A polícia prendeu um homem no Rio de Janeiro, na manhã de 2 de setembro de 2026, sob suspeita de se apresentar como o técnico do Grêmio para solicitar transferências via PIX a atletas do clube. A apuração inicial revela que um dos jogadores efetuou um pagamento de R$ 22 mil ao criminoso.
A ação policial indicou que o indivíduo integrava uma quadrilha que criava perfis falsos em plataformas de comunicação, fingindo ser o técnico Luís Castro. Eles abordavam jogadores do Grêmio e de outras agremiações, solicitando doações para supostas compras de cestas básicas. Questionado, o Grêmio informou que não emitirá declaração, considerando o ocorrido um assunto particular do atleta.
A investigação revelou que o atacante colombiano José Enamorado foi a vítima que perdeu os R$ 22 mil na fraude. O zagueiro Walter Kannemann também foi procurado pelo criminoso, mas desconfiou da abordagem e alertou as autoridades.
O ex-atleta Andrés D’Alessandro igualmente foi alvo do esquema, porém, a polícia já monitorava a situação, impedindo que o argentino realizasse qualquer pagamento.
Outros jogadores e figuras públicas ligadas a times de diferentes estados, a uma agremiação europeia e a um artista conhecido nacionalmente também foram identificados como potenciais vítimas do grupo.
Detalhes da investigação sobre o golpe contra atletas
A 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre conduz as investigações. A Operação Falso 9 executou mandados em 2 de setembro de 2026, contando com o suporte da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Foram cumpridos um mandado de prisão preventiva e dois de busca e apreensão em Itaperuna, no estado do Rio de Janeiro. O detido é alvo de apuração por estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade.
As investigações tiveram início depois que a polícia recebeu denúncias sobre um indivíduo que, usando o WhatsApp e uma foto do treinador, abordou quatro atletas. O criminoso, então, orientou os jogadores a comparecerem mais cedo ao centro de treinamento no dia subsequente para uma conversa.
Com um dos jogadores, o falso treinador dialogou por dias, indagando sobre a vida pessoal, a família e o desempenho nos treinos, sempre com elogios à sua dedicação. Em certo ponto, ele solicitou ao atleta que mantivesse o contato em sigilo, estratégia para isolar a vítima e impedir a descoberta da fraude.
Por fim, o pedido financeiro era feito, com a justificativa de auxiliar um grupo social no Rio de Janeiro através da doação de cestas básicas. A solicitação envolvia 300 cestas, no valor de R$ 75 cada, somando R$ 22,5 mil. Em 6 de maio de 2026, o golpista enviou uma chave PIX aleatória, afirmando ser da suposta responsável pela entidade, e instruiu o atleta a fazer o depósito.
Uma tentativa inicial de transferência foi bloqueada pelo limite diário de movimentação bancária do jogador, fazendo com que o golpista remarcasse o pagamento para o dia seguinte e reiterasse o pedido de sigilo. No dia subsequente, o valor foi transferido via PIX. Em seguida, o suspeito encaminhou ao atleta uma falsa confirmação de recebimento das cestas pela instituição, finalizando essa fase da fraude.
No mesmo dia, o criminoso tentou aumentar o prejuízo: ele contou à vítima que um outro atleta, alegadamente “de fora do Brasil” e incomunicável devido ao fuso horário, também queria colaborar com 600 cestas básicas, no valor de R$ 50 mil, e pediu ao jogador que adiantasse a quantia, com promessa de reembolso futuro.
Com o objetivo de validar a solicitação e pressionar o jogador, o suspeito chegou a citar a participação de outros atletas da equipe. Contudo, a nova transferência não foi concluída, pois novamente excedeu o limite diário de movimentação financeira da vítima, o que finalmente interrompeu a série de golpes.

