aumento no repasse financeiro para cada federação filiada, passando de 8 milhões para 20 milhões de dólares. A Fifa prevê uma arrecadação de 4,2 bilhões de dólares (equivalente a R$ 21,5 bilhões) com este projeto.

O pronunciamento da Uefa expressou profunda reprovação. “A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados.”

“A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.”

“É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.”

O comunicado da entidade europeia prossegue: “Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma ‘decisão democrática’, mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global.”

A Uefa ainda complementa: “No entanto, nossa oposição vai muito além da questão do processo.”

Como a empresa que a Fifa pretende criar funcionaria

A empresa a ser constituída pela proposta é a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária com controle majoritário da entidade. Esta companhia teria a função de consolidar as operações comerciais e as competições principais.

A Fifa estima que a FFE teria um valor total de 20 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 102,3 bilhões). Por essa razão, a organização afirma que a venda de 4,2 bilhões de dólares (cerca de R$ 21,5 bilhões) em ações resultaria em investidores privados com participação minoritária na nova empresa.

Com os recursos levantados, a Fifa promete aumentar a quantia distribuída para a federação de cada país membro. Atualmente, o valor pago é de R$ 41 milhões por país. Se o plano for aprovado, a quantia poderá atingir R$ 102 milhões no ciclo até a Copa de 2030, R$ 112,5 milhões até 2034 e R$ 123 milhões até 2038.

Em nota oficial publicada em seu site, a Fifa argumenta que o aporte de capital privado pode ser crucial para “alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base”.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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