John Ternus assume o comando da Apple em meio a desafios com inteligência artificial

John Ternus, o próximo CEO da Apple

John Ternus, o próximo CEO da Apple

John Ternus iniciou oficialmente suas funções como presidente-executivo da Apple em 1 de setembro de 2026, herdando uma gigante tecnológica que lidera o mercado de smartphones, mas enfrenta um cenário competitivo na área de inteligência artificial. Sua ascensão marca o início de uma nova fase para a empresa, que busca definir sua estratégia futura neste campo em rápida evolução.

A transição na liderança e o perfil do novo CEO da Apple

Foto: John Ternus e Tim Cook – Divulgação Apple

A mudança na direção da Apple encerra os 15 anos de Tim Cook no comando. John Ternus, um engenheiro com 51 anos, ingressou na equipe de design da empresa em 2001 e ascendeu até se tornar vice-presidente sênior de engenharia de hardware, reportando-se diretamente a Cook. Ele é responsável pelas equipes de engenharia por trás de toda a linha de produtos da Apple, incluindo os iPhones, que geram a maior parte da receita da companhia.

Ternus terá pouco tempo para se adaptar, pois a Apple realizará seu evento anual de iPhone em 9 de setembro, ocasião em que se espera a revelação de seu primeiro aparelho dobrável. O analista Dan Ives, da Yorkville Ives & Co., avaliou que “Tim Cook deixou a empresa em ordem fenomenal”, mas agora, o foco está em “Ternus definindo o capítulo da inteligência artificial”.

O desafio da inteligência artificial e a aposta no hardware

A escolha de Ternus, um especialista em hardware, levanta debates sobre a melhor abordagem da Apple para alcançar seus rivais em inteligência artificial. Alguns analistas defendiam que o chefe de software, Craig Federighi, seria uma escolha mais lógica para a área. No entanto, Carolina Milanesi, analista da Creative Strategies, argumenta que essa visão pode não compreender a forma como os consumidores interagem com a tecnologia.

“Os consumidores ainda compram hardware primeiro, e isso vai continuar por muito tempo”, explicou Milanesi. Ela acrescentou que “não se descobrirá o valor da inteligência artificial se não houver interesse no hardware”. Tim Cook, em um memorando final aos funcionários, reforçou essa perspectiva, afirmando que “poucas pessoas entendem o que é preciso para construir produtos que mudam o mundo como John entende”.

Geopolítica e a dependência da cadeia de suprimentos chinesa

Um dos maiores desafios para Ternus será equilibrar a forte dependência da Apple da China, ao mesmo tempo em que lida com a pressão política da Casa Branca. A operação de manufatura da empresa é uma das mais complexas da história corporativa, uma vasta rede de centenas de fornecedores e linhas de montagem que Cook construiu meticulosamente ao longo de décadas.

Nos últimos anos, Cook começou a diversificar parte da produção para outros países, como a montagem de iPhones na Índia e outras operações no Vietnã. Contudo, essa diversificação tem sido gradual, e a China, um dos maiores mercados consumidores da Apple, ainda é fundamental para o sistema. O terreno político, que Cook soube navegar com maestria, será uma nova área de aprendizado para Ternus.

O futuro papel de Tim Cook na Apple

Tim Cook não se afastará completamente da Apple. Ele assumirá a posição de presidente-executivo do conselho da empresa na mesma data, com um mandato que inclui o envolvimento com formuladores de políticas em todo o mundo. Milanesi considera essa organização “muito inteligente”, argumentando que o arranjo libera Ternus de um papel que Cook gerenciou sozinho por muitos anos.

O evento de lançamento do iPhone em 9 de setembro será a primeira avaliação pública da transição de liderança. Um iPhone dobrável representaria a reformulação mais significativa dos últimos anos da Apple, e Ternus será o rosto dessa inovação, apenas oito dias após assumir o cargo de CEO.